MERCADO FINANCEIRO
Mínima
O dólar à vista na roda da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) fechou na mínima do dia e em queda de 0,03%, a R$ 1,9445. O fluxo comercial positivo à tarde e a oscilação do Índice Dow Jones da Bolsa de Nova York, entre leves altas e baixas, favoreceram o recuo final do pronto. O avanço do dólar no começo do dia - a máxima foi de R$ 1,967, alta de 1,08% - refletiu ajustes de posições dos investidores à piora do ambiente financeiro internacional na sexta-feira, quando o mercado brasileiro ficou fechado por causa do feriado nacional.
Fluxo cambial
O impacto externo negativo sobre o dólar nas operações domésticas, contudo, foi limitado pela presença de exportadores, após o pronto oscilar em alta desde a abertura. Na verdade, o fluxo cambial este mês segue positivo. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior informou que na primeira semana de setembro houve um superávit de US$ 1,204 bilhão, resultado de exportações no valor de US$ 3,482 bilhões (média diária de US$ 870,5 milhões) e de importações de US$ 2,278 bilhões (média diária de US$ 569,5 milhões).
Debêntures
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, disse ontem que possivelmente serão lançadas mais debêntures (títulos) do BNDESPar no mercado interno, como forma de elevar o funding (financiamento) da instituição. Segundo ele, além de debêntures, podem ser lançados outros instrumentos de dívida para financiar o banco. Coutinho afirmou também que o Banco Europeu de Investimento já ofereceu ao BNDES uma linha de crédito de 400 milhões de euros e que uma equipe do banco virá ao Brasil nas próximas semanas para finalizar a oferta.
Funding
Coutinho disse que a necessidade de elevar o funding do BNDES nos próximos dois ou três anos tem levado a instituição a manter entendimentos com o BID e o Bird (Banco Mundial). No entanto, ele ressaltou que o BNDES é um banco com contas ''extremamente sólidas, com rating (risco) de alta qualidade e que a obtenção do investment grade (grau de investimento) para o Brasil vai ajudar ainda mais o BNDES a conseguir recursos no exterior''. Segundo estimativa do banco, a relação entre investimento e Produto Interno Bruto (PIB) no Brasil deve chegar a 21% em 2009, ante 17,6% em 2007.
Turbulência
O Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) alerta que a turbulência nos mercados financeiros pode afetar a economia real dos Estados Unidos, um sinal que teria repercussões em todos os mercados. Em reunião com os principais BCs do mundo na Suíça, o presidente do Fed, Ben Bernanke, deu seu recado, gerando apelos por uma vigilância total por parte das autoridades monetárias. O presidente do BC brasileiro, Henrique Meirelles, confirmou que ninguém estaria imune a uma crise nos Estados Unidos, ainda que não considere que esse seja o cenário mais provável.
Tuberculose
Durante o encontro, os bancos centrais prometeram ações conjuntas entre os BCs, garantiram que a economia mundial está saudável e apontaram que o que ocorre é uma correção dos valores dos riscos. Mas na mente de todos, a conclusão foi de que uma tosse na economia americana geraria uma gripe e talvez até mesmo uma tuberculose em outros mercados. Segundo Meirelles, o cenário mundial debatido nos últimos dias foi de desaceleração nos Estados Unidos, mas manutenção de um forte crescimento na Ásia e América Latina.
Riscos
O resultado do encontro, segundo Meirelles, foi de que os BCs precisam se manter vigilantes, particularmente os Estados Unidos. O objetivo seria monitorar os riscos de que os problemas de crédito do subprime não afetem outras estruturas financeiras. ''Se essas estruturas sofrerem, o impacto seria maior no processo de intermediação financeira dos EUA. O resultado levaria a um efeito mais sério na economia norte-americana que, evidentemente, teria consequências para todo o mundo'', afirmou.
Bolsas caem
As bolsas européias fecharam em baixa ontem, com a cautela dos investidores, que venderam papéis enquanto aguardam a reunião do Federal Reserve (Fed, o BC americano), programada para o próximo dia 18. A Bolsa de Londres fechou em baixa de 0,92%, com 6.134,10 pontos; a Bolsa de Paris encerrou o dia em queda de 0,80%, com 5.386,43 pontos; a Bolsa de Frankfurt perdeu 0,82%, indo para 7.375,44 pontos; a Bolsa de Milão caiu 0,45%, para 30.058 pontos; a Bolsa de Amsterdã caiu 0,88%, para 512,90 pontos; e a Bolsa de Madri fechou em baixa de 1,03%, com 1.518,21 pontos.
Corte
A previsão dos investidores é de que o Fed irá cortar sua taxa de juros, atualmente em 5,25% ao ano, em 0,25 ou 0,5 ponto percentual. A expectativa aumentou após a divulgação de um encolhimento de 4 mil postos de trabalho nos EUA em agosto - primeiro resultado negativo desde 2003. Com o fraco indicador de empregos, aumentou a preocupação com a saúde da economia americana. A redução de juros é esperada nos EUA como forma de tentar estimular o consumo e os investimentos em produção, para evitar um desaquecimento muito acentuado.
Limitação
O presidente da França, Nicolas Sarkozy, e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, entraram em acordo ontem para limitar a influência dos fundos especulativos. Sarkozy insistiu na luta contra os ''predadores'', e a chanceler alemã, na necessidade de ''transparência'' nos mercados financeiros. Os dois líderes se reuniram na Alemanha para uma cúpula informal, a terceira do gênero desde a posse de Sarkozy, em maio.
Recuperação
Ganhos nos setores ferroviário e de mineração de ouro ajudaram as Bolsas da China a se recuperarem fortemente, após os declínios no início dos pregões. O Xangai Composto subiu 1,5% e fechou em 5.355,29 pontos - durante a manhã, chegou a cair para 5.169,90 pontos. O Shenzhen Composto também ganhou 1,5% e encerrou em 1.479,12 pontos. A forte baixa do dólar nos mercados internacionais elevou o yuan a seu mais alto nível em relação à moeda norte-americana desde a revalorização da unidade chinesa há dois anos.





