Avaliação positiva
Os principais ativos brasileiros tiveram a melhor semana desde que a atual turbulência nos mercados começou, há um mês. Entre segunda-feira e ontem, o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) disparou 9,14%, maior alta semanal desde outubro de 2002. O dólar caiu 4,1% e o risco Brasil recuou 4,3%, para 199 pontos.

Números
Ontem, o Ibovespa, principal índice da Bolsa, subiu 2,22% no fechamento, aos 52.998 pontos. O volume financeiro foi de R$ 4,27 bilhões. O dólar comercial fechou a R$ 1,944 para venda, em baixa de 2,36%. A taxa de risco-país, medida pelo indicador Embi+, marcou os 195 pontos, com decréscimo de 3,46% sobre a pontuação final de quinta.

Sinais
Se a melhora é evidente, o mesmo não se pode dizer sobre o fim da crise. ''É óbvio que ninguém se arriscará a dizer que acabou, mas tivemos sinais encorajadores'', afirmou Luciano Sobral, economista do banco Santander. ''As bolsas subiram, os juros caíram e a aversão ao risco diminuiu.''

Fatores
Os analistas atribuem o desempenho positivo a três fatores. O primeiro é a decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de reduzir, na sexta passada, a taxa de juros dos empréstimos aos bancos, modalidade conhecida como redesconto.

Bilhões de US$
O segundo fator foi a injeção de US$ 2 bilhões que o Bank of America fez na Countrywide, maior empresa de crédito imobiliário dos EUA. Por fim, como definiu Newton Rosa, economista-chefe da Sul América Investimentos, ''não houve notícias ruins''. ''As operações nos sistemas financeiros dos EUA, da Europa e do Japão voltaram ao normal'', exemplificou.

Vendas
E ontem, especificamente, dois indicadores da economia americana animaram os investidores. As vendas de bens duráveis cresceram 5,9% em julho, ante uma previsão de alta de 1%. As vendas de imóveis novos avançaram 2,8% no mesmo mês, enquanto os analistas esperavam um recuo de 1,4%.

Longe
Apesar da melhora, os ativos brasileiros estão longe dos níveis que exibiam em 25 de julho, data que antecedeu o início do vaivém. Naquele dia, o Ibovespa fechou em 56.001 pontos, ante 52.997 pontos ontem. O dólar estava em R$ 1,867 (encerrou esta semana em R$ 1,942) e o risco Brasil estava em 183 pontos.

Wall Street
Nos EUA, a semana também terminou no azul, mas com uma exuberância menor. O Índice Dow Jones subiu 2,29% entre segunda-feira e ontem. A Nasdaq avançou 2,86%. A principal razão para a diferença na comparação com o Brasil é que os mercados americanos sofreram menos do que os brasileiros no pior momento da crise.

Próximos passos
Rosa e Sobral acreditam que duas questões nortearão os próximos passos nos mercados. A primeira é a saúde da economia dos EUA, que poderá ser avaliada com base nos indicadores do país. ''O objetivo é saber se a turbulência abalou a atividade'', disse Sobral. A segunda diz respeito à eventual divulgação de informações negativas relacionadas ao setor financeiro, em decorrência da crise imobiliária dos EUA.

Nova onda?
Analistas de corretoras e bancos ainda não ratificam o clima de ''o pior já passou''. Por enquanto, não se descarta uma onda de nervosismo - com o habitual pânico de mercado - se surgirem notícias muito negativas sobre a economia americana. ''O mercado está trabalhando índice a índice'', acrescenta Cristiano Lima, operador da corretora Arkhe.

Juros futuros
O mercado futuro de juros também cedeu com força ontem. O contrato para janeiro de 2008 projetou juro de 11,22%, contra 11,28% na quinta-feira. No contrato de janeiro de 2009 a taxa projetada caiu de 11,77% para 11,63%. No contrato de janeiro de 2010, a taxa negociada retraiu de 12,03% para 11,85%.

Petróleo
Os preços do petróleo passaram dos US$ 70 o barril nesta sexta-feira, após a publicação de indicadores econômicos americanos que tranquilizaram os investidores sobre o vigor da demanda de petróleo. No New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril de ''light sweet'' para entrega em outubro ganhou 1,26 dólar e fechou a US$ 71,09.

Com agências

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