Nova queda
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) recuou 0,71%, aos 54.267 pontos, no fechamento de ontem. O pregão coroou uma semana afetada por agenda vazia e dominada pelo mau humor do mercado com os juros americanos de longo prazo. O volume financeiro foi de R$ 3,56 bilhões.

Sensível
Após meses de valorizações consecutivas, avaliam analistas de mercado, o investidor está sensível a quaisquer más notícias que sirvam de motivo para alguma realização de lucros (venda de papéis valorizados).

Fundos globais
A ''bola da vez'' foram os fundos globais de investimentos que movimentam bilhões de dólares por diversos ativos financeiros em busca de ganhos. Dois desses fundos quase quebraram nessa semana por conta de aplicações em créditos imobiliários de alto risco, o que detonou uma onda generalizada de desconfiança dos investidores.

Desconfiança
Também contribuiu para o mau humor do mercado a desconfiança de que surpresas possam vir da China. Investidores esperam que o governo central divulgue novas medidas para conter uma possível bolha acionária na Bolsa local e frear o aquecimento da economia.

Gordura
''A questão é que as Bolsas estão com muita gordura para queimar e os investidores estão procurando motivos para realizar. É uma realização até saudável, já que foram várias semanas que o mercado subiu'', avalia João Carlos de Oliveira, operador da corretora Senso. ''A questão é que se trata apenas de uma coisa pontual. Quando a Bolsa cai 2% ou 3%, já vem muita gente ávida para comprar'', acrescenta.

Câmbio
O dólar comercial foi negociado a R$ 1,943 para venda, com acréscimo de 1,40%, nas últimas operações de ontem. O Banco Central adiantou seu leilão de compra e deu sustentação à tendência de alta. O repique de ontem contribuiu para que a taxa cambial acumule variação de 1,5% na semana. A taxa de risco-país, medida pelo indicador Embi+ (JP Morgan), bateu os 146 pontos, em um avanço de 3,54%.

Juros futuros
O mercado futuro de juros não passou incólume pelo nervosismo de ontem. O contrato para janeiro de 2008 apontou juro de 11,21% ante 11,18% quinta-feira. No contrato de janeiro de 2009 a taxa projetada avançou de 10,55% para 10,65%. E no contrato de janeiro de 2010 a taxa projetada subiu de 10,42% para 10,56%.

Wall Street
As Bolsas em Wall Street também fecharam em baixa. As preocupações dos investidores quanto a uma possível alta global de juros, além dos riscos ainda presentes devido ao setor de empréstimos para clientes do segmento ''subprime'' (com histórico de problemas com crédito) afetaram os negócios. A Bolsa de Valores de Nova York fechou com baixa de 1,37% e 13.360,26 pontos no índice Dow Jones Industrial Average, enquanto o S&P 500 caiu 1,29%, para 1.502,56 pontos. A Bolsa Nasdaq fechou em baixa de 1,07% e ficou com 2.588,96 pontos.

Petróleo
O preço do petróleo foi outro fator a afetar a confiança dos investidores. O barril do petróleo cru para entrega em agosto (novo contrato de referência) negociado na Bolsa Mercantil de Nova Iorque chegou a ser cotado ontem a US$ 69,50, depois de ter voltado para o patamar de US$ 67 nesta semana.

Foco
Sem divulgação de indicadores econômicos e sem anúncios de ganhos corporativos, o foco dos investidores ficou sobre o IPO (oferta inicial pública de ações, na sigla em inglês) do fundo de investimentos Blackstone Group. As ações do grupo subiram quase 20% em seu pregão de estréia. Do preço inicial, de US$ 31, as ações chegaram a atingir US$ 36,45. Cerca de 76,2 milhões de ações foram negociadas nos primeiros momentos da sessão.

Títulos
Os títulos do governo, no entanto, mantêm-se valorizados: o rendimento do papel de 10 anos chegou a recuar para 5,15%,19%, contra 5,20% a que chegou ontem no fim do dia. As preocupações dos investidores quanto a uma alta global nas taxas de juros têm levado os investidores a procurar mais os títulos americanos, que desde o ano passado não voltavam a ter rendimento acima de 5%.

Agenda
Na próxima semana, o Federal Reserve (Fed, o BC americano) se reúne para discutir qual rumo dará a sua taxa de juros (hoje em 5,25% ao ano). A expectativa é de que a taxa seja mantida no atual patamar. Também causou preocupação e contribuiu para o resultado negativo de ontem a situação do banco de investimentos Bear Stearns, que tem fundos ligados a empréstimos a clientes ''subprime''.

Com agências

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