MERCADO FINANCEIRO
Investidor inseguro
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) despencou no fechamento de ontem, após emendar sete pregões consecutivos com valorização dos preços das ações. O investidor permanece inseguro sobre os desdobramentos da crise do setor imobiliário americano. E ontem, a ata do Federal Reserve (banco central dos EUA) contribuiu para aumentar o pessimismo do mercado.
Bovespa
O Ibovespa, principal índice da Bovespa, encerrou o dia em baixa de 2,70%, aos 51.645 pontos. O volume financeiro foi de R$ 3,61 bilhões. O dólar comercial foi negociado a R$ 2,002 para venda, com acréscimo de 2,61%. A taxa de risco-país, medida pelo indicador Embi+ (JP Morgan), marca 210 pontos, um avanço de 5% sobre a pontuação final de ontem.
Notícias ruins
Pela manhã, o humor dos investidores foi azedado por duas notícias negativas: o indicador de confiança do consumidor dos EUA caiu para o seu menor nível desde 2005; o preço médio dos imóveis tiveram queda recorde no segundo trimestre.
Sinais
O indicador de confiança sinaliza propensão a consumidor do cidadão americano. Se ele está mais pessimista quanto à economia, analistas interpretam como um indício de que está menos disposto a consumir nos próximos meses.
Ata do Fed
À tarde, investidores e analistas se debruçaram sobre a ata do Fed relativa a sua reunião do dia 7, quando manteve a taxa básica de juros dos EUA em 5,25%. Na ata, o presidente do Fed, Ben Bernanke, e os diretores do banco disseram esperar uma volta às condições normais do mercado mas reconheceram que isso pode levar algum tempo, principalmente nos mercados ligados às hipotecas de risco.
Avaliação
O colegiado (do Fed) reiterou na Ata que permanece a preocupação quanto ao desempenho da taxa de inflação contemporânea e prospectiva, avaliou a consultoria Austin Rating, em relatório sobre a ata. Para a equipe de analistas, o colegiado também reforçou a perspectiva de que pode cortar os juros básicos em sua próxima reunião.
Mais alguns dias
A expectativa é que a volatilidade nos mercados financeiros deva permanecer por mais alguns dias, talvez ao menos até a reunião do Fomc no dia 18, pois assim os investidores terão melhores condições de estruturar suas estratégias futuras, acrescenta a consultoria.
Fundos globais
Analistas também continuam preocupados com a extensão, ainda desconhecida, das perdas dos fundos de investimentos globais (os hedge funds), que aplicaram recursos nos problemáticos créditos subprimes (de alto risco).
No centro
No mundo da globalização financeira, créditos gerados em operações hipotecárias nos EUA são convertidos em ativos financeiros que rendem juros para investidores na Europa. São justamente esses créditos que estão no centro das turbulências recentes dos mercados.
Juros futuros
O mercado futuro de juros também mostrou taxas maiores ontem, com exceção do contrato para janeiro de 2008, que projetou juro de 11,19%, contra 11,20% segunda. No contrato de janeiro de 2009 a taxa projetada subiu de 11,59% para 11,69%. No contrato de janeiro de 2010, a taxa negociada avançou de 11,84% para 12%.
Européias
As bolsas européias fecharam em queda, com as perdas nas ações do setor bancário, puxadas pelos papéis do britânico Barclays, devido ao temor de exposição a investimentos ligados às hipotecas de risco nos EUA. As perdas em Nova Iorque também afetaram os negócios na Europa. A Bolsa de Londres fechou em queda de 1,90%, a Bolsa de Paris encerrou o dia em baixa de 2,08%, a Bolsa de Frankfurt perdeu 0,74%; a Bolsa de Milão fechou em baixa de 1,71% e a Bolsa de Madri fechou em baixa de 1,18%.
Wall Street
As Bolsas americanas fecharam em forte baixa, com os investidores temendo o impacto da crise do crédito imobiliário de risco (subprime). O Dow Jones caiu 2,1%, para 13.042,25 pontos. O Nasdaq recuou 2,37%, para 2.500,64 unidades.
Petróleo
Os preços do petróleo encerraram em leve queda nesta terça-feira, num mercado ainda preocupado com as repercussões da crise dos empréstimos hipotecários de risco (subprime), além de a temporada de forte consumo de gasolina estar terminando nos EUA. No New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril de light sweet para entrega em outubro perdeu 24 centavos, fechando a US$ 71,73. No Intercontinental Exchange de Londres, o barril de Brent do Mar do Norte para entrega em outubro caiu 40 centavos, terminando a US$ 70,55.
(Com agências)





