Novo recorde
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta de 1,36%, aos 53.712 pontos, ontem, em novo recorde. Uma onda de boas notícias deu novo fôlego para a Bolsa brasileira: a inflação americana não assustou; a ata do Copom reforçou as expectativas de novos cortes na taxa básica de juros. O volume financeiro foi de R$ 4,53 bilhões.

Acumulado
No ano, a Bovespa já acumula valorização de 20,77%, o que aumenta os temores de que a Bolsa esteja próxima de uma realização de lucros (venda de papéis valorizados) mais brusca.

Lucros
''Seria saudável que a Bolsa já tivesse passado por algum período de realização. Quando isso vai acontecer? É impossível prever'', afirmou Daniel Doll Lemos, chefe do departamento de análises da corretora Socopa. ''A questão é que o mercado ainda não encontrou motivos suficientes para corrigir'', acrescentou.

Temor
Os investidores temeram que a disparada dos juros dos bônus de Tesouro americano de dez anos fosse a antecipação de um possível aperto monetário dos EUA. ''Se o Federal Reserve (banco central dos EUA) voltar a enfatizar que está atento à inflação, ou mesmo a China tomar uma medida mais drástica, pode ser um fator que fazer as Bolsas realizarem'', diz Doll Lemos.

Análise
Ele recorda que os investidores estrangeiros retiraram mais de R$ 1 bilhão da Bovespa nos primeiros oito dias deste mês e avisa que esse dado (o fluxo de recursos estrangeiros) deve ser monitorado pelos investidores. ''É possível que seja apenas alguns poucos estrangeiros saindo da Bolsa. Ainda é cedo para saber - são menos de dez pregões. Agora, é importante monitorar isso, porque os estrangeiros costumam antecipar os movimentos do mercado''.

Projeção
Analistas projetam o Ibovespa a 62 mil pontos no final deste ano, mas o Lemos salienta que essa estimativa embute quedas no meio do caminho. ''É saudável que a Bolsa caia, para voltar a subir até dezembro'', avalia.

Inflação
Nesta semana, o mercado está atento a dois importantes índices de preços nos EUA: o PPI (preços no atacado), divulgado ontem, e o CPI (preços ao consumidor), que será revelado hoje. O PPI subiu 0,9% em maio, acima do previsto por analistas de bancos e corretoras. O mercado, no entanto, focou no ''núcleo'' do indicador, que desconsidera os preços de energia e alimentos (mais voláteis) e influencia as decisões da autoridade monetária local. O ''núcleo'' foi de 0,2%, em linha com o esperado.

Ata
No front doméstico, a ata do Copom mostrou que a contribuição das importações no aumento da oferta de produtos no país foi determinante para a ampliação do ritmo do corte na taxa de juros promovido na semana passada.

Sem clareza
Embora alguns analistas do mercado tenham criticado o texto da ata por falta de clareza, houve relativo consenso de que o Comitê deve voltar a reduzir os juros em 0,50 ponto percentual em sua próxima reunião, prevista para os dias 17 e 18 de julho.


Câmbio
O dólar comercial foi cotado a R$ 1,927 para venda, com retração de 0,97%, nos últimos negócios do dia. O Banco Central anunciou leilão de câmbio e adquiriu moeda a R$ 1,9280 (taxa de corte). Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi negociado a R$ 2,030 (valor de venda), em baixa de 1,45%.

Risco
A taxa de risco-país, medida pelo indicador Embi+ (JP Morgan), marcou 145 pontos, em baixa de 2,68% sobre a pontuação final de quarta-feira.

Futuros
O mercado futuro de juros ajustou para baixo ontem. O contrato de janeiro de 2008 projetou taxa de 11,18%, ante 11,21% de quarta. No contrato de janeiro de 2009, a taxa projetada cedeu de 10,60% para 10,53%. Já no contrato de janeiro de 2010, a taxa projetada retraiu de 10,49% para 10,41%.

Petróleo
Os contratos de petróleo bruto para julho na bolsa de Nova Yorque (Nymex) fecharam a US$ 67,65 por barril, em alta de 2,10%, a maior elevação em dois meses e meio. Na ICE, em Londres, os contratos do petróleo Brent para julho fecharam a US$ 70,96 por barril, em alta de 1,46%.

Com agências

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