Volatilidade
A volatilidade marcou o dia nas bolsas em meio a notícias negativas sobre o setor de crédito no Reino Unido e resultados mais fracos do que o esperado nas vendas do varejo e na produção industrial em agosto nos Estados Unidos. O clima pessimista foi amenizado pelo resultado preliminar da confiança do consumidor norte-americano em setembro melhor do que o previsto, que amparou a melhora dos mercados de ações em Wall Street e não alterou as expectativas de que os juros dos Fed Funds devem cair na reunião do Fomc nesta terça-feira.

Dúvida
Apenas continua a dúvida sobre o tamanho dessa redução, se de 0,25 ponto porcentual ou de 0,50 ponto. A Bovespa, no entanto, reduziu apenas parcialmente as quedas exibidas no fechamento, porque o recuo de preço do petróleo no mercado internacional deprimiu as ações da Petrobras, que têm forte peso no índice. O dólar no mercado à vista caiu, influenciado pela continuidade da desvalorização externa da moeda americana. Os juros de curto prazo ficaram estáveis, enquanto as taxas longas recuaram.

Sobe-e-desce
A sexta-feira foi marcada por sobe-e-desce na Bovespa, com o pregão brasileiro acompanhando o rumo indefinido verificado nas bolsas norte-americanas. No fechamento, o Ibovespa registrou queda de 0,43%, aos 54.671,0 pontos, após oscilar da mínima de 54.378 pontos (-0,97%) à máxima de 55.465,2 pontos (+1,01%). O volume financeiro alcançou R$ 4,121 bilhões. Na semana, o índice paulista teve alta de 0,19%, atingindo leve valorização de 0,06% no acumulado do mês e ganho de 22,93% no ano.

Positivo
Depois de muitas oscilações, no meio da tarde, os índices em Nova York recuperaram o terreno positivo. O indicador Dow Jones terminou com alta de 0,13%, aos 13.442,5 pontos. O índice S&P 500 encerrou com acréscimo de 0,02%, aos 1.484,25 pontos. O eletrônico Nasdaq Composite subiu 0,04%, aos 2.602,18 pontos.

Demanda
Após subir 4,30% em agosto por causa dos efeitos sobre os mercados da crise no setor imobiliário subprime dos EUA, o dólar à vista devolveu nesta semana pelo menos metade da alta acumulada no mês passado. A expectativa de corte no juro dos Fed Funds nesta terça-feira passou a ser unânime entre especialistas do mercado nos últimos dias, após os fracos indicadores de emprego, vendas no varejo e de produção industrial norte-americano. Por isso, os investidores reduzem a demanda por dólar do mesmo modo que alguns Bancos Centrais estariam trocando suas reservas de valor, com substituição do dólar por outras moedas, como o euro.

Desvalorização
Ontem o dólar no mercado doméstico acompanhou a volatilidade das bolsas e também foi influenciado pela desvalorização externa da moeda americana. O dólar à vista fechou em queda pelo sexto dia útil consecutivo na roda da BM&F, cotado a R$ 1,9020, em baixa de 0,11%. Nessas seis sessões, a moeda acumulou ante o real perda de 2,21%. No balcão, o pronto recuou pelo quarto dia seguido e terminou a R$ 1,901, com perda de 0,16%, que elevou a desvalorização acumulada para 2,31%.

Acumulado
Em setembro, a queda do dólar está em 3,1% nos dois mercado e, no ano, em -10,96% na BM&F e -11,0% no balcão. O giro total movimentado manteve-se em cerca de US$ 2,811 bilhões, sendo cerca de US$ 1,960 bilhão em D+2. No mercado de dólar futuro, à exceção da leve alta de 0,09% a R$ 1,913 projetada pelo dólar novembro/07, os cinco demais vencimentos indicaram quedas. O dólar outubro/07 apontou baixa de 0,08%, a R$ 1,903; e o dólar setembro/08, recuo de 0,34%, a R$ 1,934. O volume negociado somou cerca de US$ 11,24 bilhões.

Varejo
Ontem o Departamento do Comércio dos EUA informou que os dados de vendas no varejo nos EUA em agosto cresceram 0,3%, abaixo da elevação de 0,5% esperada; e ainda, excluindo autos, as vendas cederam 0,4%, contrariando as estimativas de alta de 0,2%. Já a produção industrial dos EUA cresceu em agosto 0,2%, resultado também inferior às projeções de alta de 0,3%. O dado de julho foi revisado em alta, de um ganho de 0,3% anteriormente estimado para um avanço de 0,5%.

Fraco
Em termos anuais, a produção industrial cresceu 1,7% no ano. No mercado de moedas, o dólar se enfraqueceu ante o euro e o iene, após a divulgação desses dados dos EUA. No final da tarde, o euro subiu 0,27%, a US$ 1,3875; e o dólar perdia 2,35% a 115,34 ienes. No mercado de títulos norte-americanos, os preços dos Treasuries seguiram em baixa, com alta de juros.

Monitoramento
No mercado à vista, o fluxo cambial foi aparentemente equilibrado. Ontem o pronto testou novamente o patamar de R$ 1,90 - voltou a recuar abaixo desse nível até as mínimas de R$ 1,8925 (-0,60%) na BM&F e R$ 1,894 (-0,53%) no balcão. As máximas do dia foram: R$ 1,9120 (+0,42%) na BM&F e R$ 1,912 (+0,42%) no balcão. O Banco Central, por enquanto, só está monitorando o comportamento dos mercados. O último leilão de compra realizado foi feito em 13 de agosto.

Juros
Os mercados já entraram em clima de espera pela reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) na próxima semana, o que minguou a liquidez dos ativos domésticos ontem, em que os dados divulgados nos EUA esquentaram as apostas sobre qual será a decisão. No segmento de juros, as taxas começaram o dia ainda em alta, que foi perdendo força. Acabaram fechando em queda nos contratos de médio e longo prazos, já que a ata conservadora do Copom, divulgada quinta-feira, continua exercendo influência sobre os contratos de vencimento mais próximo, que terminaram de lado.

Corte
Ontem após os indicadores, os contratos futuros de Fed Funds passaram a embutir 64% de possibilidade de corte da taxa em 0,5 ponto, ante 56% anteriormente. Os contratos também precificavam 100% de chance de redução em 0,25 ponto. Analistas avaliam que uma redução da atual taxa para 5% pode trazer mau humor ao mercado, enquanto uma eventual manutenção poderá causar grandes estragos.

mockup