MERCADO FINANCEIRO
Perdas emendadas
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 2,09%, aos 52.049 pontos, ontem, véspera do feriado prolongado. O pregão brasileiro emendou três jornadas de perdas, acompanhando o mau humor das Bolsas americanas com a política monetária local. O volume financeiro foi de R$ 3,92 bilhões.
Câmbio
O dólar comercial foi negociado a R$ 1,952 para venda, em alta de 0,25%. A taxa de risco-país, medida pelo indicador Embi+ (JP Morgan), bateu os 146 pontos, um acréscimo de 0,68% sobre a pontuação final de terça-feira.
Ressaca
Segundo corretores de Bolsa, o mercado sofre a ressaca das declarações do presidente do Federal Reserve (banco central dos EUA), Ben Bernanke. Ele chamou a atenção para a perspectiva de crescimento, ainda que moderado, da economia no segundo semestre, e mostrou preocupação com os índices de inflação.
Análise
Durante os últimos meses, o mercado trabalhou com a perspectiva de pudesse haver até um corte dos juros nos EUA. Ontem, o Bernanke indicou que a redução das taxas não deve acontecer hoje e, para alguns, mostrou possibilidade até de haver um acréscimo nos juros, afirma Maurício Garcia, operador da corretora Theca.
Indicadores
Dois indicadores econômicos foram divulgados ontem e reforçaram, em parte, o cenário de que um relaxamento na política de juros americana deve ser postergado para 2008. O primeiro dado, sobre o crescimento da produtividade do trabalhador (1%) dos EUA no primeiro trimestre, bateu com as expectativas já anunciadas por bancos e corretoras de valores.
Pressão
O segundo dado se tornou um dos fatores de pressão sobre as Bolsas de Valores, ao mostrar um incremento de 1,8% nos custos por posto de trabalho no primeiro trimestre, muito acima da estimativa inicial de 0,6%.
BCE
Pela manhã, o Banco Central Europeu ajudou a dar o tom negativo dos negócios ao subir a taxa básica de juros para a zona do euro para 4% ao ano, sendo o oitavo aumento desde dezembro de 2005. A taxa atingiu seu ponto mais alto desde agosto de 2001, enquanto a inflação está dentro dos limites estabelecidos pelo banco.
Copom
O mercado trabalhou com a estimativa de um corte de 0,50 ponto percentual como resultado da reunião de ontem do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a nova taxa básica de juros do país. No entanto, analistas e investidores não descartam a possibilidade de uma redução de somente 0,25 ponto percentual, o que bate com o figurino tradicional do comitê.
Pós-feriado
Um resultado dessa ordem pode, no entanto, arrastar os mercados no reinício das atividades, amanhã, afetada pelo feriado de hoje e o final de semana, o que costuma esvaziar o giro financeiro do dia.
Juros futuros
O mercado de juros futuros projetou taxas mais altas pelo terceira dia consecutivo. O contrato de janeiro de 2008 apontou taxa de 11,42% ante 11,39% terça. No contrato de janeiro de 2009, a taxa projetada avançou de 10,68% para 10,73%. Já no contrato de janeiro de 2010, a taxa projetada subiu de 10,39% para 10,46%.
Européias
As Bolsas européias fecharam em baixa ontem, com as preocupações dos investidores quanto à alta de juros decidida pelo BCE (Banco Central Europeu (BCE), que elevou a taxa para 4% ao ano. A Bolsa de Londres caiu 1,66% e fechou com 6.522,70 pontos; a Bolsa de Paris teve baixa de 1,66%, fechando com 5.977,87 pontos; a Bolsa de Frankfurt teve recuo de 2,40%, ficando com 7.730,05 pontos; e a Bolsa de Milão teve perda de 1,51%, caindo para 33.068 pontos.
Globais
As preocupações com altas de juros vêm afetando os mercados globais. A decisão de ontem do BCE já era esperada, mas os dados divulgados ontem nos EUA sobre produtividade no primeiro trimestre elevaram as preocupações sobre a decisão do Federal Reserve (Fed, o BC americano) na reunião a ser realizada nos dias 27 e 28 deste mês.
Ritmo moderado
A taxa do Fed está em 5,25% ao ano e a expectativa dos investidores é de que o banco comece a cortar a taxa, mas indicadores econômicos divulgados nos últimos dias mostraram que a economia americana está em ritmo moderado de crescimento, o que pode exercer alguma pressão sobre a inflação -inviabilizando uma redução dos juros.
Com agências





