MERCADO FINANCEIRO
De volta as preocupações
As ações da Bolsa brasileira encerraram o pregão de ontem com forte queda, com o recrudescimento das preocupações de investidores com a economia americana. O Ibovespa, principal indicador dos negócios, sofreu perdas de 3,37%, aos 52.846 pontos. O volume financeiro foi significativo, de R$ 4,08 bilhões, o que sinaliza o grau de pessismismo dos investidores.
Más notícias
Um somatório de más notícias precipitou a derrocada de hoje. Pela manhã, o humor dos investidores já foi azedado pelo desempenho do mercado de trabalho americano: o Departamento de Trabalho dos EUA revelou uma taxa de desemprego acima do esperado (4,6% contra projeções de 4,5%), combinada com uma geração de postos de trabalho abaixo do previsto (92 mil novos empregos contra expectativas de 126 mil).
Serviços
À tarde, um novo indicador surpreendeu negativamente os participantes do mercado: o ISM, uma entidade privada, revelou o que seu indicador do nível de atividade do setor de serviços foi pior do que o estimado por economistas de instituições financeiros (55,8 pontos contra 59).
Riscos
''As pessoas viram que o contágio (dos prejuízos do mercado de hipotecas dos EUA) pode se espalhar inclusive para empresas de outros países e que o problema pode ser muito maior do que se pensava anteriormente'', afirma o analista da corretora Souza Barros, André Borghesan.
Ranking
Ontem apenas dois papéis subiram: Embraer ON avançou 2,23% e Comgás PNA, 1,23%. Na outra ponta, lideraram as perdas Net PN (-6,75%), BrT PN (-6,7%) e Bradesco Par PN (-6,41%). Vale do Rio Doce e Petrobras tiveram quedas fortes - ajudando a empurrar ainda mais para baixo o Ibovespa devido ao grande peso individual que os papéis destas empresas têm no índice.
Ranking 2
Vale ON recuou 4,38%, Vale PNA, -4,63%, Petrobras ON, -3,71% e Petrobras PN, -4,27%. Vale registrar que a Petrobras anunciou a compra do controle da Suzano Petroquímica por R$ 2,1 bilhões, e a Vivo confirmou a aquisição da Telemig. As preferenciais da Suzano Petroquímica fecharam em alta de 56,32%, cotadas a R$ 8,91 e com forte giro, de R$ 64,3 milhões. Tanto a valorização quanto o volume foram recordes.
Câmbio
O dólar comercial foi negociado a R$ 1,902 para venda, um alta de 1,49%, nas últimas operações de ontem. O Banco Central entrou no mercado próximo ao horário de encerramento dos negócios e adquiriu moeda a R$ 1,8950 (a taxa de corte).
Risco
O risco-país, medido pelo indicador Embi+ (JP Morgan), marcava 199 pontos no final da tarde, com acréscimo de 2,05% sobre a pontuação final de ontem.
Posições zeradas
Para profissionais das mesas de câmbio, prevaleceu ontem a preocupação com a economia americana. ''Entre operadores das mesas (de câmbio), se comentou que alguns grandes bancos não quiseram passar o final de semana expostos e zeraram suas posições (compraram moeda), com medo de alguma surpresa desagradável com o setor imobiliário lá nos Estados Unidos'', afirma Luiz Carlos Balden, diretor da corretora Fourtrade.
Volatilidade
A consultoria Austin Rating avalia que a volatilidade deve permanecer nos próximos dias, mesmo que o mercado já tenha absorvido as notícias negativas sobre o setor de hipotecas dos EUA. ''Reiteramos nossa opinião que o problema com o mercado de hipotecas (subprime) nos EUA não deve se alastrar para a economia real'', avalia a consultoria.
Juros futuros
O mercado futuro de juros acompanhou o forte repique do câmbio. O contrato para janeiro de 2008 projetou juro de 11,11%, contra 11,07% quinta. No contrato de janeiro de 2009 a taxa projetada avançou de 10,98% para 11,12%. E no contrato de janeiro de 2010 a taxa negociada subiu de 11,13% para 11,29%.
Européias
As Bolsas européias fecharam em baixa, também afetadas pelos dados sobre criação de empregos e sobre desemprego nos EUA em julho. A Bolsa de Londres caiu 1,21% e ficou em 6.224,30 pontos; a Bolsa de Paris teve baixa de 1,48% e fechou em 5.597,89 pontos; a Bolsa de Frankfurt registrou recuo de 1,31%, indo para 7.435,67 pontos; e a Bolsa de Milão caiu 0,75%, para 30.915 pontos.
Petróleo
Os preços do petróleo caíram de forma significativa em Nova Iorque, encerrando outra semana caótica coroada por um novo recorde histórico. Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril do tipo ''light sweet crude'' para entrega em setembro perdeu US$ 1,38, para fechar a US$ 75,48.
Com agências





