Otimismo na Bolsa
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta de 0,39% ontem, no terceiro pregão consecutivo de pontuação recorde (54.730 pontos). Profissionais de mercado apontam que a Bolsa brasileira seguiu os pregões americanos, ainda repercutindo as notícias positivas da economia local. O volume financeiro atingiu R$ 5,98 bilhões, inflado pelo vencimento de opções (R$ 1,6 bilhão).

'Alívio'
Na quinta e na sexta-feira, os investidores tiveram um ''alívio'' de suas preocupações com a inflação americana, com a divulgação dos índices PPI (preços no atacado) e CPI (preços ao consumidor), que mostraram pressões inflacionárias abaixo do esperado pela maioria dos analistas.

Lucros
Por conta desse relativo otimismo, a Bolsa brasileira chegou a 54.999 pontos durante o pregão, mas perdeu força no decorrer da manhã. ''Acredito que a Bovespa teve uma realização de lucros (venda de papéis muito valorizados), mas que foi absorvida no próprio dia'', afirma André Borghesan, analista da corretora Souza Barros. ''Ainda há espaço para crescer mais e o dinheiro continua entrando na Bolsa'', diz ele.

Acumulado
No acumulado deste ano, a Bovespa já tem ganho acumulado de 23,06%. Investidores e especialistas de mercado se questionam até que ponto a Bolsa deve subir antes de fazer uma esperada (há meses) realização de lucros mais brusca.

Opções
A Bovespa informou ontem que o exercício de opções movimentou R$ 1,6 bilhão neste mês, sendo a totalidade de opções de compra. Opções são contratos que negociam direitos de compra ou de venda sobre ativos financeiros (ações, commodities ou indicadores, negociados num mercado à vista). Os contratos estabelecem um preço pré-determinado pelo ativo e um prazo (vencimento) para o direito a ser exercido. Para adquirir esse contrato, o chamado titular paga um prêmio, que vai garantir o exercício do direito.

Mais negociados
Ontem, as opções mais negociadas foram relativas à compra de ação preferencial da Petrobras a R$ 47,64, com giro de R$ 286,3 milhões. Em segundo lugar, a opção para compra de ação preferencial da Vale do Rio Doce a R$ 73,35 movimentou R$ 180,6 milhões. Já a opção para compra de Petrobras PN a R$ 45,64 teve giro de R$ 149,8 milhões.

Câmbio
O dólar comercial foi negociado a R$ 1,907, em baixa de 0,36%. A taxa de risco-país, medida pelo indicador Embi+ (JP Morgan), sofreu forte retração e atingiu novo recorde histórico, aos 137 pontos.


Previsões
Para profissionais do mercado, torna-se cada vez mais provável que o dólar rompa o piso de R$ 1,90 no decorrer da semana, mantida a tendência predominante de queda das cotações. Ao mesmo tempo, especialistas comentam que a autoridade monetária possa voltar a diversificar sua forma de intervenção no mercado, inclusive com o retorno das operações de ''swap cambial reverso''.

Contratos
Nessas operações, a autoridade monetária oferece contratos que pagam a variação dos juros de mercado em troca de títulos que pagam a variação cambial. Essa operação, comparável a uma compra de dólar no mercado futuro, costuma puxar a taxa de câmbio.

Análise
''É possível (que o BC volte a realizar leilões de swap cambial). O fato é que há muito dólar disponível no mercado e a moeda tende a cair. Até que ponto, nós ainda não sabemos'', avalia Nélson Moraes, gerente de operações da corretora de câmbio Fluxo.

Focus
Segundo o boletim Focus, a expectativa do mercado para a taxa cambial no fim deste ano ficou em R$ 1,93, abaixo do R$ 1,95 em que estava na semana passada. O boletim é preparado pelo BC a partir das projeções econômicas fornecidas por uma centena de instituições financeiras.

Juros futuros
O mercado futuro de juros fechou sem direção definida. O contrato de janeiro de 2008 projetou taxa de 11,17% ante 11,18% na sexta-feira. No contrato de janeiro de 2009, a taxa projetada subiu de 10,47% para 10,48%. Já no contrato de janeiro de 2010, a taxa projetada ficou estável em 10,32%.

IPCA
As projeções do mercado financeiro, segundo a pesquisa Focus, para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2007 ficaram estáveis em 3,59%. O IPCA serve de referência para o governo balizar a meta oficial de inflação. Nas instituições Top 5 (as cinco instituições com maior índice de acerto das previsões), as estimativas para o IPCA neste ano subiram de 3,48% para 3,50% no cenário de médio prazo. Nos dois casos, as projeções de IPCA seguem abaixo da meta central de 4,5% fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Com agências

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