'Fim do mundo'
Os mercados de capitais globais, que amanheceram ontem anunciando o ''fim do mundo'', fecharam a semana em tom bem mais ameno, após uma ação coordenada dos principais bancos centrais do planeta. Somente as autoridades monetárias dos EUA e da Europa abriram mais de US$ 100 bilhões aos respectivos sistemas financeiros para fazer frente à crise.

Ibovespa
No Brasil, o Ibovespa, principal indicador da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), finalizou a sexta-feira em queda de 1,48%, aos 52.638 pontos. Em seu pior momento, o índice de ações amargou perdas de 3,27%. O volume financeiro de ontem mostrou a corrida dos investidores: R$ 5,27 bilhões, bem acima da média diária dos últimos meses (cerca de R$ 3,5 bi). Nos EUA, a Bolsa de Nova Iorque fechou em baixa modesta de 0,23%.

Asiáticas
Pela manhã, as Bolsas asiáticas já antecipavam o dia turbulento: os principais pregões da região fecharam com fortes quedas, a exemplo do Japão (baixa de 2,37%) e Hong Kong (queda de 2,9%). Refletiam a notícia do dia anterior, quando o banco francês PNB Paribas congelou o saque de três de seus fundos de investimentos.

Perdas reais
A instituição, uma das maiores da Europa, alegou dificuldades em contabilizar as reais perdas desses fundos, que tinham recursos aplicados em créditos gerados a partir de operações hipotecárias americanas. No mundo da globalização financeira, créditos gerados nos EUA podem ser convertidos em ativos que vão render juros para investidores na Europa.

Risco
Esses créditos imobiliários, chamados de ''subprime'' (de segunda linha), são gerados a partir empréstimos com tomadores que podem oferecer menos garantia. Embutem maior risco de crédito e por isso, têm juros maiores, o que os torna mais atrativos para gestores de fundos em busca de retornos melhores.

Problemas
O mercado já monitorava há meses os problemas com esses créditos. Quando a inadimplência dessas operações superou as expectativas, empresa após empresa nos EUA relataram problemas de caixa. E na quinta-feira, o caso do Paribas sinalizou que esses problemas haviam atravessado as fronteiras.

Européias
Na Europa, as principais Bolsas davam continuidade ao nervosismo observado nos pregões asiáticos, com a as ações londrinas fechando em baixa de 3,71%, assim como Paris (3,13%) e Amsterdã (3,05%).

Wall Street
As Bolsas americanas seguiam pelo mesmo caminho, quando os mercados começaram a mostrar os efeitos da ação de algumas das principais autoridades monetárias do planeta. O Federal Reserve (EUA), que ontem anunciou a liberação de US$ 24 bilhões, abriu mais três linhas. o BCE (União Européia) ofereceu US$ 130 bilhões quinta e US$ 83 bilhões ontem, à maneira do BC japonês e australiano.

Seguindo o ritmo
Por aqui, a negociação da moeda americana seguiu de perto o sobe-e-desce das Bolsas globais, em meio a um movimento dos grandes investidores de ''aversão ao risco'', que afeta diretamente as economias emergentes.

Câmbio
O preço da moeda americana oscilou entre o pico de R$ 1,970 e a mínima de R$ 1,935, mas encerrou o dia negociado a R$ 1,951 (valor de venda), o que representa uma alta de 1,29%. Trata-se da maior cotação desde 26 de junho deste ano. Apesar da apreciação do dólar, o Banco Central não se furtou a entrar no mercado com seu habitual leilão de compra e adquiriu moeda a R$ 1,9445 (taxa de corte).

Juros futuros
O mercado futuro de juros também foi sacudido pelas turbulências globais. O contrato para janeiro de 2008 projetou juro de 11,14%, contra 11,11% quinta. No contrato de janeiro de 2009 a taxa projetada subiu de 11,12% para 11,16%. E no contrato de janeiro de 2010 a taxa negociada avançou de 11,33% para 11,37%.

Petróleo
Os preços do petróleo se estabilizaram ontem, ao fim de uma semana marcada por vendas em massa, principalmente por parte de fundos que vendiam seus ativos em meio à crise generalizada do crédito. Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril de ''light sweet crude'' para entrega em setembro perdeu 12 centavos, encerrando o dia a US$ 71,47.

Com agências

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