Dia nervoso
  O mercado de câmbio teve um dia bastante nervoso ontem. O dólar comercial fechou cotado a R$ 1,952 (valor de venda), em alta de 0,46%, mas no decorrer do dia chegou a oscilar entre a cotação máxima de
R$ 1,957 e a mínima de R$ 1,930. O Banco Central adiantou em meia hora o horário habitual de seu leilão de compra e adquiriu divisas a R$ 1,9330 (taxa de corte).

Risco
  A taxa de risco-país, medida pelo indicador Embi+ (JP Morgan) bateu os 154 pontos, em forte alta de 4,76% sobre a pontuação final de sexta-feira. Corretores tomaram um ‘‘susto’’ com a volatilidade das operações, principalmente na última hora dos negócios, quando a derrocada súbita das Bolsas americanas ajudou a inverter a tendência dos mercados.

Intervenção
  Profissionais apontam, no entanto, a intervenção do BC como fator decisivo para puxar as cotações. ‘‘O Banco Central anunciou o leilão e isso mexeu bastante (com o mercado). Para mim, o mercado (nas últimas operações) foi bastante especulativo’’, afirma o gerente operacional da Renova Corretora, Cristiano Zanuzo.

Bovespa
  A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) encerrou o dia em queda de 0,42%, aos 54.041 pontos. Em um dia muito volátil, prevaleceu a preocupação dos investidores com um possível aperto da política monetária dos EUA ainda neste ano. O volume financeiro ficou na média dos últimos dias: R$ 3,79 bilhões.

Reunião do FED
  Para profissionais de corretoras, o mercado está apreensivo na semana em que o Federal Reserve (o banco central dos EUA) se reúne para definir a nova taxa básica de juros da economia americana. A possibilidade de um aperto monetário estimula a criação de rumores e eleva a temperatura dos negócios.

Análise
  ‘‘Provavelmente, o Fed não vai subir os juros nesta reunião e acho que nem na próxima. Agora, existe a expectativa de que possa haver uma elevação das taxas ainda neste ano. Acho que hoje isso foi importante, principalmente com o petróleo atingindo os US$ 69, o que pode pressionar os preços do setor de energia’’, avalia o diretor de operações da corretora Solidus, Emerson Lambrecht.

Juros futuros
  O nervosismo dos negócios repercutiu sobre o mercado futuro de juros, que voltou a subir. O contrato para janeiro de 2008 apontou juro de 11,26% ante 11,21% na sexta-feira. No contrato de janeiro de 2009 a taxa projetada subiu de 10,65% para 10,82%. E no contrato de janeiro de 2010 a taxa projetada avançou de 10,56% para 10,79%.

Européias
  As Bolsas européias fecharam em baixa ontem, com a permanência das preocupações entre os investidores de uma alta global de juros. A Bolsa de Paris teve queda de 0,34%, fechando com 6.002,85 pontos; a Bolsa de Frankfurt teve baixa de 0,24% e ficou com 7.930,61 pontos; e a Bolsa de Milão perdeu 0,18%, fechando com 32.945 pontos. A exceção foi a Bolsa de Londres, que fechou em alta de 0,32%, com 6.588,40 pontos.

Preocupações
  Neste mês as preocupações quanto a uma alta global nas taxas de juros afetaram a confiança dos investidores. Nos EUA, esse temor ganhou expressão na procura maior por ‘‘treasuries’’ (títulos do governo americano). No domingo, o diretor-geral do BIS (Banco de Compensações Internacionais, na sigla em inglês), Malcolm Knight, sugeriu que os bancos centrais de todo o mundo aumentem as taxas de juros, já que ‘‘o acesso aos créditos ainda é muito fácil’’, de modo a conter pressões inflacionárias e manter a estabilidade financeira.

Crescimento
  Analistas de mercado e de instituições financeiras consultados pelo Banco Central (BC) na semana passada projetam crescimento de 4,30% para o Produto Interno Bruto (PIB) - a soma das riquezas produzidas no país - neste ano. A estimativa de aumento da economia para o ano que vem passou de 4% para 4,10%.

Focus
  A informação consta do Boletim Focus, divulgado ontem pelo Banco Central (BC), e faz parte da pesquisa que o banco realiza todas as sextas-feiras com uma centena de analistas para sentir as tendências do mercado sobre os principais indicadores da economia. Foi a segunda semana seguida de elevação da expectativa de melhora da economia nacional, embora a estimativa ainda esteja distante dos 5% apregoados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, semana passada, em Minas Gerais.

Indústria
  Os especialistas elevaram de 4,26% para 4,30% a projeção de crescimento industrial no ano, e aumentaram de 4,33% para 4,45% a expectativa em relação a 2008. Aumentaram, também, a projeção para a relação entre dívida líquida do setor público e PIB. A estimativa anterior, de 43,90% no final deste ano passou para 44%, e foi mantida a projeção de 42% para o final do ano que vem.

Selic
  Os entrevistados também esperam que a taxa básica de juros (Selic), hoje de 12% ao ano, caia para 11,50% na reunião que o Comitê de Política Monetária (Copom) fará em julho. Para eles, a taxa deve ceder gradativamente nas reuniões seguintes, de modo a encerrar o ano em 10,75%, com perspectiva de chegar a 9,75% no encerramento de 2008.

Com agências

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