Recorde
A Bovespa bateu o seu terceiro recorde consecutivo ontem, sustentada por um volume de negócios acima da média. A esses níveis, profissionais de mercado apontam que fica cada vez mais próxima uma realização de lucros (venda de papéis muito valorizados). O Ibovespa, indicador que acompanha as ações mais negociadas, finalizou o dia em alta de 1,46%, no nível histórico dos 59.715 pontos. O giro financeiro foi de R$ 5,17 bilhões, acima da média do mês.

Influência
Uma boa parte desse fluxo se concentra na ação preferencial da Vale do Rio Doce, que somente ontem movimentou mais de R$ 660 milhões, valorizando 1,76%. Corretores destacam que as Bolsas de Valores, incluindo a Bovespa, continuam sob a influência positiva da redução dos juros básicos nos EUA, promovida pelo Federal Reserve (banco central dos EUA) para tentar evitar uma recessão na maior economia do planeta.

Nova redução
Economistas de bancos e corretoras já começam a formar apostas que o Fed vai voltar a cortar os juros em sua próxima reunião, no final de outubro, provavelmente, em 0,25 ponto percentual. No Brasil, analistas também comentam que o Copom também teria espaço para uma nova redução da taxa Selic, também da ordem de 0,25 ponto. Uma combinação de fatores abriria a nova janela de oportunidade: o recuo do dólar e um melhor desempenho dos indicadores de preços.

Cotação
O dólar comercial foi negociado a R$ 1,848 para venda, com declínio de 0,69%, nas últimas operações de ontem. Trata-se da menor cotação desde o dia 23 de julho. Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi cotado a R$ 1,970 (venda), com retração de 0,50%. Profissionais de mercado têm destacado que a proximidade do final de mês têm acentuado o que se costuma chamar de ''disputa pela Ptax''. A Ptax é a taxa média de câmbio, calculada diariamente pelo Banco Central.

Juros futuros
O mercado futuro de juros, que referencia as tesourarias dos bancos, teve ajuste para cima nos principais contratos. No contrato de janeiro de 2008, a taxa projetada ficou estável em 11,02%. No contrato de janeiro de 2009, a taxa projetada avançou de 11,23% para 11,26%. E no contrato de janeiro de 2010, a taxa projetada passou de 11,34% para 11,37%.

Preços
Entre as principais notícias do dia, mais um índice de preços reforçou a idéia de que os alimentos começaram a perder força para pressionar a inflação: o Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da USP desacelerou e teve alta de 0,18%, na terceira quadrissemana deste mês -período de 30 dias encerrado no último dia 22.

Previsão
O banco Goldman Sachs reduziu de 4,6% para 4,5% sua previsão de crescimento do PIB do Brasil neste ano, e de 4,4% para 4,2% em 2008. Essa expectativa, aliada a uma performance também mais fraca do que a prevista na economia mexicana, foram os principais motivos que levaram o banco de investimentos norte-americano reduzir sua estimativa de crescimento da América Latina neste ano de 4,8% para 4,7%, e de 4,3% para 4,1% em 2008.

Turbulência
A equipe de analistas do banco norte-americano informou que essas revisões foram motivadas pela recente turbulência que assolaram os mercados financeiros e seus efeitos sobre a economia global. Mas observaram que o ambiente ''para os preços das commodities é tão positivo, e os fundamentos macroeconômicos da região tão fortes, que a perspectiva para a América Latina não seria significativamente reduzida por um moderado aperto de crédito global e limitada desaceleração na atividade econômica'' nos Estados Unidos em no mundo.

Economia
O aumento dos gastos no final do ano irá reduzir a economia feita pelo governo para o pagamento de juros da dívida. Nos dois meses encerrados em agosto, ela está em 4,12% do PIB. O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, espera que ela caia para cerca de 3,8%. ''É natural que se tenha dispêndios (gastos) mais elevados no final do ano e se crê em uma elevação dos investimentos. É bastante provável que você tenha uma trajetória mais próxima de 4,1% com tendência de queda'', afirmou.

Superávit primário
O governo tem neste ano uma meta de superávit para o ano de R$ 95,89 bilhões -cerca de 3,8% do PIB. No acumulado nos 12 meses encerrados em agosto, a economia está em R$ 101,861 bilhões, o equivalente a 4,12% do PIB. Em julho, estava em 4,35%. Segundo ele, cumprir ou não a meta irá depender do ritmo dos gastos neste final de ano. Em relação aos juros pagos pelo setor público consolidado (União, Estados, municípios e estatais), eles somam R$ 103,889 bilhões entre janeiro e agosto e R$ 153,251 bilhões em 12 meses.

Investimento
O investimento estrangeiro no Brasil cresce em velocidade bastante superior à do IDE global. A projeção da Sobeet (Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica) é de que o investimento global cresça de US$ 1,2 trilhão em 2006 para US$ 1,4 trilhão neste ano, um aumento na casa de 17%. Já o IED no Brasil deve passar de US$ 18,5 bilhões para US$ 34 bilhões, um incremento de 84%. Além de ser um volume recorde, esse aumento acontece sem que nenhuma privatização tenha sido feita.

Expectativa
As bolsas européias fecharam em alta ontem. A divulgação da queda nos pedidos de bens duráveis em agosto nos EUA foi recebido como sinal de que o Federal Reserve (Fed, o BC americano) pode vir a cortar sua taxa de juros mais uma vez neste ano para revigorar a atividade econômica no país. A Bolsa de Londres subiu 0,56%, para 6.433 pontos; a Bolsa de Paris encerrou em alta de 0,87%, fechando com 5.690,77 pontos.

Pechinchas
A Bolsa de Tóquio fechou em alta, estimulada pela procura por pechinchas nos setores de financiamento ao consumidor, bancos e pequenas empresas. Esse movimento superou as baixas de papéis de empresas ligadas a commodities, depois do recuo dos preços do petróleo em Nova York ontem. O índice Nikkei 225 subiu 34,01 pontos, ou 0,2%, e fechou em 16.435,74 pontos.

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