MERCADO FINANCEIRO
Dia de retração
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou com retração de 1,12%, aos 54.029 pontos, ontem. A agenda econômica esvaziada, combinada com uma nova alta dos juros americanos de longo prazo, contribuiu para arrastar a Bolsa brasileira. O volume de negócios foi acima da média: R$ 4,93 bilhões.
Natural
Profissionais de corretoras de ações justificaram a queda de hoje como uma reação natural a um período muito extenso de valorizações dos papéis, com dois pregões afetados por vencimentos de opções nos últimos dias.
Máximas
Opções são contratos que negociam direitos de compra ou de venda sobre ativos financeiros (ações, commodities ou indicadores, negociados num mercado à vista). Esses direitos de compra e venda devem ser exercidos até o vencimento do contrato. Em dias de vencimento, portanto, há uma volatilidade atípica no pregão da Bolsa brasileira, com investidores tentando puxar o preço dos ativos conforme interesse a sua posição no contrato de opção.
Vencimento
Na semana passada, houve o vencimento de opções sobre o índice Ibovespa, e na segunda-feira, foi a vez do vencimento de opções sobre ações. O resultado [desses vencimentos] é que muitas ações estavam sendo negociadas em suas cotações máximas. Era natural que nesses dias o mercado procurasse algum motivo para realizar, afirma Expedito Araújo, da corretora Alpes.
Motivos
O mercado encontrou pelo dois motivos: a alta dos juros americanos de longo prazo, principal referência do mercado mundial de títulos de renda fixa. O rendimento dos bônus do Tesouro dos EUA de dez anos subiu de 5,09% para 5,12%, derrubando as Bolsa americanas, com reflexos no pregão brasileiro.
Rumores
Corretores também comentaram rumores de que o governo chinês possa elevar os juros da economia local para brecar o crescimento, de modo a evitar inflação, e furar uma possível bolha especulativa na Bolsa de Xangai.
Empresas
Entre as principais notícias do setor corporativo, a Embraer voltou a trazer notícias que elevam sua carteira de pedidos neste ano. Hoje, a fabricante informou a venda de 20 jatos modelos 195 para a empresa aérea brasileira BRA Transportes Aéreos. O valor do negócio é de US$ 730 milhões, mas pode chegar a US$ 1,46 bilhão, caso todas as opções sejam confirmadas. A ação ordinária da empresa subiu 0,33% no pregão de hoje, escapando da derrocada geral.
Dia volátil
O dólar comercial foi cotado a R$ 1,930 para venda, em forte alta de 1,25%, nas últimas operações de ontem. Pela manhã, a moeda americana chegou a romper o piso dos R$ 1,90, mas reverteu a tendência durante o dia. Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi negociado a R$ 2,030 (valor de venda), em alta de 1,50%.
Juros futuros
O mercado futuro de juros ajustou em alta. O contrato de janeiro de 2008 apontou taxa de 11,19% ante 11,17% terça. No contrato de janeiro de 2009, a taxa projetada subiu de 10,48% para 10,56%. No contrato de janeiro de 2010, a taxa projetada passou de 10,30% para 10,40%.
Poupança
A caderneta de poupança teve em maio uma captação positiva de R$ 1,365 bilhão, de acordo com informações divulgadas ontem pelo Banco Central (BC). O resultado é menor que os R$ 2,046 bilhões de abril, quando a mudança da fórmula de cálculo da Taxa Referencial de Juros (TR) ainda não tinha entrado em vigor. Com a alteração aprovada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), o governo procurou reduzir a rentabilidade da poupança para evitar que o investimento desse ganhos muito maiores que os pagos aos cotistas dos fundos de investimento.
Depósitos
Durante todo o mês de maio, os depósitos em poupança ficaram em R$ 84,748 bilhões e os saques somaram o correspondente a R$ 83,383 bilhões. Os rendimentos creditados nas contas de poupança ao longo de maio ficaram em R$ 1,150 bilhão, valor menor que os R$ 1,187 bilhão de abril. O saldo total dos investimentos em poupança cresceu em relação a abril de R$ 197,504 bilhões para R$ 200,020 bilhões.
Petróleo
O preço do petróleo recuou e chegou a voltar do patamar dos US$ 67, com a divulgação do relatório semanal de estoques do Departamento de Energia dos EUA. O barril do petróleo cru para entrega em julho, negociado na Bolsa Mercantil de Nova York, fechou cotado a US$ 68,19, baixa de 1,32%. O preço máximo atingido pelo barril foi de US$ 69,17 e o mínimo, de US$ 67,29.
Na terça-feira, o barril fechou cotado a US$ 69,10, maior fechamento desde setembro do ano passado.
Européias
As Bolsas européias fecharam em alta, com os ganhos na Bolsa de Frankfurt vindos do setor de tecnologia. As ações das empresas seguradoras também se destacaram. O índice DAX da Bolsa alemã subiu 0,7% e ficou com 8.090,49 pontos - novo recorde de fechamento. O recorde anterior, 8.064,97 pontos, havia sido atingido em março. A Bolsa de Paris teve alta de 0,4% no índice CAC-40 e ficou com 6.093,29 pontos. Na contramão fechou a Bolsa de Milão (0,13%, 33.419 pontos). A Bolsa de Londres (-0,01%, 6.649,30 pontos) fechou praticamente estável.
(Com agências)





