MERCADO FINANCEIRO
Pânico geral
As bolsas de todo o mundo, da Ásia aos Estados Unidos, passando pela Europa, voltaram a sofrer fortes baixas ontem. Os grandes investidores, temerosos com a crise dos empréstimos hipotecários de risco nos Estados Unidos, estão vendendo ações para tentar se recapitalizar.
Wall Street
Wall Street, que dá o tom mundial, abriu em baixa, com o Dow Jones registrando perdas recordes. As Bolsas européias também prosseguiram em queda ontem, algumas atingindo os menores níveis do ano. No conjunto das Bolsas mundiais, o Eurostoxx caiu 2,61%.
Índices
Paris teve o seu menor nível desde o início do ano, encerrando em queda pelo terceiro dia consecutivo, o CAC 40 perdeu 3,26% com 5.265,47 pontos. A Bolsa de Londres também fechou em forte baixa, com queda de 4,10% em relação ao encerramento de quarta-feira, o menor nível desde 26 de setembro do ano. Frankfurt também sofreu uma forte queda, de 2,36%.
Mobilizações
Os governantes já começaram mobilizações políticas. O presidente francês Nicolas Sarkozy entrou em contacto com a chanceler alemã Angela Merkel, presidente do G7, pedindo aos líderes dos sete países mais industrializados que adotem medidas para reforçar ''a transparência do funcionamento dos mercados''.
Fórum
Sarkozy propõe que os ministros das Finanças do G7, em conjunto com os Bancos centrais, o Fórum de estabilidade financeira e o FMI, entreguem ''um relatório de análise e de propostas durante reunião de outubro, em Washington''.
Fed
O Fed americano interveio novamente e injetou US$ 17 bilhões no circuito monetário, para impedir uma contração das fontes de crédito, devido à crise no setor dos empréstimos ''subprime''. O Banco do Japão também interveio ontem, com 400 bilhões de ienes (cerca de R$ 6,5 bilhões).
Tóquio
Na bolsa de Tóquio, segunda maior do mundo, o índice Nikkei fechou em forte baixa de 1,99% , com 16.148,49 pontos, o seu menor nível desde novembro do ano passado. Em Sydney, o grupo de empréstimos imobiliários australiano RAMS reconheceu que é incapaz de refinanciar 5 bilhões de dólares de dívidas, em decorrência das medidas de crédito nos Estados Unidos. A Bolsa australiana encerrou em baixa de 1,56%.
No Brasil
As turbulências globais jogaram a taxa de câmbio para seu maior valor desde o dia 14 de março. O dólar comercial fechou cotado a R$ 2,094 para venda, em forte alta de 3,15%. Pelo terceiro dia, o Banco Central se ausentou e não promoveu seu tradicional leilão de compra de moeda. A taxa de risco-país bateu os 237 pontos no final desta tarde, em seu maior nível desde 3 de janeiro de 2006.
Juros futuros
O mercado futuro de juros também disparou. O contrato para janeiro de 2008 projetou juro de 11,36%, contra 11,20% na quarta-feira. No contrato de janeiro de 2009 a taxa projetada avançou de 11,44% para 12,18%. E no contrato de janeiro de 2010 a taxa negociada subiu de 11,72% para 12,52%.
Bovespa
A Bolsa brasileira, que despencou durante toda a manhã e o início da tarde de ontem, tomou fôlego próximo ao encerramentos dos negócios. O Ibovespa, indicador da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo), finalizou o dia em baixa de 2,58%, aos 48.016 pontos. O volume financeiro foi bastante alto e mostrou o nervosismo dos investidores: R$ 8,4 bilhões.
Fundos brasileiros
Os fundos de investimento brasileiros já amargam perdas de R$ 7,6 bilhões desde o início da crise nos mercados financeiros internacionais, de acordo com dados do site Fortuna, que acompanha o setor. Considerando apenas a rentabilidade, entre os dias 23 de julho e 14 de agosto, os portfólios de ações registraram queda de 9,4%, o que representa R$ 6,5 bilhões, enquanto os multimercados apresentaram prejuízo de R$ 2,5 bilhões, ou 1,4%.
Pré-fixados
Curiosamente, o estopim para as perdas na indústria de fundos não ocorreu em nenhuma das duas categorias, consideradas mais arriscadas, e sim nos fundos de renda fixa pré-fixados, segundo o Marcelo d'Agosto, diretor do Fortuna. Logo no início da volatilidade nos mercados, esses produtos tiveram fortes saques, o que levou os gestores a venderem títulos para honrar os resgates.
Análise
''Como esse mercado não tem liquidez, os preços dos papéis pré de longo prazo despencaram, o que acabou afetando os multimercados, que também tinham exposição nesses títulos'', analisou. Nos últimos 20 dias, a saída nos fundos de renda fixa pré-fixados totalizou R$ 2,4 bilhões, o equivalente a 16% do patrimônio total dessas carteiras.
Com agências





