MERCADO FINANCEIRO
Dia de estresse
O mercado financeiro estressou ontem à tarde, após passar a maior parte da sessão em relativa calmaria. A razão foi o alerta de problemas de liquidez feito pela American Home Mortgage (AHM), que não está conseguindo atender às chamadas de margens dos credores. Imediatamente, os investidores migraram das Bolsas para os Treasuries (títulos do tesouro norte-americano), cujos preços voltaram a subir e os juros, a cair.
Bovespa
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) acompanhou os mercados internacionais ontem e fechou em baixa. O Ibovespa (principal índice da Bolsa) registrou queda de 0,71%, aos 54.182, depois de bater os 55.662, alta de 2% ao longo do dia.
Indicadores
O volume financeiro no Ibovespa somou R$ 5,606 bilhões. A taxa de risco-país, medida pelo indicador Embi+ (JP Morgan), marcou os 213 pontos às 18h09, com avanço de 1,91%. O dólar comercial fechou em alta de 0,37%, a R$ 1,883, também influenciado pela piora do cenário externo.
Incertezas
Novas incertezas sobre o segmento de hipotecas nos Estados Unidos anularam as boas notícias sobre inflação e a confiança dos consumidores e abateram os mercados. O anúncio de o fundo American Home Mortgage Investment Corp., com sede em Nova Iorque, admitiu estar incapacitado de tomar empréstimos por meio de suas linhas bancárias reascendeu os temores com o crédito imobiliário do tipo subprime (alto risco).
Wall Street
Nos Estados Unidos, a Bolsa de Nova York fechou em baixa: o índice Dow Jones perdeu 1,10%, aos 13.211,99 pontos, e o Nasdaq, 1,43%, aos 2.546,27 pontos. Os problemas com o segmento de crédito subprime pode gerar resgate por parte dos investidores, sobretudo nos mercados emergentes. É possível que haja uma migração de investimentos para os treasuries, abrindo mão do risco, avalia o analista da Alpes Corretora, Fausto Gouveia.
Desconfiança
A postura é de desconfiança no mercado e a estimativa é de instabilidade para os próximos dias. Segundo Miriam Tavares, da AGK Corretora de Câmbio, os investidores devem prosseguir cautelosos e medindo os riscos para suas aplicações com bastante critério.
Risco
Notícias desfavoráveis do setor imobiliário podem fazer com que os investidores voltem a aumentar a aversão ao risco e os mercados financeiros de maior risco devem voltar a registrar perdas, diz Tavares.
Resultados
Se os resultados corporativos da Vale do Rio Doce e de outras empresas forem surpreendentes, o mercado doméstico pode superar o clima negativo do cenário internacional. Mas o mercado está desconfiado e isso deve gerar volatilidade, pondera Gouveia.
Reação
Segundo o analista de câmbio da Corretora Liquidez, Mário Paiva, o mercado ainda reage à desconfiança quanto ao mercado imobiliário americano, em particular ao segmento de hipotecas subprime (de alto risco). Segundo ele, nem os dados positivos em relação à renda e aos gastos nos Estados Unidos e à confiança do consumidor norte-americano foram capazes de conter os temores dos investidores.
Atenções
O mundo inteiro está de olho no mercado internacional e, principalmente, nos EUA. Os problemas no segmento subprime e o petróleo na casa dos US$ 78 podem gerar inflação nos Estados Unidos. Enquanto o petróleo e as hipotecas não se acalmarem, a volatilidade será muito elevada, afirma Paiva.
Juros
Com um bom volume de negócios, o DI janeiro de 2010, considerado o DI do giro, terminou o pregão viva-voz de ontem em 11,03%, de 11,02% segunda, mas no sistema eletrônico chegou a bater 11,08%. O DI janeiro de 2009 projetava 10,93%, de 10,92% ontem, mas foi a 10,96% no sistema eletrônico.
Vale
A Companhia Vale do Rio Doce registrou lucro líquido de R$ 5,842 bilhões no segundo trimestre, um aumento de 49,6% sobre o mesmo trimestre de 2006. A receita líquida atingiu R$ 17,809 bilhões, crescimento de 82,1%. O lucro operacional (Ebit) cresceu 103,4%, para R$ 9,194 bilhões. A geração de caixa, medida pelo Ebitda, subiu 99,0%, para R$ 9,194 bilhões. Os dados são consolidados e de acordo com o padrão contábil brasileiro (BR Gaap).
Petróleo
Os preços do petróleo fecharam em Nova Iorque perto de seu patamar histórico, ante os temores dos operadores de que uma nova redução nas reservas de cru nos Estados Unidos traga dificuldades para enfrentar a demanda. No New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril do light sweet crude para entrega em setembro subiu US$ 1,38, fechando em US$ 78,21, depois de alcançar US$ 78,28 na sessão, a poucos centavos de seu recorde histórico de US$ 78,40, registrado em 13 de julho de 2006, em plena ofensiva militar israelense no Líbano.
(Com agências)





