Euforia
A agressiva e unânime decisão do Fomc de cortar em 0,50 pp a taxa dos Fed Funds, para 4,75% ao ano, e baixar também em 0,50 pp a taxa de redesconto, para 5,25%, deixou os investidores eufóricos e detonou um forte movimento de stop loss compra de ações e de venda de dólares. O uso pelo Fed da frase ''a medida de hoje (ontem) visa a ajudar a evitar alguns dos efeitos adversos sobre a economia mais ampla'' sugere que eles esperam que esta ação arrojada seja o suficiente por enquanto, na avaliação de analistas.

Em alta
Outros profissionais avaliam que ainda poderão ocorrer novos cortes de juro nos EUA. As Bolsas em Nova York renovaram as máximas logo após o anúncio e o Dow Jones teve o maior ganho em pontos num único dia (de 335,97 pontos) desde 15 de outubro de 2002. A Bovespa também retomou o patamar de 56 mil pontos abandonado no fim de julho. No mercado de moedas, o dólar se enfraqueceu ainda mais ante o euro, que atingiu recorde histórico ante a moeda americana.

Queda
O dólar à vista derreteu e encerrou no menor preço desde 2 de agosto, a R$ 1,877 no balcão, devolvendo totalmente os ganhos embutidos no auge da crise do subprime nos EUA, que levaram a taxa para R$ 2,092 em 16 de agosto. O surpreendente movimento do Federal Reserve também motivou vendas de títulos do Tesouro norte-americano de 30 anos e 10 anos e compras de títulos de 2 anos. Os juros futuros na BM&F tiveram quedas fortes e os investidores já começaram a especular o impacto dessa decisão do Fed sobre o rumo do juro básico brasileiro.

Acima da média
A Bovespa fechou em forte alta ontem. A decisão do Fed surpreendeu positivamente os investidores ao anunciar uma redução do juro básico norte-americano mais agressivo do que boa parte do mercado aguardava. O Ibovespa terminou o dia com alta de 4,28%, aos 56.666,3 pontos - o maior patamar desde 23 de julho de 2007, quando terminou a 58.036,8 pontos. O volume financeiro totalizou R$ 5,779 bilhões, bem acima da média deste mês, de R$ 4,137 bilhões - até o dia 17. Com o ganho de ontem, o Ibovespa registra avanço de 3,71% no mês de setembro e valorização de 27,42% no ano.

Ganhos
No fechamento, o indicador Dow Jones registrou elevação de 2,51%, aos 13.739,4 pontos. O ganho em pontos, de 335,97 pontos, foi maior desde 15 de outubro de 2002. O índice S&P 500 aumentou 2,92%, aos 1.519,78 pontos. O eletrônico Nasdaq Composite avançou 2,71%, aos 2.651,66 pontos. Além de o corte de 0,50 pp surpreender boa parte do mercado, o tom no comunicado divulgado com a decisão deixou abertas as portas para novas quedas do juro no sentido de sustentar o crescimento econômico dos EUA.

Mínimas
O dólar à vista caiu até as mínimas de R$ 1,873 (menor taxa desde 25/7/07) e, no fechamento, foi cotado a R$ 1,876 (-2,29%) na roda da BM&F e a R$ 1,877 (-2,24%) no balcão. Essas são as menores taxas desde o encerramento no balcão em 2 de agosto (a R$ 1,875). O risco Brasil também despencou e caiu 8,54% (-17 pontos), a 182 pontos-base - menor patamar desde 23 de fevereiro deste ano (de 179 pb). A movimentação das tesourarias no mercado cambial também turbinou o volume negociado. O giro total à vista aumentou 150%, para cerca de US$ 4,965 bilhões, sendo US$ 4,237 bilhões em D+2.

Potencial
Em comunicado, o Fed disse que ''o crescimento econômico foi moderado durante o primeiro semestre do ano, mas que as condições de crédito apertado tem o potencial para intensificar a correção no setor de moradia e restringir o crescimento econômico de forma mais geral. A ação de hoje (ontem) tem como objetivo ajudar a evitar parte dos efeitos adversos sobre a economia mais ampla que deverá, de outra forma, surgir da turbulência nos mercados financeiros e para promover crescimento moderado ao longo do tempo''.

Euro
A decisão de corte no juro foi aprovada por unanimidade pelos membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc). O agressivo movimento do Federal Reserve motivou ainda vendas de títulos do Tesouro norte-americano de 30 anos e 10 anos (cujas taxas de juros subiram) e compras de títulos de 2 anos, cujos preços subiram e os juros recuaram. No mercado de moedas, o dólar se enfraqueceu ainda mais ante o euro, que atingiu recorde histórico ante a moeda americana.

Alegria
O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) fez a alegria do mercado, anunciando o ''pacote completo'' para evitar que a economia americana entre em um processo recessivo. A decisão de reduzir a taxa dos Federal Funds em 0,5 ponto porcentual, para 4,75%, contrariou a aposta majoritária de queda de 0,25 ponto e, ainda por cima, com votação unânime. De quebra, decidiu ainda por novo corte de 0,5 ponto porcentual na taxa de redesconto, para 5,25%, que era cogitado no caso de haver redução do juro em apenas 0,25 ponto. No Brasil, a decisão do Fomc pode favorecer a continuidade de redução da Selic, na opinião de alguns analistas.

Giro
Nos juros futuros, a decisão tirou os investidores do marasmo, catapultando o giro e derrubando as taxas. O DI janeiro de 2010, com quase 400 mil contratos negociados, projetava 11,53% no fechamento, de 11,78% segunda-feira, mas chegou à mínima de 11,47%. O DI janeiro de 2009 terminou em 11,40%, ante 11,58% segunda-feira, tendo atingido no melhor momento, 11,36%.

Especulações
No Brasil, já começaram as especulações sobre os efeitos que a decisão do Fed poderá ter sobre a trajetória da Selic. O economista Luciano Sobral, do Santander, argumenta que os juros menores nos EUA deverão reduzir a pressão sobre o real. ''O câmbio valorizado diminui o preço dos produtos importados e contribui com a inflação'', destacou ele, que espera que o Copom promova mais um corte na Selic.

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