MERCADO FINANCEIRO
Superando expectativas
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) superou as expectativas iniciais e encerrou agosto no azul, com variação mensal de 0,82%. Nos 22 pregões deste mês, a Bolsa brasileira fechou positiva em 15. O Ibovespa, principal índice da Bolsa, encerrou o dia em forte alta de 3,37%, aos 54.637 pontos. Na ''sexta-feira gorda'', das 60 ações que compõem esse indicador, 59 tiveram valorização. O volume financeiro foi alto, com giro de R$ 6,04 bilhões.
O tom
O governo americano deu o tom dos negócios no último pregão do mês. De um lado, o presidente do Federal Reserve (o banco central dos EUA), Ben Bernanke, sinalizou que continuaria a injetar recursos no sistema financeiro quando necessário. Somente nesta semana, a autoridade monetária liberou US$ 152 bilhões em recursos para os bancos.
Bush
Mais tarde, o presidente George W. Bush divulgou medidas para ajudar as famílias às voltas com hipotecas atrasadas. Os problemas do mercado de crédito imobiliário americana ocupam lugar central na crise financeira que arrastou as Bolsas de Valores nas últimas semanas. ''O Bernanke e o Bush ajudaram as Bolsas lá fora e por aqui, com nossos fundamentos (econômicos), o mercado acelerou os ganhos'', afirma João Carlos Lanza, diretor da área de ações da corretora Mundinvest.
Câmbio
O dólar comercial foi negociado a R$ 1,964 para venda, com retração de 0,50%, nos últimos negócios de ontem. No mês, a taxa cambial subiu 4,30%. A taxa de risco-país marca 200 pontos, um recuo de 1% sobre a pontuação final de quinta-feira.
Variação
A consultoria Economática calculou que, em agosto, a taxa cambial teve a quarta maior variação mensal no período do governo Lula. Tendo como referência a taxa Ptax, a taxa média calculada pelo Banco Central, a consultoria calculou uma variação de 5,3% neste mês. Essa valorização da moeda americana somente é menor que as variações registradas nos meses de maio de 2006 (10,11%), dezembro de 2005 (6,05%) e maio de 2004 (6,26%).
Comparações
A consultoria também comparou a oscilação da taxa cambial no mercado brasileiro com os negócios nas demais economias do continente. Na Colômbia, o preço da moeda americana valorizou 9,6%; na Argentina, teve alta de somente 0,9%, e no Peru, houve um decréscimo de 0,8%
Ausente
O Banco Central encerrou o mês de agosto sem intervir com os habituais leilões de compra de moeda, realizados diariamente nos últimos meses. A autoridade monetária ''saiu'' do mercado no último dia 14, quando a taxa cambial atingiu R$ 1,985, quando a moeda americana tomava ''impulso'' para se aproximar dos R$ 2.
Razões
Analistas apontam pelo menos duas razões para a abstenção do BC: o nível das reservas internacionais (US$ 160 bilhões), considerado suficiente para acalmar os investidores; o período de turbulência financeira, de modo a não adicionar mais um elemento de instabilidade nos negócios.
Juros futuros
O mercado futuro de juros encerrou o mês em declínio. O contrato para janeiro de 2008 foi a exceção, mantendo a projeção dos juros em 11,17%. No contrato de janeiro de 2009 a taxa projetada retraiu de 11,62% para 11,55%. No contrato de janeiro de 2010, a taxa negociada passou de 11,90% para 11,82%.
Carteira teórica
A Bovespa divulgou a terceira prévia da nova composição do índice Ibovespa, que começa a vigorar hoje e tem validade até o final do ano. A chamada ''carteira teórica'' do índice, que acompanha os preços das ações mais negociadas, aumenta de 60 para 63 os papéis.
Novos integrantes
Também confirma a entrada das ações ordinárias da Gafisa e das preferenciais de Lojas Americanas e Duratex. O indicador Ibovespa é a referência para o cálculo da rentabilidade de boa parte dos fundos de investimento de renda variável.
Influência
A nova composição do Ibovespa aumenta a influência das ações preferencias da Companhia Vale do Rio Doce: o peso desses papéis no cálculo do indicador aumentou de 9,787% para 10,419%. Os outro quatro papéis mais negociados da Bolsa - Petrobras PN, Bradesco PN, Usiminas PNA e Itaubanco PN - perderam peso na composição do indicador. A carteira teórica do índice é renovada a cada quatro meses, com a inclusão e/ou exclusão de papéis negociados, conforme a representatividade no pregão.
Petróleo
Os preços do petróleo alcançaram os US$ 74 o barril ontem no mercado nova-iorquino, depois de um discurso do presidente do Fed, Ben Bernanke, que ajudou a diminuir os temores sobre um contágio da crise do crédito de risco ao restante da economia. Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril de ''light sweet crude'' para entrega em outubro subiu 68 centavos, encerrando o dia a US$ 74,04. Ao longo da semana, a cotação subiu quase US$ 3. A Nymex ficará fechada na segunda-feira por causa do Dia do Trabalho nos Estados Unidos.
Com agências





