Recorde dos recordes
A Bovespa deixou no intraday a marca de 60 mil pontos e foi além no fechamento, encerrando na máxima em 61.052,4 pontos (+2,24%), recorde dos recordes para a Bolsa paulista. Foi o quarto seguido em cinco sessões consecutivas de alta, graças ao forte fluxo de investimentos externos e dos ganhos expressivos dos papéis da Vale do Rio Doce, principalmente. Foi o quarto recorde seguido em cinco sessões consecutivas de alta. A marca dos 60 mil foi batida com apenas quatro minutos de pregão e mantida na maior parte da jornada.

Volume
Desse modo, o Ibovespa terminou o dia com alta de 2,24%, aos 61.052,4 pontos - superando tanto o recorde para o fechamento (59.714,8 pontos) como a máxima histórica intraday (59.825 pontos), ambos registrados quarta-feira. O volume financeiro alcançou R$ 6,187 bilhões - acima da média verificada no mês de setembro até o dia 26 e no ano. O volume financeiro de ontem foi o maior desde o dia 17 de agosto deste ano, quando o giro atingiu R$ 6,629 bilhões. No mês, o Ibovespa acumula ganho de 11,74%, totalizando aumento de 37,28% no ano.

Indicadores
O indicador Dow Jones aumentou 0,25%, para 13.912,9 pontos. E o eletrônico Nasdaq Composite avançou 0,39%, aos 2.709,59 pontos. Em Wall Street, os investidores contrabalançaram o número um tanto animador de pedidos de auxílio-desemprego com o fraco dado de vendas de imóveis residenciais novos. As vendas de imóveis residenciais novos caíram 8,3% em agosto, de uma expectativa de queda de 4,6% dos analistas. Por outro lado, o número de pedidos de auxílio-desemprego feitos na semana que terminou em 22 de setembro caiu 15 mil, de uma expectativa de alta de 5 mil pedidos dos analistas.

Inflação
O relatório trimestral de inflação do Banco Central não trouxe pistas sobre o próximo passo do Copom, a inflação corrente é vista como uma pedra no sapato e a TJLP foi mantida em 6,25% ao ano. Mesmo assim, a avaliação é a de que há espaço para a taxa básica cair no futuro e os prêmios ainda são atrativos. Estes foram os argumentos dos operadores do mercado ontem para o comportamento dos contratos de DI, que mostraram elevação nos vencimentos mais curtos e queda, nos mais longos.

Projeções
O relatório trimestral de inflação, divulgado pelo Banco Central, também pouco esclareceu a respeito da condução da política monetária de curto prazo. Se as projeções maiores da autoridade monetária para os índices de 2007 e 2008 vieram ''menos piores'' do que o previsto, o documento estava recheado de ressalvas a respeito da defasagem do impacto da política monetária sobre a economia real e do temor em relação aos efeitos da demanda doméstica maior. O BC projeta IPCA de 4,00% para 2007 e de 4,20% para 2008, no cenário de referência, e de 3,9% para 2007 e 4,3% em 2008, no cenário de mercado.

Mínima
O dólar se sustentou abaixo de R$ 1,85 e recuou mais um pouco ontem. No balcão, a moeda caiu 0,22%, para R$ 1,843, mas na mínima chegou a R$ 1,838, a menor cotação desde setembro de 2000. Na máxima, atingiu R$ 1,845. O preço de fechamento da moeda no balcão continua sendo o mais baixo desde 23 de julho de 2007, quando encerrou em R$ 1,842. O dólar também encerrou em R$ 1,843 na BM&F, com queda de 0,16%, com mínima de R$ 1,837 e máxima de R$ 1,844. O giro à vista foi de US$ 2,856 bilhões, sendo US$ 2,370 bilhões em D+2, segundo fontes.

Mercado futuro
A movimentação em torno da formação da ptax que será utilizada hoje na liquidação do vencimento do dólar para outubro, a expectativa de reforço de fluxo externo e a ausência do Banco Central no mercado com leilões de compra continuaram a estimular a venda da moeda americana. O vencimento de dólar futuro tem exercido grande influência na manutenção da cotação abaixo de R$ 1,85, já que os vendidos têm interesse em puxar para baixo a taxa à vista para a liquidação dos contratos hoje na BM&F.

Potencial
E os operadores afirmam que o fato de o Banco Central ainda não ter vindo a mercado com compra de dólares facilita esse movimento, já que a autoridade monetária parece ser o único potencial comprador nesse mercado. Com isso, pipocam aqui e ali as especulações sobre ''se'' e ''quando'' o BC fará leilão. Alguns profissionais acreditam que o BC poderá voltar a adquirir moeda se houver algum desequilíbrio de fluxo, o que parece não ser o caso por enquanto. Outros afirmam que, passado o vencimento futuro, o BC pode retomar os leilões e evitar que as cotações caiam mais ainda, mesmo se não houver excesso de liquidez.

Pressão
Também há uma terceira corrente, segundo a qual o BC deverá manter-se longe do mercado. Afinal, a queda do dólar contribui para segurar os preços no atual cenário de pressão inflacionária. ''O BC está preocupado com a inflação e tem o dólar como aliado agora'', diz um operador. De fato, no Relatório Trimestral de Inflação divulgado ontem o BC afirma que o balanço de riscos para a trajetória da inflação tornou-se menos favorável, por conta do aquecimento da demanda interna e pelas dúvidas em relação aos desdobramentos das turbulências externas.

Perdeu
Nas moedas, o dólar perdeu mais terreno ante o euro, que era cotado em US$ 1,4156, de US$ 1,4138 quarta. No início da noite, o dólar era cotado em 115,59 ienes, de 115,21 quarta. Na agenda de hoje, há eventos capazes de mexer com o humor em Nova York e, consequentemente, pesar sobre o ambiente doméstico. O destaque é o índice de preços de gastos com consumo em agosto e seu núcleo, que será importante para balizar as apostas para a reunião do Federal Reserve em outubro, para qual a aposta, em boa medida, é de nova redução do juro básico.

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