MERCADO FINANCEIRO
Relativa calma
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta de 0,85%, aos 52.776 pontos, ontem. Com a relativa calma das Bolsas americanas em torno da especulação sobre uma alta dos juros locais, o pregão brasileiro teve novo fôlego para voltar a recompor as perdas da semana passada. O volume financeiro foi de R$ 3,60 bilhões, na média dos últimos meses.
Câmbio
O mercado de câmbio cotou o dólar comercial a R$ 1,942 para venda, em queda de 0,91% sobre o fechamento de sexta-feira. O Banco Central entrou no mercado e adquiriu moeda a R$ 1,9425 (taxa de corte). Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi negociado a R$ 2,050 (valor de venda), em baixa de 0,96%.
Sem força
As medidas anunciadas pelo Banco Central na sexta-feira não tiveram força para reverter o recuo das cotações, apesar da expectativa em contrário de corretores e analistas do mercado. As medidas restringem o limite permitido aos bancos para especulação com a moeda e, segundo profissionais de mesas, poderiam forçar uma alta das taxas de câmbio, pelo menos no curto prazo.
'Vendidos'
Nos últimos meses, o mercado sempre considerou que os bancos estavam fortemente ''vendidos'' em dólar, o que no jargão dos negócios significa que as instituições financeiras aplicaram recursos em ativos financeiros que lucravam com a baixa da cotação.
Enquadramento
Por essa expectativa, a medida do BC, em tese, forçaria os bancos a inverterem essa posição - na prática, a comprar moeda - para se enquadrar nas novas regras da autoridade monetária, que reduzem o volume de recursos disponível para a especulação.
Desmonte
Em seu comentário diário de câmbio, o diretor e economista da corretora NGO, Sidnei Nehme, nota que na semana passada já houve ''intenso 'desmonte' das operações especulativas'' pelos maiores participantes do mercado, o que poderia limitar o efeito das medidas do BC.
Juros futuros
O mercado de juros futuros fechou em queda na comparação com as taxas de sexta-feira. O contrato de janeiro de 2008 apontou taxa de 11,21%, ante 11,22% na sexta. No contrato de janeiro de 2009, a taxa projetada recuou de 10,50% contra 11,55% na semana passada. Já no contrato de janeiro de 2010, a taxa projetada caiu de 10,35% para 10,32%.
Focus
A produção industrial brasileira deve crescer 4,3% neste ano e não mais os 4,23% projetados na semana anterior, de acordo com o Boletim Focus divulgado ontem pelo Banco Central. Esta é, por sinal, a quarta semana seguida de evolução da projeção de crescimento da produção industrial, que aumenta também de 4,4% para 4,5% no ano que vem.
Tendências
O Boletim Focus é resultado de pesquisa que o BC faz todas as sextas-feiras com uma centena de analistas de mercado e de instituições financeiras sobre tendências dos principais indicadores da economia. Os entrevistados vêem leve melhora na produção industrial, mas não o suficiente para elevar a projeção de crescimento da economia.
PIB
Segundo eles, o Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma das riquezas produzidas no país, será mesmo na faixa de 4,2% neste ano, com projeção de 4% para 2008. Abaixo, portanto, das expectativas criadas pelas autoridades econômicas do governo, que apregoavam aumento de 5%, em decorrência do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Dívida
Como a perspectiva de crescimento do PIB não evolui, a pesquisa do BC aumenta ligeiramente a projeção de equivalência da dívida líquida do setor público em relação ao PIB, de 43,86% para 43,9% neste ano, e de 41,9% para 42% em 2008. Significa dizer que 43,9% de tudo que o Brasil produzir neste ano estará comprometido com a dívida.
Balança
De acordo com a pesquisa do BC, o saldo da balança comercial (exportações menos importações) deve ser mesmo de US$ 42 bilhões neste ano, com ligeira evolução de US$ 36,44 bilhões para US$ 36,73 bilhões no ano que vem. Movimento suficiente para elevar de US$ 9,5 bilhões para US$ 10 bilhões a projeção de saldo de conta corrente, que inclui todas as transações comerciais e financeiras com o exterior.
Investimentos
O Boletim Focus manteve a perspectiva de US$ 20 bilhões para o total de entrada de investimento estrangeiro direto (IED) no setor produtivo, tanto neste ano quanto em 2008. Repetiu também a expectativa de cotação do dólar em R$ 1,95 no final de 2007 (R$ 2,05 em dezembro de 2008), bem como a aposta de que a taxa básica de juros (Selic) chegará ao final do ano em 10,75% (10% no fechamento de 2008).
Com agências





