Dia de tensão
Em todo o mundo, as bolsas estão operando sob a tensão da expectativa de elevação das taxas de juros. As indicações de que as taxas vão aumentar no Reino Unido e na Europa e se manter nos níveis atuais nos EUA já levaram os investidores a reavaliar suas aplicações no mercado de ações. Ontem, o presidente do Banco da Inglaterra (BoE), Mervyn King, sinalizou que as taxas de juros no Reino Unido podem continuar a subir se as pressões inflacionárias persistirem.

Nos EUA
As Bolsas americanas terminaram em queda. O índice Dow Jones perdeu 0,97%, a 13.295,01 unidades. O Nasdaq recuou 0,87%, ficando a 2.549,77 e o índice Standard and Poor's 500 perdeu 1,07%, fechando a 1.493,00 pontos. Os preços do petróleo também recuaram ontem, com os investidores esperando um novo aumento dos estoques de gasolina nos Estados Unidos. No New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril de ''light sweet'' para entrega em julho perdeu 62 centavos, fechando a US$ 65,35.

Bovespa
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 1,85%, aos 51.797 pontos, ontem. O pregão brasileiro acompanhou a derrocada global. O volume financeiro foi de R$ 4,02 bilhões.


Treasuries
O mercado mostrou que continua assustado e nervoso com a evolução dos chamados ''treasuries'' americanos, juros de mercado que sinalizam as expectativas de investidores para a taxa básica de juros dos EUA. Ontem, o rendimento dos títulos do Tesouro americano saltou de 5,16%, ontem, para 5,22%, em seu maior nível desde 2002.

Nervosismo
Alguns corretores e analistas ressaltam que o mercado busca intensificar a notícia para disparar uma realização de lucros numa Bolsa que acumula valorização de quase 20% neste ano. Por outro lado, é visível o nervosismo dos investidores com a possibilidade de um aperto da política monetária que não estava nos cenários para este ano.

Inesperado
O mercado já consolidava uma visão de que o Federal Reserve (banco central dos EUA) não mexeria nos juros básicos da maior economia do planeta nos próximos meses. A disparada dos ''treasuries'', no entanto, mexeu com os nervos dos participantes ao sugerir a possibilidade de uma elevação inesperada do custo de capital. Para as economias emergentes, um aperto dos juros americanos pode significar o desvio de recursos desses países em direção a ativos de menor risco.

Boletim
Em boletim distribuído para os clientes, o banco JP Morgan chegou a alertar para um eventual ''complacência'' dos mercados com a possibilidade de aperto da política monetária não apenas pelo Fed americano mas pelos demais bancos centrais de peso global como as instituições do Japão e da União Européia.

Espera
''Os bancos centrais não relaxaram seu compromisso com uma inflação baixa'', avalia o banco, para acrescentar: ''nós continuamos a esperar um aperto (monetário) global acima das expectativas do mercado e estamos preocupados sobre a eventual reação dos mercados financeiros, que permanecem complacentes a respeito dos riscos''.

Câmbio
O dólar comercial foi cotado a R$ 1,947 para venda, em alta de 0,25%, nos últimos negócios de ontem. O Banco Central realizou seu leilão rotineiro de compra de moeda próximo ao horário de encerramento das operações, às 15h47, adquirindo divisas a R$ 1,9446 (taxa de corte). Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi negociado a R$ 2,050 (valor de venda), estável sobre a cotação do fechamento anterior.

Estabilidade
O mercado de câmbio ficou praticamente estável, sem reagir com força nem às medidas anunciadas pelo governo para compensar as empresas afetadas pela desvalorização do dólar. A atuação do BC ajudou a puxar a cotação da moeda logo nas últimas operações. De acordo com o mercado, a autoridade monetária teria aceitado 13 propostas dos bancos para adquirir moeda, indicando que a compra de moeda foi significativa (acima de US$ 500 milhões).

Medidas
Os negócios também passaram incólumes pelas medidas anunciadas na sexta-feira pela autoridade monetária, que restringem os recursos disponíveis nos bancos para especulação cambial. ''Isso somente indica que os bancos não estavam muito fora do limite (de patrimônio) determinado pelo BC. Provavelmente, estavam mais hedgeados (protegidos contra variação cambial) do que muita gente pensava'', avalia Marcos Trabold, operador da corretora B&T.

Juros futuros
O mercado de juros futuros reverteu as quedas dos últimos dias. O contrato de janeiro de 2008 projetou taxa de 11,23%, ante 11,21% segunda-feira. No contrato de janeiro de 2009, a taxa projetada subiu de 10,50% para 10,59%. Já no contrato de janeiro de 2010, a taxa projetada avançou de 10,32% para 10,46%.

Européias
Em Londres, o índice FTSE 100 declinou 0,72%, ou 47,10 pontos, fechando em 6.520,40 pontos. Na Bolsa de Frankfurt, o índice Xetra DAX-30 perdeu 0,36%, ou 27,84 pontos, e baixou para 7.678,26 pontos. O CAC-40 da Bolsa de Paris encerrou com perda de 0,71%, ou 41,93 pontos, em 5.898,16 pontos. Na Bolsa de Milão, o índice S&PMib recuou 0,46%, em 41.683 pontos. O índice IBEX-35 da Bolsa de Madri, baixou 1,18%, para 14.764,30 pontos. No mercado lisboeta, o índice PSI-20 fechou estável, em 12.898,70 pontos.

Com agências

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