MERCADO FINANCEIRO
Mais estresse
Os problemas da economia americana voltaram a assombrar os mercados mundiais onten, provocando uma nova onda de turbulências pelas Bolsas, da Europa ao continente americano. A rede Wal-Mart foi apontada por analistas como o ''pivô'' do nervosismo do dia.
Bovespa
O Ibovespa, principal indicador da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), teve forte queda de 2,90%, aos 50.912 pontos, no fechamento do pregão de onteme, em seu nível mais baixo desde 24 de maio.
Câmbio
O dólar comercial foi negociado a R$ 1,985 para venda, com acréscimo de 2,10%, em seu nível mais alto desde maio. A taxa de risco-país, medida pelo indicador Embi+ (JP Morgan), marca 197 pontos, um salto de 3,7% sobre a pontuação final de ontem.
Européias
Na Europa, os principais pregões encerraram o dia em baixa, a exemplo de Londres (retração de 1,21%) e Paris (1,61%). Nos EUA, a Bolsa de Nova York finalizou em queda de 1,57%.
Contágio
O mercado não resistiu a um noticiário fortemente negativo. Primeiro, a gestora de recursos Sentinel Management anunciou o congelamento de US$ 1,5 bilhão de seus fundos, à semelhança do banco francês BNP Paribas, o que deu combustível para o pessimismo de investidores e analistas sobre a continuidade da crise.
Wal-Mart
A notícia que realmente estragou o humor do mercado, no entanto, veio da gigante varejista Wal-Mart. A empresa rebaixou sua perspectiva de lucros para este ano. Ao mesmo tempo, apontou para uma piora nas condições financeiras de seus clientes.
Consumo
Nos EUA, os consumidores usam suas propriedades para financiar seu consumo. Alguns analistas viram indícios de que a empresa do varejo já conta com uma piora do mercado de crédito por conta dos ''subprimes''. A perspectiva de um contágio dos problemas com os créditos imobiliários de alto risco foi a senha para uma nova jornada de perdas, que afeta diretamente as economias emergentes.
Fluxo negativo
No Brasil, esse movimento pode ser visto no fluxo de investimentos estrangeiros, que está negativo em quase R$ 5 bilhões no acumulado deste ano, sendo R$ 1,5 bilhão somente em agosto. ''Nós vimos o que acontece nesses casos: os investidores se desfazem de suas posições (vendem ações no Brasil) e o dólar sobe, os juros sobem'', afirma o economista do banco Schain, Sílvio Campos Neto.
Ainda é cedo
Para analistas, ainda é cedo para dizer se já houve realmente uma tendência no mercado. Corretoras mantêm as expectativas de que os problemas dos ''subprimes'' sejam conjunturais e não estrague as projeções de uma Bolsa nos 60 mil pontos até o final deste ano. Essa opinião já deixou de ser consensual.
Riscos
''A preocupação que alguns analistas e especialistas têm de que há sérios riscos de contaminação da crise atual para o lado real da economia só será consumado caso, tanto consumidores quanto empresários passem a acreditar que o quadro econômico irá deteriorar'', avalia a consultoria Austin Rating.
Juros futuros
O mercado futuro de juros acompanha o repique do câmbio. O contrato para janeiro de 2008 projetou juro de 11,14%, contra 11,12% segunda. No contrato de janeiro de 2009 a taxa projetada subiu de 11,11% para 11,26%. E no contrato de janeiro de 2010 a taxa negociada avançou de 11,13% para 11,46%.
Petróleo
Os preços do petróleo fecharam em alta, ao fim de uma sessão volátil, na qual os investidores se concentraram nos eventuais danos que a tempestade tropical Dean pode causar às instalações petroleiras americanas. No New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril ''light sweet crude'' para entrega em setembro subiu 76 centavos, encerrando o dia a US$ 72,38. Na Intercontinental Exchange de Londres, o barril do tipo Brent do mar do Norte para entrega em setembro ganhou 28 centavos, para fechar a US$ 70,51.
Com agências





