Tomando fôlego
  O mercado teve fôlego para enxergar algum otimismo no ‘‘final do túnel’’, e nas últimas horas de pregão de ontem voltou a operar em território positivo. O Ibovespa, principal índice da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo), finalizou o dia em alta de 0,46%, aos 53.091 pontos. O giro financeiro foi acima da média dos últimos meses: R$ 5,07 bilhões.

Susto
  Logo pela manhã, os investidores refletiram a notícia de que uma das mais importantes empresas de crédito imobiliário dos Estados Unidos - a AHM anunciou seu pedido de concordata, às voltas com problemas em sua carteira de créditos ‘‘subprime’’ (de segunda linha).

Temor
  Investidores e analistas temem que as dificuldades no setor de hipotecas americano contamine o restante dessa economia, o que torna as Bolsas dos EUA, e por difusão o restante dos mercados pelo mundo, sensíveis às más notícias do setor.

Fed
  Segundo operadores, o mercado somente melhorou próximo ao encerramento, quando prevaleceu a percepção de que o Federal Reserve, o banco central dos EUA, já tem espaço para promover uma redução de juros em sua próxima reunião, marcada para outubro. Hoje, o colegiado do ‘‘Fed’’, anuncia a nova taxa básica americana - analistas firmaram consenso em torno da manutenção em 5,25%.

Briga
  ‘‘Há uma briga entre aqueles que apostam na queda da Bolsa, por causa do problema com os créditos ‘subprime’, enquanto outros acreditam que isso não vai ter força suficiente para derrubar os mercados. E a resposta para essa questão não vai aparecer de um dia para outro’’, afirma Maurício Garcia, profissional da mesa de Bolsa da corretora Theca.

Câmbio e risco
  O dólar comercial foi negociado a R$ 1,907 para venda, com avanço de 0,26%. A taxa de risco-país, medida pelo indicador Embi+ (JP Morgan), marcava 197 pontos no final desta tarde, com decréscimo de 2% sobre a pontuação final de sexta-feira.

Fluxo
  ‘‘(No mercado de câmbio) o que nós temos observado é, principalmente, o fluxo de saída das Bolsas. O investidor tira o dinheiro das ações (vende real e compra dólar) porque aumenta a aversão ao risco’’, afirma Reginaldo Galhardo, da mesa de câmbio da corretora Treviso.

Exportadores
  Galhardo nota também a ação dos exportadores nos dias mais turbulentos. ‘‘Quando bate R$ 1,91, nós vemos que os exportadores têm entrado no mercado (para aproveitar o preço do dólar), porque acreditam que (a taxa cambial) não passa disso’’, acrescenta.

Juros futuros
  O mercado futuro de juros voltou a subir. O contrato para janeiro de 2008 apontou juro de 11,12%, contra 11,11% na sexta-feira. No contrato de janeiro de 2009 a taxa projetada passou de 11,12% para 11,14%. E no contrato de janeiro de 2010 a taxa negociada avançou de 11,29% para 11,34%.

Européias
  As Bolsas européias caíram ontem, ainda afetadas pelas preocupações quanto à situação do setor de hipotecas do mercado imobiliário nos EUA. A queda no preço do petróleo afetou as ações da empresas do setor de energia. A Bolsa de Londres recuou 0,57% e ficou em 6.189,10 pontos; a Bolsa de Paris teve baixa de 1,16% e fechou em 5,532.99 pontos; e a Bolsa de Milão caiu 0,95%, para 30.620 pontos. A exceção do dia foi a Bolsa de Frankfurt, que registrou ligeira alta de 0,12%, indo para 7.444,45 pontos.

Petróleo
  Com o recuo do petróleo ao patamar de US$ 73 (depois de ter atingido os US$ 78 nos últimos dias), as ações do setor de energia - com destaque para as do setor petrolífero - fecharam em baixa. Os papéis da Total caíram 2%; os da British Petroleum caíram 1,3%; e os da Statoil, 4,1%.

Desconfiança
  A desconfiança dos investidores aumentou com a notícia de que a empresa de hipotecas American Home Mortgage (AHM), uma das 10 maiores empresa do setor de crédito imobiliário e hipotecas dos EUA, apresentou um pedido de proteção sob o ‘‘Chapter 11’’ - o capítulo da legislação americana que regulamenta as falências e concordatas.

American Home
  A American Home Mortgage é a baixa mais recente entre as grandes empresas do setor hipotecário nos EUA, que há meses vem sofrendo abalos --neste ano, outras 50 empresas do setor hipotecário, de diversos portes, já pediram concordata. A American Home Mortgage não tinha participação significativa no segmento ‘‘subprime’’ (de maior risco), foco das atuais preocupações sobre o crédito imobiliário nos EUA.

Com agências

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