Dia de lucros
Em um dia de realização de lucros, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) teve forte queda ontem. O Ibovespa (principal índice da Bovespa) fechou com recuo de 3,86%, aos 55.794 pontos. O volume financeiro foi de R$ 5,83 bilhões. Essa foi a maior queda do índice desde 27 de fevereiro, quando o Ibovespa recuou 6,6%, aos 43.145 pontos. Na última quinta-feira, o Ibovespa havia registrado um novo recorde, aos 58.124.

Câmbio
O dólar comercial fechou em alta de 1,14%, cotado a R$ 1,863 para venda nos últimos negócios de ontem. A taxa de risco-país, medida pelo indicador Embi+ (JP Morgan), marcou os 180 pontos às 17h30, com avanço de 6,5%.

Alto risco
Segundo André Borghesan, analista da corretora Souza Barros, as preocupações em torno do crédito imobiliário ''subprime'' (alto risco) voltaram a rondar os investidores. Ontem, a Countrywide Financial Corp., maior empresa dos Estados Unidos de financiamento imobiliário, anunciou queda de 33% no lucro do segundo trimestre, que foi de US$ 485 milhões. Este é o terceiro trimestre seguido de queda nos resultados da companhia.

Análise
''A tônica da queda foi ditada por essa preocupação. Algumas notícias já dão conta de que o crédito subprime começa a atingir também os empréstimos corporativos, mostrando que outros setores podem ser afetados'', analisa Borghesan.

DuPont
Na âmbito corporativo, a DuPont apresentou lucro de US$ 972 milhões no segundo trimestre, contra US$ 975 milhões no mesmo período do ano anterior. O resultado ficou abaixo do esperado por analistas.

Amex
Os papéis da American Express caíram com a notícia de que a empresa ampliou a reserva de dinheiro para perdas com inadimplência de clientes. A empresa teve um aumento de 12% em seus lucros no trimestre passado. As ações da rede de restaurantes fast food McDonald's também tiveram queda, após o anúncio de um prejuízo de US$ 711,7 milhões no segundo trimestre de 2007, contra um lucro de US$ 824,1 milhões no mesmo período do ano passado.

PepsiCo
Já o lucro da americana PepsiCo, segunda maior fabricante mundial de refrigerantes, registrou um crescimento de 13% em, chegando a US$ 1,56 bilhão.
''Qualquer coisa já é motivo para realização, ainda mais diante das últimas altas verificadas nas Bolsas'', afirma Borghesan.

Ata
Na cena doméstica, os investidores aguardam, principalmente, a ata do Copom (Comitê de Política Monetária). De acordo com analistas, devido ao placar apertado da última reunião, a ata pode indicar os rumos da política monetária para o restante do ano. Na semana passada, o Copom decidiu cortar os juros em 0,5 ponto percentual - quatro votos favoráveis -, para 11,5% ao ano. O corte de 0,25 ponto percentual foi defendido por três participantes da reunião.
Ações

Petrobras
Segundo o analista da Souza Barros, as ações da Petrobras também tiveram forte baixa e influenciaram de forma ''substancial'' a queda do Ibovespa. ''Essa desvalorização ocorreu por três razões. Além da realização de lucros, a ANP (Agência Nacional do Petróleo) impôs uma multa de R$ 1,3 bilhões para a empresa. Ontem, um membro da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) afirmou que a organização irá atender o mercado e até elevar a produção se necessário'', elencou Borghesan.

Movimento
Os papéis ON (ordinárias) da empresa recuaram 5,34%, vendidos a R$ 62,66. As ações PN (preferenciais) caíram 5,61%, negociadas a R$ 54,27. No fim do pregão, as ações da Companhia Vale do Rio Doce também tiveram recuo. Os papéis ON caíram 2,46%, a R$ 95. Já as ações PNA (preferenciais) da empresa desvalorizaram 3,11%, a R$ 80,90. Petrobras e Vale do Rio Doce respondem por boa parte do movimento do Ibovespa.

Aéreas
Já as ações da TAM continuaram em queda influenciadas pelo acidente que envolveu um avião da companhia na semana passada - as ações já acumulam queda próxima a 20%. Os papéis PN recuaram 2,39%, a R$ 53,05. Os papéis PN da Gol também fecharam em queda de 1,49%, a R$ 50.


Juros futuros
O mercado futuro de juros encerrou o dia com tendência de alta. O contrato para janeiro de 2008 projetou juro de 11,04%, contra 11,03% segunda-feira. No contrato de janeiro de 2009 a taxa projetada subiu de 10,74% para 10,80%. E no contrato de janeiro de 2010 a taxa negociada avançou de 10,77% para 10,88%.


Petróleo
Os preços do petróleo registraram um segundo dia de queda ontem em Nova Iorque, num mercado que capitalizou declarações tranquilizadoras da Opep. No New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril do ''light sweet crude'' para entrega em setembro (novo contrato de referência) baixou US$ 1,33, fechando em US$ 73,56. No Intercontinental Exchange de Londres, o barril do Brent do mar do Norte para entrega em setembro teve uma queda de US$ 1,78 ficando em US$ 75,08.

Com agências

mockup