Máxima
Após acompanhar durante a manhã de ontem a forte desvalorização externa da moeda norte-americana, o dólar à vista passou a subir no início da tarde e fechou na cotação máxima do dia. O pronto foi pressionado por um movimento de stop loss de compra iniciado no mercado eletrônico da BM&F na hora do almoço, após uma operação de troca de spread (R$/US$) entre US$ 700 milhões e US$ 1 bilhão em Non Delivery Foward por um player estrangeiro feita em Nova York.

Pico
O pronto fechou no pico de R$ 1,882 na roda da BM&F (+0,81%) e no balcão (+0,70%). Nas mínimas, pela manhã, a moeda caiu, respectivamente, a R$ 1,853 (-0,74%) e a R$ 1,854 (-0,80%). O giro total à vista manteve-se em cerca de US$ 2,310 bilhões (US$ 1,6 bilhão em D+2).

Dólar Futuro
No mercado de dólar futuro, à exceção das quedas projetadas pelos contratos de dezembro/07 (-0,56%, a R$ 1,871) e fevereiro/08 (-0,61%, a R$ 1,884), os quatro demais vencimentos negociados apontaram altas. O dólar outubro/07 projetou +0,74%, a R$ 1,883; e o dólar abril/08, +0,74%, a R$ 1,922. O volume financeiro permaneceu em cerca de US$ 16,70 bilhões, com 333.406 contratos transacionados.

Patamar
Convém destacar que o pronto não testava o patamar de R$ 1,85 desde julho, sendo o que o fechamento recente mais baixo do pronto foi de R$ 1,842 na BM&F e Balcão, em 23 de julho. Além disso, havia especulação nas mesas de operação de que se o mercado externo continuasse ajudando, como ocorreu nas duas sessões anteriores por causa da reação positiva ao corte de 0,50 ponto do juro básico dos EUA na terça-feira, poderia haver espaço para a volta dos leilões de compra do Banco Central.

Em queda
No entanto, como as Bolsas em Nova York se firmaram em queda durante à tarde e a Bovespa acabou devolvendo os ganhos iniciais para operar em baixa, o dólar à vista também encontrou suporte nessa piora para avançar ainda mais. Lá fora, no começo do dia, o euro rompeu o patamar psicológico recorde de US$ 1,40 e, durante a sessão, renovou as máximas várias vezes. Na máxima, o euro atingiu US$ 1,4101. No final do dia o euro desacelerou a alta para 0,63%, a US$ 1,4065.

Especulações
Os investidores especularam durante a manhã que o presidente do Fed, Ben Bernanke, poderia sinalizar novos cortes de juro durante o seu depoimento no Comitê de Serviços Financeiros da Câmara. Também circularam comentários de que a Arábia Saudita, que tem sua moeda atrelada ao dólar, poderia estar considerando abandonar a referência, uma vez que quarta-feira, em sua reunião de política monetária, não acompanhou o corte do juro do Fed, como era esperado.

Inflação
Segundo um operador, a expressiva queda da moeda americana ao mesmo tempo em que contribui para reduzir os déficits gêmeos dos EUA, eleva as preocupações com a inflação porque o país é grande importador de produtos em geral e de petróleo e poderá haver aumento dos preços dos importados. Em seu discurso ontem, o presidente do Fed afirmou que vai agir conforme o necessário para lidar com os dados de inflação e crescimento e que o sistema financeiro está em uma ''posição relativamente sólida''.

Inadimplência
Bernanke disse que espera crescimento nas taxas de inadimplência e de execução das hipotecas, mas que os esforços tomados pelo governo para melhorar as condições na oferta de empréstimos vão contribuir para melhorar a situação. Na sessão de perguntas e respostas, Bernanke foi breve em suas respostas e não deixou claro, na avaliação dos analistas, se virá mais um corte de juro nos EUA em outubro.

Emergentes
Diante desse quadro, os investidores também migraram dos Treasuries para outros ativos, entre os quais de mercados emergentes como o Brasil. Com esse deslocamento, os preços dos títulos do Tesouro norte-americano caíram e os juros subiram. Como hoje a agenda de indicadores dos EUA é considerada fraca, mas haverá depoimentos de quatro diretores do Federal Reserve, os investidores assumiram posições defensivas.

Baixa
Após subir 5,38% nos últimos dois pregões, a Bovespa fechou em queda ontem, acompanhando o ajuste de baixa nas Bolsas norte-americanas. A alta nos juros dos treasuries, diante da desvalorização do dólar no ambiente externo, deu suporte para a realização de lucros em Nova York, contaminando as operações brasileiras. O Ibovespa caiu 0,62%, aos 56.906,4 pontos no encerramento, após oscilar da mínima de 56.607 pontos (-1,15%) à máxima de 57.609 pontos (+0,60%). O giro atingiu R$ 4,677 bilhões. No mês, o indicador paulista verifica elevação de 4,15%, acumulando incremento de 27,96% no ano.

Movimento
Segundo o economista-chefe da CM Capital Markets, Tony Volpon, a piora na Bovespa seguiu o movimento dos treasuries, alinhados com o enfraquecimento da moeda norte-americana no exterior. ''A forte queda do dólar nos mercados internacionais levou a uma expressiva elevação nas taxas de juros de longo prazo dos EUA. E o temor dos efeitos dessa alta afetou negativamente as bolsas ao redor do mundo, especialmente a dos países emergentes, que subiram muito nesses últimos dias'', explicou.

Atividade
Em Nova York, o juro do T-Bond 30 anos fechou 4,960%, de 4,820% quarta-feira; e o juro da T-Note 10 anos terminou em 4,690%, de 4,524% na quarta. A divulgação de um índice de atividade industrial mais forte que o esperado do Fed da Filadélfia no início da tarde - com elevação dos índices de preços que compõem o indicador - ampliou os ganhos dos retornos ao investidor dos treasuries.

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