MERCADO FINANCEIRO
Sem más notícias
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) acumulou ontem seu terceiro dia de recuperação, com a busca de ações baratas após o furacão financeiro das semanas anteriores. A relativa ausência de más notícias (quebradeira de empresas americanas) por conta dos problemas no mercado de crédito imobiliário americano permite um retorno, cauteloso, dos investidores às compras.
Bovespa
O Ibovespa, principal indicador da Bolsa brasileira, encerrou a terça-feira em alta de 1,24%, aos 49.815 pontos. O volume financeiro foi de R$ 3,93 bilhões.
Câmbio
Os negócios do câmbio descolaram ontem da Bovespa, fugindo da simetria habitual entre os dois mercados - quando um cai, o outro sobe. O dólar comercial foi negociado a R$ 2,037 para venda, em alta de 0,39%. A taxa de risco-país, medida pelo indicador Embi+ (JP Morgan), marca os 219 pontos, número 2,33% superior à pontuação final de ontem.
Pausa
A crise não acabou, e os investidores continuam de olho no cenário externo. A questão é que a Bovespa descolou um pouco da Bolsa de Nova York (principal referência externa dos negócios no Brasil). Os resultados de várias empresas vieram muito bons, o que reforçou a idéia de que, por aqui, os fundamentos econômicos melhoraram, e que a crise é lá fora, afirma Luís Leci Dozol, supervisor financeiro da corretora Manchester. Nós somos afetados somente por causa da globalização, acrescenta.
Incertezas
Profissionais de corretoras salientam que o clima de incertezas sobre o mercado de crédito imobiliário americano não passaram. Somente uma parcela dos investidores retornou às compras, com pouco dinheiro e de forma cautelosa, buscando preferencialmente ações de primeira linha - muito negociadas e com fundamentos sólidos.
Redução
Investidores e analistas também contam que o Federal Reserve (banco central dos EUA) sinalize uma possível redução dos juros básicos no país que é o epicentro das turbulências financeiras. Uma parcela majoritária do mercado acredita que o afrouxamento da política monetária dos EUA é a saída mais rápida para amenizar a crise do sistema financeiro.
Desdobramentos
Outra parcela de analistas e profissionais de mercado se preocupa com os desdobramentos das turbulências financeiras vistas nos últimos dias. E lembram que nada foi resolvido e que ainda não se conhece a extensão das perdas do sistema financeiro com os problemas do mercado de crédito imobiliário americano.
Juros futuros
O mercado futuro de juros apontou taxas mais altas, após a prévia do IGP-M (0,59%) superar as expectativas dos analistas (0,35%). O contrato para janeiro de 2008 foi a exceção, projetando juro de 11,28%, contra 11,31% segunda. No contrato de janeiro de 2009 a taxa projetada passou de 11,88% para 11,90%. E no contrato de janeiro de 2010 a taxa negociada subiu de 12,13% para 12,22%.
Tóquio
A Bolsa de Tóquio fechou em alta de 1,07%, com 15.901,34 pontos no índice Nikkei 225. Na segunda-feira, o índice já havia registrado alta de 3%. A alta dos dois últimos dias ocorreram depois de quedas expressivas provocadas pelas preocupações quanto aos efeitos da crise imobiliária nos Estados Unidos sobre a economia mundial.
China
Na China, a Bolsa de Xangai fechou em alta de 1%, com 4.955,21 pontos, resultado recorde. Na segunda-feira, a Bolsa chinesa fechou em alta de 5,3%, maior ganho percentual em um único dia nos últimos dois anos. A Bolsa de Shenzhen fechou em alta de 1,4%, com 1.375,28 pontos no índice Shenzhen Composite - também fechamento recorde.
Hong Kong
Já a Bolsa de Hong Kong fechou em alta de 0,62% no índice Hang Seng, com 21.729,35 pontos, com o otimismo em relação às novas medidas adotadas pelo governo chinês para afrouxar os controles para investimentos no mercado financeiro.
Mais recursos
Os bancos centrais do Japão e da Austrália disponibilizaram ontem novos recursos para seus respectivos sistemas bancários para tentar tranqüilizar os mercados financeiros. O Banco do Japão disponibilizou US$ 7 bilhões, um dia depois da liberação de US$ 8,7 bilhões para o sistema bancário. Já o Reserve Bank of Australia (banco central do país) anunciou a liberação de US$ 4,4 bilhões.
Juros chineses
O Banco do Povo da China (banco central chinês) elevou ontem sua taxa de juros para empréstimos em 0,18 ponto percentual, para 7,02%. A medida pretende conter a inflação no país - os preços ao consumidor na China acumularam alta de 5,6% entre janeiro e julho, maior patamar desde 1997. O banco também elevou a taxa que os bancos pagam por depósitos de um ano em 0,27 ponto percentual, para 3,60%.
Com agências





