MERCADO FINANCEIRO
Novo recorde
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) emendou o 20º fechamento recorde somente neste ano ontem. O Ibovespa, principal índice do mercado de ações doméstico, subiu 2,21% e atingiu a marca histórica dos 53.422 pontos. A Bolsa brasileira não subiu no vazio, para usar o jargão de operadores: teve volume financeiro, com giro de R$ 4 bilhões, bem acima da média diária. Os negócios refletiram um pacote de dados econômicos dos EUA que animaram os investidores. Somente neste ano, a Bolsa já subiu 20%.
Câmbio
O dólar comercial foi negociado a R$ 1,906 para venda, em baixa de 0,98%. Trata-se da menor cotação desde outubro de 2000. O Banco Central interveio por duas vezes para brecar a derrocada das taxas de câmbio.
O tom
O governo americano deu o tom dos negócios logo pela manhã. A geração de postos de trabalho quase dobrou entre maio e abril - de 80 mil para 157 mil - muito acima das projeções de mercado (140 mil postos, pelo consenso dos analistas). A inflação, por sua vez, teve alta de 0,3% em abril, abaixo da variação de 0,4% nos dois meses anteriores. A renda dos consumidores caiu -0,1% - mas ainda sem impactar os gastos, que subiram 0,5%.
Trabalho e renda
O governo americano divulgou números sobre postos de trabalho e renda, e o mercado gostou do que viu: inflação sob controle e mercado de trabalho vigoroso, uma combinação que faz as Bolsas subirem, avalia André Borghesan, analista da corretora Souza Barros.
Outro indicador
Mais tarde, outro indicador reforçou o tom do pregão de ontem. O setor manufatureiro dos EUA teve expansão em maio, atingindo 55 pontos, contra 54,7 em abril, segundo o ISM (sigla em inglês para Instituto de Gestão de Oferta).
Efeito ambígüo
Os recordes da Bolsa têm o efeito ambígüo de animar aumentar a apreensão dos investidores. Quanto mais sobe, mas crescem os temores de que possa corrigir com força - leia-se, cair bruscamente - em algum momento. No final de abril, analistas mencionavam maio como o mês histórico das realizações. Não foi isso que aconteceu e a Bovespa valorizou 6,76%.
Análise
O economista-chefe da corretora Ativa, Arthur Carvalho, acha que as projeções são tão otimistas, que a economia real não vai crescer o suficiente para entregar os resultados esperados. E vê uma correlação de risco para as Bolsas: os Bancos centrais podem querer corrigir os efeitos do excesso de liquidez.
Liquidez
O mundo está muito líquido (com muito dinheiro disponível) e com muita riqueza, avalia o economista, e em todas as economias, excesso de demanda tem uma consequência: aumento de preços.
US$ 1 trilhão
Com o novo fechamento recorde de ontem da Bovespa, o valor de mercado das empresas negociadas rompeu a marca de US$ 1 trilhão pela primeira vez na história do mercado brasileiro. Conforme a assessoria de imprensa da Bolsa, o valor exato alcançado ontem deverá ser divulgado na próxima segunda-feira. A capitalização de mercado corresponde ao preço de uma ação multiplicado pela quantidade de ações emitida pela empresa.
As maiores
As cinco maiores empresas em capitalização de mercado hoje são: Petrobras, com R$ 222,1 bilhões (US$ 116,5 bilhões); Vale, com R$ 206,6 bilhões (US$ 108,4 bilhões); Bradesco, com R$ 100,4 bilhões (US$ 52,7 bilhões); Itaú, com R$ 99,8 bilhões (US$ 52,4 bilhões) e AmBev, com R$ 85,7 bilhões (US$ 44,9 bilhões).
Juros futuros
O mercado de juros futuros abriu junho com novos ajustes em queda. O contrato de janeiro de 2008 projetou taxa de 11,29% ante 11,35% quinta. No contrato de janeiro de 2009, a taxa projetada recuou de 10,61% para 10,50%. Já no contrato de janeiro de 2010, a taxa projetada caiu de 10,31% para 10,21%.
Petróleo
Os preços do petróleo terminaram em alta ontem, mas evoluíram pouco no acumulado da semana, num mercado preocupado com o nível das reservas de gasolina americanas e atento à situação instável da Nigéria. No New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril de light sweet para entrega em julho ganhou US$ 1,07, fechando a US$ 65,08. A commodity havia terminado a US$ 65,20 na sexta-feira passada.
Com agências





