Pretexto
O dado fraco do setor de moradias em agosto nos Estados Unidos serviu de pretexto para a realização de lucros nas Bolsas ontem, após os recordes de pontos do Dow Jones e do Ibovespa, segunda-feira. O Nasdaq foi o único índice de ações em Wall Street a fechar em alta, sustentado pela recuperação das ações de tecnologia e consumo. Os investidores externos venderam ações e compraram Treasuries, cujos preços subiram.

Dólar subiu
O dólar interrompeu uma série de oito dias consecutivos de mínimas recordes contra o euro e também avançou ante a moeda japonesa. As apostas dos analistas continuam convergindo para um corte de juro dos Fed Funds no fim deste mês. Com a ajuda externa, o dólar à vista subiu após cinco sessões em baixa e ter acumulado perdas de mais de 8%. A Bovespa terminou em terreno negativo, mas longe das mínimas e com um forte volume de negócios que reflete o fluxo positivo de investidores estrangeiros. Os juros futuros devolveram os ganhos iniciais e terminaram perto da estabilidade.

Oscilações
Após cair 8,2% nas cinco sessões anteriores para o menor valor desde agosto de 2000, o dólar à vista oscilou em alta ontem e fechou cotado a R$ 1,8235 (+0,80%) na roda da BM&F e a R$ 1,825 (+0,83%) no balcão. Várias razões levaram as tesourarias de bancos e investidores estrangeiros a zerar posições vendidas em dólar futuro e também ajustar posições no mercado à vista, dando sustentação aos preços: a persistente recuperação do dólar ante o euro no mercado de moedas; o movimento de realização de lucros nas Bolsas em Nova York e em São Paulo, após os recordes de pontos do Índice Dow Jones e do Ibovespa; e as fortes perdas acumuladas pelo pronto desde a semana passada.

Imóveis
Durante o dia, a principal razão apontada para a venda de ações nas Bolsas e compras de Treasuries, cujos preços subiram, foi o fraco número de vendas pendentes de imóveis em agosto nos Estados Unidos. A Associação Nacional dos Corretores de Imóveis informou que o índice de vendas pendentes de imóveis caiu nos EUA à taxa anual sazonalmente ajustada de 6,5%, para 85,5 em agosto, o menor nível desde que o índice foi criado em janeiro de 2001. Em julho, o índice estava em 91,4 e economistas esperavam que ficasse em 88 em agosto. Segundo analistas, esse dado confirma que o setor imobiliário como um todo nos EUA foi atingido pelos problemas no segmento de crédito subprime.

Números fracos
Os números fracos do setor de moradia nos EUA combinados com a queda das ações induziram compras de Treasuries, cujos preços subiram, com respectiva queda dos juros. Com os persistentes sinais de desaceleração da economia norte-americana, os contratos futuros de curto prazo (novembro) dos Fed Funds continuaram indicando, a exemplo de segunda-feira, probabilidade de 72% de que o Fed corte sua taxa em 0,25 ponto porcentual para 4,5% na reunião do Fomc, nos dias 30 e 31 de outubro.

Estrangeiros
Após renovar marcas históricas no último pregão, a Bovespa fechou em leva baixa ontem por causa de um movimento de realização de lucros. As vendas de ações, contudo, perderam força ao longo da jornada, diante da continuidade do expressivo fluxo positivo de recursos externos para a Bolsa paulista. A recuperação dos preços das blue chips Vale do Rio Doce e Petrobras - que ajudou na redução das perdas do Ibovespa - sugere a manutenção do ingresso de estrangeiros.

Volume elevado
No final do dia, o Ibovespa indicou queda de 0,52%, aos 62.017,1 pontos, após oscilar da mínima de 61.240,8 pontos (-1,76%) à máxima de 62.356,1 pontos (+0,03%). O volume financeiro, novamente elevado, atingiu R$ 6,548 bilhões. Nos dois primeiros dias de outubro, a valorização do indicador alcança 2,57%. No ano, o Ibovespa registra ganho de 39,45%.

Benefícios
Na avaliação de um analista, o fato de o Brasil ter suportado bem a recente turbulência gerada no mercado pela crise no setor de crédito subprime norte-americano, o aumento do diferencial de juros interno e externo - com o BC mais conservador e a chance de novos cortes pelo Fed - e a pouca contaminação das empresas brasileiras pelos problemas de crédito nos EUA têm beneficiado o mercado acionário doméstico. ''Mas ainda é preciso atentar ao impacto da crise na economia norte-americana'', ponderou.

Fluxo
O fluxo histórico de investimentos estrangeiros na Bovespa no mês passado referenda a percepção de interesse pelas ações brasileiras. Até o dia 27, o saldo de capital externo já somava R$ 3,723 bilhões, acima do recorde de R$ 3,702 bilhões registrado em fevereiro de 2005. No dia 28, último pregão de setembro, houve uma entrada de R$ 95 milhões em capital externo. Outro componente que ajudou na desaceleração da trajetória declinante do Ibovespa hoje foi a reversão das perdas registrada pelas ações da Petrobras.

Queda
Os contratos futuros do petróleo fecharam em leve baixa na New York Mercantile Exchange (Nymex) e na Intercontinental Exchange (ICE, de Londres). Os preços operaram em queda ao longo de quase todo o dia e recuperaram algum terreno à tarde, devido à preocupação com tempestades na região produtora do Golfo do México. O vencimento de petróleo bruto para novembro fechou a US$ 80,05 por barril, em queda de 0,24%. Na ICE, em Londres, o Brent para novembro caiu 0,33%, a US$ 77,38.

Desaceleração
Os juros futuros desaceleraram a alta e terminaram o dia de lado na BM&F. O destaque, mais uma vez, foi a liquidez reduzida, refletindo o pouco interesse do investidor por este mercado. O DI janeiro de 2009, o mais negociado, com cerca de 150 mil contratos, encerrou em 11,21%, de 11,20% segunda, e o DI janeiro de 2010 ficou em 11,23%, de 11,22% segunda. As taxas começaram o dia para cima, acompanhando o movimento de realização de lucros das bolsas e do dólar, mas a pressão perdeu força à tarde na medida em que as ações reduziam as perdas e o dólar também desacelerava a alta.

Dúvidas
O mercado de juros continua travado pelas dúvidas em relação ao futuro da política monetária do Banco Central e assim deve continuar até a reunião do Copom, a não ser que algum indicador ou evento seja forte o bastante para animar a montagem de novas posições. A agenda fraca de ontem também não estimulou os negócios.

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