MERCADO FINANCEIRO
Nova injeção
O Federal Reserve (Fed, o BC americano) fez ontem uma injeção de US$ 2 bilhões em recursos para o sistema bancário dos Estados Unidos, na tentativa de evitar uma crise de liquidez (oferta de dinheiro). Com a liberação de recursos de ontem, as intervenções do Fed no mercado já chegam a pouco mais de US$ 103 bilhões, desde o último dia 9, quando teve início a atual turbulência no mercado.
Retrospecto
No dia 9, o banco francês BNP Paribas congelou os resgates em três fundos, alegando que os investimentos desses fundos estavam expostos ao mercado de hipotecas de risco (''subprime'') dos EUA, que vem registrando altos níveis de inadimplência.
Sem efeito
As liberações de recursos do Fed, no entanto, ainda não surtiram efeito significativo sobre o mercado financeiro; a expectativa dos analistas é que o banco corte a taxa de juros dos fundos federais - a principal da política monetária americana, atualmente em 5,25% ao ano.
Redesconto
Na semana passada, o Fed reduziu sua taxa de redesconto (utilizada para socorrer instituições com dificuldades financeiras de curto prazo), o que favoreceu os índices na sexta-feira (17).
Expectativas
Desde então, o mercado vem recuperando terreno e ontem aumentaram as expectativas de que o Fed venha a mexer na taxa dos fundos federais: o senador Christopher Dodd disse ter ouvido do presidente do Fed, Ben Bernanke, que o banco usará ''todas as ferramentas disponíveis'' para evitar que a crise financeira afete a economia como um todo.
Câmbio
Por aqui, o dólar comercial fechou negociado a R$ 2,013 para venda, nas últimas operações de ontem, com decréscimo de 1,17% sobre a cotação de terça. No final do dia, a Bovespa subia 2,96%. Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi cotado a R$ 2,150, um recuo de 0,46% sobre o preço anterior. O Banco Central ainda não retomou seu leilão de compra de moeda, realizado diariamente nos últimos meses.
Fator tranquilidade
Operadores das mesas de câmbio apontaram a relativa tranquilidade nas Bolsas de Valores como o fator que derrubou a cotação. Os investidores estrangeiros, que saíram bruscamente dos mercados brasileiros durante o ''furacão'' da crise global, estão, aos poucos, retornando parte do capital.
Confiança
''O mercado está um pouco mais confiante a respeito da crise dos 'subprimes' americanos, que deu uma pausa. As captações começaram a voltar. Nas Bolsas, por enquanto, as grandes saídas [de recursos] tiveram uma parada'', afirma Mauro Araújo, diretor da corretora de câmbio Vision.
Saída
Investidores e analistas defendem o corte dos juros básicos nos EUA como uma ''saída'' para apressar o fim da crise financeira global, com ''epicentro'' na maior economia do planeta.
Juros futuros
O mercado futuro de juros acompanhou a baixa do câmbio. O contrato para janeiro de 2008 projetou juro de 11,26%, contra 11,28% terça. No contrato de janeiro de 2009 a taxa projetada retraiu de 11,90% para 11,74%. E no contrato de janeiro de 2010 a taxa negociada recuou de 12,22% para 12,08%.
Wall Street
A Bolsa de Nova York fechou em alta ontem, sustentada por notícias tranquilizadoras sobre fusões e aquisições de empresas: o índice Dow Jones ganhou 1,11% e o Nasdaq subiu 1,25%.
Petróleo
Os preços do petróleo registraram leve queda em Nova York, num mercado desorientado por um surpreendente aumento das reservas americanas e uma queda dos estoques de gasolina. No New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril de ''light sweet'' para entrega em outubro (novo contrato de referência) caiu 31 centavos, fechando a US$ 69,26, depois de cair até US$ 68,63, seu nível mais baixo desde 28 de junho.
Com agências





