Forte alta
A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) encerrou o pregão de ontem com forte alta, com os negócios reagindo ao panorama positivo nas demais Bolsas de Valores. Os investidores estão otimistas com a possibilidade de que o Federal Reserve (banco central dos EUA) reduza as taxas básica de juros na reunião do dia 18, uma medida que é vista como a saída mais rápida para evitar o contágio da economia real com as turbulências financeiras recentes.

Ibovespa
O Ibovespa, principal indicador da Bolsa brasileira, fechou em alta de 2,41%, aos 53.921 pontos. O volume financeiro foi de R$ 4,22 bilhões. O dólar comercial foi negociado a R$ 1,926 para venda, com declínio de 1,02%. O fluxo de dólares tem mantido a tendência predominante de baixa no mercado de câmbio. As reservas internacionais saltaram de US$ 161,59 bilhões no dia 6 para US$ 162,72 bilhões até segunda-feira. A taxa de risco-país marca 210 pontos, número 0,94% inferior à pontuação final de segunda.

Futuro
No mercado de dólar futuro, os cinco vencimentos negociados também indicaram quedas, com um volume movimentado de US$ 9,39 bilhões. O dólar outubro/07 apontou baixa de 1,23%, a R$ 1,927; e o dólar fevereiro/08, recuo de 0,93%, a R$ 1,957.

Apostas
A ausência de notícias externas negativas, sobretudo no discurso do presidente do Federal Reserve (Fed), Ben Bernanke, em Berlim, induziu um movimento de caça às pechinchas nas Bolsas em Wall Street e em São Paulo. O chairman do Fed não detalhou em seu discurso a visão dele sobre a economia ou as taxas de juros nos EUA. Mesmo assim, não deslocou os investidores de suas apostas na flexibilização da política monetária norte-americana na próxima semana.

Neutro
Em meio à ausência de más notícias sobre o mercado de crédito hipotecário, os players elevaram as expectativas em um corte de 0,50 ponto porcentual na taxa dos Fed Funds no dia 18. Em consequência, venderam Treasuries e dólar, que tocou a mínima em sete semanas ante o euro, mas subiu em relação à moeda japonesa. O discurso do presidente da autoridade monetária norte-americana, que poderia causar algum estresse no mercado, teve um impacto neutro, uma vez que Bernanke não falou sobre o rumo da economia ou do juro dos EUA.

Poupança global
Em conferência no banco central da Alemanha, Bernanke falou basicamente sobre o comportamento da poupança global. Foi a última aparição pública do titular do Fed antes do encontro do Fomc na próxima terça-feira. Em Wall Street, a convicção cada vez maior de que o Fed aplicará um corte superior a 0,25 pp no juro norte-americano na próxima semana amparou o clima positivo. O indicador Dow Jones fechou com alta de 1,38%, aos 13.308,4 pontos. O índice S&P 500 avançou 1,36%, aos 1.471,49 pontos, e o eletrônico Nasdaq Composite ganhou 1,50%, aos 2.597,47 pontos.

Impacto
Nos últimos dias, os participantes do mercado voltaram a falar sobre o risco de recessão nos EUA. Como Bernanke não deu indicações sobre os próximos passos do Fed, os analistas brasileiros aguardam os dados de confiança do consumidor e vendas no varejo, que saem na sexta-feira, para avaliar com maior precisão o impacto das turbulências no mercado financeiro sobre a economia. Além disso, esperam poder avaliar qual será a reação do Fed a esse aparente impacto e ainda à deterioração recente no mercado de trabalho local.

Estragos
Como a redução na taxa é dada como certa na reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) da semana que vem, uma eventual manutenção do juro por parte do BC americano pode causar estragos no mercado, sendo que alguns analistas acreditam que até mesmo uma queda de apenas 0,25 ponto pode ser malvista. ''Uma coisa está clara: um corte de 0,25 ponto porcentual na próxima semana vai deixar muita gente insatisfeita'', disse Rob Carnell, economista do banco ING.

Doméstico
Sem indicadores relevantes nos EUA que pudessem mexer com os negócios, tal previsão para o juro deu gás às compras de ações e ampliou a venda de dólares no âmbito doméstico, derrubando a cotação da moeda para R$ 1,925 no balcão, o que sempre acaba favorecendo o recuo dos DIs. As taxas iniciaram hesitantes a parte da tarde, próximas à estabilidade, e demoraram a firmar-se em queda, enquanto a Bovespa acelerava a alta e o dólar, a baixa. Embora os contratos tenham encerrado nas mínimas, o fechamento das taxas não foi expressivo e, ainda, ocorreu em um ambiente de liquidez fraca.

PIB
E a atividade será o destaque da agenda doméstica de hoje, com a divulgação do PIB do segundo trimestre pelo IBGE. O mercado aguarda um número forte para o período, mas se superar as previsões pode esquentar as apostas para o juro em outubro, apesar de o dado ser considerado por muitos como ''retrovisor''. Segundo a pesquisa do AE-Projeções, o intervalo das estimativas está entre alta de 0,60% a 1,90% em relação ao primeiro trimestre, com mediana de 1,20%. Na comparação com o segundo trimestre de 2006, o intervalo das previsões vai de 4,80% a 6,60%, com mediana de 5,90%.

Inflação
Também merecerão atenção os índices de inflação que saem hoje, principalmente o IGP-M na primeira prévia de setembro, que deve ser de 0,40% a 0,91%, com mediana de 0,66%, informou o AE-Projeções. Para o IPC-Fipe na primeira quadrissemana do mês as estimativas vão de 0,08% a 0,17%, com mediana de 0,12%.

China
O fantasma da inflação continua rondando a economia da China. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) subiu 6,5% no período de um ano compreendido entre setembro de 2006 e agosto de 2007. Conforme o Escritório Nacional de Estatísticas, trata-se do mais alto nível observado desde dezembro de 1996, que foi de 7%. Em julho, o aumento do custo de vida dos chineses foi de 5,6%. A inflação acumulada entre janeiro e agosto deste ano atingiu 3,9%, acima do teto de 3% estabelecido pelo Banco Popular da China para o ano inteiro.

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