Dia sem sustos
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 0,49%, aos 52.268 pontos, ontem. O mercado seguiu a dinâmica de negócios dos pregões americanos e realizou lucros (vendeu ações valorizadas), em um dia com forte volume financeiro: R$ 4,19 bilhões. No mês, a Bolsa acumulou ganhos de 6,76%.

Território positivo
Os mercados praticamente deixaram para trás o susto com a Bolsa chinesa e abriram os negócios no último dia do mês em território positivo. A divulgação da estimativa de crescimento do PIB americano, abaixo das expectativas de bancos e corretoras, não derrubou os negócios.

Análise
''O mercado tem feito uma realização de lucros bem sistemática. A marca dos 53 mil pontos pode ter assustado pouco, mas acredito que a Bolsa ainda tem fôlego para mais'', afirmou Fábio Marques, operador da corretora Elite. ''O mercado está bem firme, com um volume diário de R$ 3,5 bilhões, R$ 4 bilhões. E o dólar, por enquanto, não derrubou o resultado das empresas como alguns esperavam'', acrescentou.

Copom
Analistas de bancos e corretoras formaram um relativo consenso ao longo desta semana em torno da próxima reunião do Copom, na semana que vem. Economistas esperam que o comitê reduza a taxa básica de juros em 0,50 ponto percentual e mais 0,50 na reunião seguinte.

Fundamento
''O fundamento do otimismo tem sido a valorização do Real em relação ao dólar (movida pelo superávit comercial, por oportunidades na Bolsa e pelo diferencial de juros em ambiente de liquidez ampla) e o movimento correlato de redução do risco Brasil'', analisou o economista-chefe do banco Fator, José Francisco Gonçalves.

Ceticismo
Este consenso, no entanto, é visto com algum ceticismo por profissionais do mercado. ''Acho que o governo pode decepcionar o mercado e cortar somente 0,25 ponto. O BC tem sido bastante conservador ultimamente'', afirmou Fábio Marques, da corretora Elite, sintetizando a opinião de vários profissionais de corretoras e bancos.

Câmbio
O mercado de câmbio apontou o dólar comercial a R$ 1,925 (valor de venda) nos últimos negócios de ontem, em queda de 0,87%. Trata-se da menor taxa desde 21 de novembro de 2000, quando a moeda americana foi cotada a R$ 1,920. O Banco Central entrou no mercado com o habitual leilão de compra de moeda, tentando adquirir divisas acima do preço de momento e tentando frear a baixa das cotações.

Taxa
A taxa de risco-país, que caiu ao longo dia, voltou ao patamar de 144 pontos, medida pelo índice Embi+ (banco JP Morgan), estável sobre a pontuação final de quarta-feira.

Juros futuros
O mercado de juros futuros ajustou as taxas para baixo. O contrato de janeiro de 2008 projetou taxa de 11,35% ante 11,38% na quarta-feira. No contrato de janeiro de 2009, a taxa projetada caiu de 10,67% para 10,61%. Já no contrato de janeiro de 2010, a taxa projetada retraiu de 10,37% para 10,31%.

Petróleo
O petróleo fechou em alta no exterior. Em Nova York, os contratos para julho fecharam a US$ 64,01 por barril, em alta de 0,82%. Em Londres, os contratos do petróleo Brent para julho fecharam a US$ 68,04 por barril (+0,29%). A commodity reagiu aos dados do nível dos estoques norte-americanos na semana passada. A queda de 2 milhões de barris nos estoques de petróleo bruto surpreendeu o mercado, assim como a taxa de utilização da capacidade das refinarias, que ficou estável em 91,1%, quando se previa um crescimento de 0,5 ponto porcentual.

Petrobras
As ações da Petrobras não acompanharam a alta do petróleo no exterior. Os papéis ON caíram 1,78% (no mês, acumularam alta de 1,09% e, no ano, queda de 3,54%), e os PN recuaram 1,63% (+1,64% em maio e -6,17% em 2007).

Vale
Já a Vale do Rio Doce fechou em alta: +1,17% as ON (+3,6% no mês e +37,72% no ano); +1,13% as PNA (+4,45% em maio e +37,04%). Os papéis acompanharam a alta das mineradoras pela Europa e também das commodities metálicas. Outra boa notícia para a empresa foi a previsão divulgada pela Vale do Rio Doce de que as importações de minério de ferro da China devem crescer 23,5% este ano, sendo que boa parte da demanda é atendida pela mineradora brasileira.

Ranking
As maiores baixas do Ibovespa ontem foram de Sabesp ON (-5,49%), CSN ON (-4,78%) e Telemar PN (-3,18%). As maiores altas ficaram com Lojas Renner ON (+3,29%), Bradespar PN (2,23%) e Sadia PN (1,75%).

mockup