MERCADO FINANCEIRO
Altas expressivas
As Bolsas nos EUA e Brasil encerraram em queda o último pregão do terceiro trimestre fiscal, ontem, mas acumularam expressivas altas em setembro. Em Nova York, o Dow Jones subiu no mês 4,03%; o Nasdaq, +4,05%; e o S&P 500, +3,58%. Em São Paulo, a Bovespa ganhou 10,67% no mês. Com esses resultados, os mercados de ações mostram que superaram com folga os efeitos negativos sobre os negócios em agosto provocados pelos problemas no segmento de crédito decorrentes da crise no setor imobiliário subprime nos EUA.
Menor preço
Com o recuo das ações ontem, os preços dos Treasuries subiram e o dólar seguiu em baixa, com o euro renovando recorde intraday. O petróleo terminou em baixa, mas chegou a se aproximar de US$ 84,00 o barril pressionado pelo enfraquecimento da moeda norte-americana. O dólar à vista caiu pela quarta sessão consecutiva para o menor preço em sete anos, sob efeito da disputa pela formação da ptax de fim de mês. Em setembro, o pronto perdeu 6,57%. Os juros futuros exibiram leves baixas, que foram limitadas por apostas conservadoras para a taxa básica de juros no País.
Indicadores
A próxima semana será rica em indicadores e eventos externos. Na segunda-feira, o ex-presidente do Fed Alan Greenspan falará em evento em Londres e poderá mexer com o humor dos mercados. Na quinta-feira, haverá decisões de política monetária pelo BCE e o Banco da Inglaterra. E, na sexta-feira, alguns mercados fecharão mais cedo nos EUA, por causa do feriado da segunda-feira seguinte, dia 8 (Dia de Colombo). Internamente, o destaque será o indicador de produção industrial de agosto, que o IBGE divulgará na quinta-feira.
Retomada
A Bovespa fechou no vermelho o último pregão de um mês que marcou a retomada do otimismo no mercado brasileiro. A justificativa para a queda de ontem foi realização de lucros, o que não surpreende tendo em vista a forte recuperação da Bolsa brasileira desde o dia 18 de setembro, quando o Federal Reserve reduziu o juro básico norte-americano para 4,75% ao ano. Foi o sinal que os agentes externos esperavam para alocar os recursos represados durante a crise do setor de crédito subprime nos Estados Unidos, deflagrada em junho deste ano.
Euforia
E o Brasil, ''queridinho entre os emergentes'', foi um dos destinos preferidos. A expressiva valorização das commodities no período foi mais um componente importante para a euforia nas operações locais. Após cinco altas seguidas, em que renovou o recorde de pontuação por quatro pregões seguidos, atingindo 61.052,4 pontos quinta-feira, o Ibovespa fechou ontem em baixa de 0,96%, aos 60.465,1 pontos, após oscilar da mínima de 60.086 pontos (-1,58%) à máxima de 61.054 pontos (estável). O volume financeiro somou R$ 5,667 bilhões.
Descolamento
Ontem os agentes financeiros optaram por realizar lucros. As quedas nas bolsas norte-americanas serviram como argumento, mas a proporção diferente das perdas em Wall Street e na Bolsa paulista reforçou o descolamento entre os dois mercados em setembro. Os pregões em Nova York também apresentaram recuperação após a decisão do Fed, mas bem inferior à melhora verificada na Bovespa. No mês, o Dow Jones acumulou ganho de 4,02% (o melhor setembro desde 1998), o índice S&P 500 aumentou 3,58% e o Nasdaq subiu 4,05%.
Menor cotação
O dólar à vista fechou pelo quarto dia útil consecutivo em queda, de 0,49%, a R$ 1,834 na roda da BM&F e no balcão. Esta é a menor cotação do dólar em 7 anos, desde o fechamento no balcão em 13 de setembro de 2000 a R$ 1,832. Com o resultado de ontem, o pronto acumula ante o real baixas de 1,82% na semana, de -6,57% em setembro e -14,14% em 2007. A moeda também encerra o mês devolvendo toda a pressão registrada em agosto - o patamar mais alto de fechamento foi a R$ 2,095 e R$ 2,092, respectivamente, em 16 de agosto, - por causa do contágio do mercado de crédito pelos problemas no setor imobiliário subprime nos Estados Unidos.
Euro
Apesar de as Bolsas na Europa e nos Estados Unidos terem encerrado o terceiro trimestre fiscal em baixa, o que foi seguido pela Bovespa após quatro recordes consecutivos de pontuação, o dólar à vista oscilou entre a estabilidade e queda de até 0,71%, a R$ 1,830 durante o dia. O pronto foi influenciado pela queda externa do dólar ante o euro e, especialmente, pelo interesse dos investidores ''vendidos'' no mercado futuro em enfraquecer a ptax de fim de mês, formada ontem, com o objetivo de maximizar ganhos.
Fraco
O BC informou que a ptax de venda de ontem caiu 0,11%, a R$ 1,8389. A taxa servirá na segunda-feira para a liquidação do dólar outubro na BM&F e também para os ajustes do vencimento de US$ 2,194 bilhões em contratos de swap cambial reverso rolados integralmente pelo BC na terça-feira. No mercado de moedas, o euro bateu recorde ante o dólar em US$ 1,4280 e subiu 0,66% a US$ 1,4261. O dólar também caiu ante a moeda japonesa, cotado a 114,82 ienes, em baixa de 0,34%. O enfraquecimento do dólar foi razão apontada por alguns analistas para a disparada do petróleo pela manhã.
Saldo positivo
As principais bolsas européias fecharam o último pregão do trimestre em queda, embora o saldo do período tenha sido positivo para a maior parte delas. As perdas da sessão de ontem foram provocadas por considerações de que o crescimento na zona do euro pode perder ritmo e comprometer o lucro das empresas, informou a Dow Jones. Na próxima semana, os destaques da agenda européia serão as reuniões de política monetária do Banco Central Europeu (BCE) e do Banco da Inglaterra (BoE), que anunciarão na quinta-feira suas decisões.
Expectativa
A expectativa do mercado é de que a taxa de refinanciamento do BCE seja mantida inalterada em 4,00%. Para a decisão do BoE, a expectativa do mercado é de que a taxa repo seja mantida inalterada em 5,75%. Antes disso, já na segunda-feira o mercado ficará atento à participação às 14h30, na London School of Economics, do ex-presidente do Fed, Alan Greenspan, em debate sobre as perspectivas da economia global com Sir Howard Davies, diretor da LSE.





