MERCADO FINANCEIRO
Juros futuros
Os juros futuros subiram ontem com o suporte dos fortes dados de produção industrial no País em agosto, que justificaram a elevação das apostas de que o Copom vai parar de reduzir a taxa Selic na próxima reunião, nos dias 16 e 17 deste mês. Após passarem a maior parte do dia em queda, as Bolsas norte-americanas exibiram leve recuperação na última hora de sessão, mas com liquidez reduzida.
Espera
Os investidores ficaram em compasso de espera pelos dados de mercado de mão-de-obra em setembro nos EUA, que saem hoje. Os números do payroll são considerados essenciais porque devem balizar a próxima decisão de política monetária do Federal Reserve, no fim deste mês. A Bovespa ficou descolada dos mercados de ações norte-americanos e oscilou em terreno positivo quase o dia todo, após o tombo de mais de 3% terça-feira. E o dólar à vista interrompeu dois dias de ganhos para operar entre a estabilidade e queda.
Descolamento
Os juros futuros descolaram dos demais ativos domésticos por causa dos dados robustos da produção industrial de agosto trazidos pelo IBGE. As taxas fecharam em alta, refletindo o aumento da precificação da aposta de que o Copom vai parar de reduzir a Selic este mês, mas longe das máximas. O DI janeiro de 2008, que chegou a subir a 11,10% fechou em 11,05%, de 11,04% terça. O DI janeiro de 2009 avançou de 11,24% para 11,27%, chegando a 11,31% na máxima. O DI janeiro de 2010 projetava 11,31% no final da sessão, ante 11,28% terça.
Produção industrial
Segundo o IBGE, a produção industrial em agosto cresceu 1,3% ante julho, número que superou a mediana de 0,60% das estimativas dos analistas. Ante agosto de 2006, a alta de 6,6% ficou acima do teto das previsões, que era de 6,47%. A média móvel trimestral avançou 0,7% naquele mês. Um dos destaques foi a expansão de 4% na produção de bens de capital ante julho e de 21% na comparação a agosto de 2006, o que sinaliza investimentos na ampliação da capacidade industrial o que, por sua vez, alivia, em tese, as preocupações com a pressão da demanda sobre a atividade.
Demanda
O avanço considerável na produção de bens de capital, somado à estabilidade na taxa de utilização da capacidade instalada em agosto divulgada pela CNI, sugere que a indústria está dando conta, e assim deve continuar, de atender à crescente demanda doméstica, ao mesmo tempo em que a inflação mostra sinais de desaceleração. Ainda assim, o mercado de juros ficou mais reticente em relação à possibilidade de queda da Selic este mês. As apostas são de corte de 0,25 ponto percentual na taxa de 11,25%.
Respaldo
O conservadorismo do investidor ganhou força porque os números da indústria encontraram respaldo no discurso que o Banco Central vem adotando. A ata do Copom e o Relatório de Inflação não deixaram dúvidas sobre as preocupações da autoridade monetária com a inflação da demanda e, desde então, o mercado vem considerando como bastante possível que a esperada pausa no ciclo de desaperto monetário venha já.
Vendas recordes
Os números da Anfavea, relativos a setembro, também são fortes. As quedas de 9,4% na produção e de 13,3% em relação a agosto nas vendas foram atribuídas ao número menor de dias úteis de um mês para outro. A produção de 252,8 mil unidades e as vendas de 204 mil unidades, no entanto, foram recorde para meses de setembro. No acumulado de nove meses do ano, essas duas variáveis também são os melhores resultados nessa comparação.
Inflação
Pela manhã, a FGV informou que o IGP-DI de setembro desacelerou a alta a 1,17%, ante 1,39% em agosto. A taxa ficou dentro das estimativas dos analistas, que esperavam um resultado entre 0,90% e 1,24%, e acima da mediana das projeções (1,07%). O núcleo também perdeu força, passando de a 0,24%, ante alta de 0,37%.
Repercussão
Ontem, as apostas para o futuro da Selic podem continuar repercutindo sobre as taxas futuras, especialmente nos contratos de curto prazo, enquanto os mais longos tendem a reagir com mais força aos dados do relatório de emprego nos EUA referente a setembro. É grande a expectativa em relação aos dados, principalmente após o resultado inesperado de queda de 4 mil vagas em agosto, no atual contexto de apostas em novo corte na taxa dos Federal Funds em outubro.
Forte oscilação
Após o tombo de terça, a Bovespa mostrou forte oscilação ontem, sem tendência definida, contrabalançando a alta nas ações da Petrobras e a queda dos papéis da Vale do Rio Doce. Contribuiu com a falta de direção o rumo incerto nos pregões norte-americano, onde os agentes aguardam o relatório de setembro do mercado de trabalho dos Estados Unidos, que será divulgado hoje. O Ibovespa fechou o dia com alta de 0,51%, aos 60.406,7 pontos, após oscilar da mínima de 59.536 pontos (-0,94%) à máxima de 61.080 pontos (+1,63%). O volume financeiro somou R$ 5,348 bilhões. No mês de outubro, o índice paulista verifica decréscimo de 0,10%, mas segue positivo no ano, com alta de 35,83%.
Quedas
O dólar à vista interrompeu duas altas seguidas para oscilar ontem entre a estabilidade e quedas. A volatilidade das Bolsas e o recuo do dólar no mercado de moedas influenciaram os negócios. No fechamento, o pronto recuava 0,79%, a R$ 1,8245 na roda da BM&F, e caía 0,76%, a R$ 1,825 no balcão. A moeda americana no mercado à vista operou volátil, sem consenso, com os investidores tentando definir um possível rumo para os preços, enquanto esperam os dados do mercado de mão-de-obra em setembro nos Estados Unidos, que saem hoje. Os números do payroll são considerados essenciais pelo mercado para balizar a próxima decisão de política monetária do Federal Reserve, no fim deste mês.
Dólar futuro
No mercado de dólar futuro, os quatro vencimentos negociados projetaram baixas, com o dólar novembro07 apontando -0,85%, a R$ 1,829; e o dólar outubro08, -0,57%, a R$ 1,917. O volume movimentado somou cerca de US$ 16,01 bilhões (318.516 contratos). Na primeira parte dos negócios, os investidores reagiram aos novos indicadores dos EUA, que vieram piores do que o esperado.





