Trajetória de alta
A Bovespa acelerou a trajetória de alta no final da tarde de ontem, depois de já ter estabelecido novo recorde durante a manhã. O principal índice de ações do Brasil, o Ibovespa, subiu 2,95%, a 62.246 pontos. É a primeira vez que a marca de 62 mil pontos é superada. A de 60 mil foi estreada na última quinta-feira. Em setembro, a Bolsa subiu 10,6%. Foi a maior valorização mensal desde janeiro de 2006. Na semana passada, bateu quatro recordes seguidos, entre segunda e quinta-feira.

Escalada
A escalada de ontem acompanhou os mercados dos Estados Unidos, em que investidores estão otimistas com os resultados que as empresas devem apresentar no quarto trimestre. Nos Estados Unidos, as Bolsas operaram em alta. O índice Dow Jones, referência do mercado americano, chegou a bater recorde histórico durante o pregão.

Volatilidade
''Ainda é possível que o mercado sofra alguma volatilidade, mas entendemos que a mesma ocorrerá em menor intensidade do que em agosto e setembro'', afirmou o analista da corretora Unibanco, Carlos Constantini, em relatório. ''Os investidores ainda deverão privilegiar setores com maior liquidez. Portanto, continuamos preferindo o setor de bancos, que se encontra subavaliado e apresenta liquidez relevante'', complementou.

Menor valor
O dólar comercial foi negociado a R$ 1,810 para venda, com decréscimo de 1,30%, nas últimas operações de ontem. Trata-se da menor cotação desde 15 de agosto de 2000, quando a moeda americana bateu R$ 1,804. Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi cotado a R$ 1,940, em baixa de 0,51%. Profissionais de mercado atribuíram a derrocada do dólar à cena externa fortemente favorável hoje. ''Quando lá fora fica muito positivo, a tendência é que o fluxo de recursos para o Brasil aumente ainda mais. E a tendência do dólar é de queda'', avalia Mário Paiva, analista da corretora Liquidez.

Inflação
Apesar da expectativa de uma parcela dos profissionais do mercado, o Banco Central ainda não retomou os leilões de compra de moeda e as operações de swap cambial, interrompidas na primeira quinzena de agosto. ''O Banco Central não vai entrar no mercado se ele não perceber um volume anormal de recursos. E por enquanto, o que está acontecendo é o fluxo normal, de mercado. O presidente do BC (Henrique Meirelles) já foi muito claro: o governo não tem meta cambial, tem meta de inflação'', diz Paiva.

Balança em queda
Apesar da queda de 9,5% do superávit da balança comercial entre janeiro e setembro, na comparação com o mesmo período do ano passado, a corrente comercial brasileira (soma das exportações e das importações) rompeu pela primeira vez em nove meses do ano a barreira dos US$ 200 bilhões. Segundo divulgou ontem o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, a corrente comercial encerrou até setembro em 202,251 bilhões, resultado de US$ 116,599 bilhões em exportações e de US$ 85,652 bilhões em importações.

Corrente comercial
A primeira vez que a corrente comercial do Brasil ultrapassou os US$ 200 bilhões foi em novembro de 2006, quando o indicador fechou o ano em US$ 229.156. Em 2005, o País chegou próximo da marca, acumulando US$ 192,136 bilhões.

Juros futuros
O mercado futuro de juros, que referencia as tesourarias dos bancos, abriu o mês em queda. No contrato de janeiro de 2008, a taxa projetada estabilizou em 11,02%. No contrato de janeiro de 2009, a taxa projetada recuou de 11,24% para 11,20%. E no contrato de janeiro de 2010, a taxa projetada cedeu de 11,33% para 11,22%. O boletim ''Focus'' revelou que o mercado financeiro ajustou a expectativa para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) deste ano, de 4% para 4,02%.

Copom
Em relação aos juros as previsões foram mantidas. A expectativa é de um corte de 0,2 ponto percentual na próxima reunião do Copom. Para 2008, a projeção é que a taxa Selic chegue a 10,25% ao ano em dezembro. Entre outras notícias, o IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor - Semanal) desacelerou novamente e fechou setembro com alta de 0,23%, contra 0,25% do período anterior, devido ao recuo nos preços do grupo Habitação.

Desaceleração
O ritmo de atividade no setor manufatureiro da economia dos EUA registrou desaceleração em setembro, recuando para 52 pontos, contra 52,9 em agosto, informou ontem o ISM (Instituto de Gestão de Oferta, na sigla em inglês). A expectativa dos analistas era de que o índice ficasse em 53 pontos no mês passado - resultados abaixo dos 50 pontos indicam contração da atividade; acima desse patamar indicam expansão.

Queda nas vendas
O setor manufatureiro vem sendo atingido pela queda nas vendas de automóveis e pela crise nos mercados de crédito, causada pelos problemas crescentes de inadimplência no segmento de risco do mercado de hipotecas nos EUA. A queda de atividade no setor de veículos já foi apontada em agosto: no último dia 26, o Departamento do Comércio informou que os pedidos de bens duráveis nos EUA em agosto caiu 4,9% afetado, entre outros itens, pelo recuo nos pedidos no segmento de equipamentos de transporte - que mostrou queda de 11,2%.

Alta
As bolsas européias fecharam em alta no primeiro pregão do quarto trimestre, influenciadas pelo rali de Nova York. Os ganhos das montadoras e mineradoras limitaram o impacto das perdas da Nokia e do setor financeiro. As ações do UBS e do Credit Suisse, que pressionaram os índices mais cedo, devolveram as perdas e fecharam em alta. O FTSE-100 da Bolsa de Londres fechou em alta de 0,61%, em 6.506,20 pontos. Em Frankfurt, o Xetra-DAX subiu 0,77% para 7.922,42 pontos. Na Bolsa de Paris, o CAC40 encerrou com ganhos de 1,01% aos 5.773,26 pontos.

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