Otimismo
O mercado financeiro encerrou em clima positivo a semana em que o Federal Reserve (Fed, banco central americano) surpreendeu ao baixar os juros nos EUA em 0,50 ponto porcentual. As Bolsas em Wall Street e em São Paulo subiram ontem e acumularam firmes ganhos desde terça-feira quando ocorreu a reunião de política monetária norte-americana. O dólar à vista retomou a queda nesta sexta-feira, estimulado ainda pelo acentuado enfraquecimento do dólar no mercado de moedas em meio à perspectiva de um novo corte pelo Fed em outubro.

Estímulo
Notícias positivas domésticas, especialmente o IPCA-15 de setembro, e o cenário externo tranquilo deram novo estímulo à queda dos juros futuros. Na BM&F, o contrato com vencimento em janeiro de 2009, o mais negociado, fechou em 11,23%, de 11,32% quinta-feira. O DI janeiro de 2010 recuou de 11,44% para 11,36%. Bastante aguardado pelo mercado, o IPCA-15 de setembro, de 0,29%, ficou abaixo do piso das estimativas dos analistas, que estavam entre 0,30% e 0,45%.

Dúvidas
Apesar de benigno, o conjunto de dados relativos ao IPCA-15 não foi suficiente para sanar as dúvidas sobre os próximos passos da política monetária e o mercado segue dividido nas apostas para a reunião de outubro, com a viva lembrança do tom severo da ata do Copom sugerindo que está próximo o momento de pausa na flexibilização dos juros. Este também deverá ser o perfil do relatório de inflação que o Banco Central divulga na próxima semana e que deverá mobilizar as atenções do mercado.

Destaques
Além do IPCA-15, o noticiário interno teve outros bons destaques como o superávit da conta corrente em agosto, de US$ 1,354 bilhão, acima da mediana das projeções, de US$ 750 milhões, e a queda de 20,4% no déficit da Previdência em agosto, para R$ 2,586 bilhões. Foi a maior redução mensal já verificada nas contas da Previdência desde os anos 90 e ocorreu, em boa parte, por causa da arrecadação recorde de R$ 11,684 bilhões no mês passado.

Retomada
Após o leve ajuste de quinta-feira, a Bovespa recuperou a trajetória positiva ontem. O pregão brasileiro acompanhou a retomada do rumo ascendente das Bolsas norte-americanas. O Ibovespa fechou em alta de 1,57%, aos 57.798,8 pontos, após oscilar da mínima de 56.919 pontos (+0,02%) à máxima de 57.899 pontos (1,74%). O volume financeiro somou R$ 4,314 bilhões. Na semana, o indicador acumulou valorização de 5,72%, contabilizando elevação de 5,79% no mês e acréscimo de 29,96% no ano.

Positivo
Em uma sessão vazia de indicadores econômicos nos Estados Unidos, o noticiário corporativo determinou a direção dos negócios em Wall Street. E a tônica foi positiva. A sessão foi marcada pelo vencimento quádruplo de contratos futuros e de opções, que elevou o volume dos negócios. O indicador Dow Jones registrou alta de 0,39%, aos 13.820,2 pontos. O índice S&P 500 ganhou 0,46%, aos 1.525,75 pontos. E o eletrônico Nasdaq avançou 0,64%, aos 2.671,22 pontos.

Queda
O dólar à vista retomou a queda ontem. O pronto fechou em baixa de 0,74%, a R$ 1,868 na roda da BM&F e na máxima no balcão. Na semana, o pronto acumulou ante o real baixas de 1,79% e de 1,74%, respectivamente. Em setembro, a perda acumulada pela moeda americana está em 4,84% nos dois ambientes de negócios. O BC informou que fará na segunda-feira pesquisa de demanda para realização de um leilão de swap reverso na terça-feira. O objetivo será a rolagem do vencimento de cerca de US$ 2,19 bilhões em swap reverso no dia 1º de outubro.

Fluxo cambial
Ontem, o forte recuo do pronto refletiu o acentuado enfraquecimento do dólar no mercado de moedas, ainda decorrente do corte de 0,50 ponto das taxas dos Fed Funds (de 4,75%) e de redesconto (5,25%) nos Estados Unidos na terça-feira. Essa redução do juro nos EUA e a perspectiva de um novo corte pelo Fed em outubro também estimulam novas captações externas de empresas brasileiras, o que gera perspectiva de fluxo cambial positivo.

Volatilidade
Quanto ao fluxo cambial em setembro até o dia 19, as compras de dólares no segmento financeiro somaram US$ 12,509 bilhões, enquanto as vendas foram de US$ 15,332 bilhões. Parte significativa dessa saída financeira foi para cobrir prejuízos com a crise no mercado de crédito internacional. Com a volatilidade nos mercados e as mudanças nas regras de câmbio para os bancos, o BC espera até o final do ano uma saída de US$ 11 bilhões de capital de curto prazo.

Projeção
A projeção para o ano é que essa conta registre um fluxo positivo de US$ 38 bilhões, embora até agosto estivesse positiva em R$ 49 bilhões. De todo modo, no mês até o dia 19, o fluxo comercial continuava positivo, com exportações de US$ 7,496 bilhões e importações de US$ 5,717 bilhões, garantindo um saldo positivo nas operações comerciais de US$ 1,779 bilhão.

Alta
Além disso, as Bolsas operaram em alta sustentadas por notícias corporativas favoráveis. Os preços dos Treasuries subiram ontem, com queda dos juros projetados, mas não indicaram busca de proteção e sim oportunidade de negócios depois de uma semana de queda de preços especialmente dos títulos mais longos. O risco Brasil caiu 1 ponto a 171 pontos-base. No mercado de moedas, o euro seguiu em alta ante o dólar. O euro subiu 2,01%, a US$ 1,4092; e o dólar avançava 0,23%, a 115,48 ienes.

Zona do euro
O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet disse ontem que a economia da zona do euro é mais dependente das ligações comerciais com o resto do mundo do que a economia norte-americana, o que poderá diminuir nos próximos meses. ''A zona do euro é mais casada com o resto do mundo'', declarou Trichet, acrescentando que ''a zona do euro é ainda um trabalho em andamento'' e que ''o euro é um sucesso''. O presidente do BCE enfatizou que o euro precisa aumentar sua competitividade, uma vez que uma desvalorização não é possível.

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