Dois comportamentos
  O mercado financeiro doméstico teve comportamentos distintos ontem. De manhã, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) subiu enquanto dólar e juros recuaram, seguindo as altas das Bolsas norte-americanas na volta do feriado. Wall Street reagiu positivamente a notícias sobre fusões e aquisições e ao aumento da confiança do consumidor dos EUA em maio.

China
  À tarde, os mercados viraram afetados pela decisão do Ministério das Finanças da China de triplicar o imposto sobre transações com ações, de 0,1% para 0,3%, a partir do pregão desta quarta-feira. Como as Bolsas chinesas já estavam fechadas, os investidores devem repercutir a medida somente hoje. A cautela também foi redobrada pela expectativa com a agenda nos EUA nos próximos dias.

Bovespa
  A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 0,78%, aos 51.173 pontos. O reinício das atividades dos pregões americanos inflou os negócios na Bolsa brasileira, que não sustentou, no entanto, o ritmo de valorização observado pela manhã. O volume financeiro foi de R$ 3,68 bilhões, na média do mês.

Noticiário
  O noticiário corporativo foi um dos destaques do dia. No exterior, o banco Santander anunciou planos para vender participações não estratégicas e assim financiar a sua fatia de US$ 26,6 bilhões na possível aquisição do ABN Amro. O consórcio de três bancos vai oferecer um total de US$ 95,274 bilhões pelo grupo holandês.

Friboi
  Ainda pela manhã, a J&F Participações, controladora do grupo JBS-Friboi no Brasil, anunciou a assinatura de um contrato para aquisição da norte-americana Swift Foods. Segundo o presidente da JBS, Joesley Mendonça Batista, a operação de US$ 1,4 bilhão deve ser concluída até julho.

Papéis
  A notícia fez disparar o volume de negócios com a ação da JBS, que estreou na Bolsa no final de março. A ação ordinária subiu 1,09% neste pregão, com 2.053 negócios. Na sexta-feira, como comparação, o mesmo ativo havia valorizado 3,68%, com 627 negócios.

Moody’s
  Próximo ao encerramento dos negócios, a agência de classificação de risco Moody’s decidiu ontem colocar a nota atribuída à JBS em revisão para possível rebaixamento, após o anúncio de aquisição da norte-americana Swift.

Petrobras
  Petrobras ON caiu 1,95% e Petrobras PN teve baixa de 1,71%. Os papéis reagiram ao noticiário sobre a posse do novo presidente da Nigéria e às conversações diplomáticas entre EUA e Irã, realizadas ontem. As duas notícias reduziram as preocupações do mercado quanto à oferta de petróleo por parte de dois integrantes da Opep. Na Nymex, os contratos de petróleo bruto para julho fecharam a US$ 63,15 por barril, em queda de 3,14%. Na ICE, os contratos do petróleo Brent para julho fecharam a US$ 68,13 por barril (-2,27%).

Ranking
  As maiores altas da Bovespa ontem foram registradas por Brasil Telecom ON (3,12%), seguida por Cyrela ON (2,62%) e Telemar ON (2,43). Na outra ponta, Comgás PNA (-4,75%), Celesc PNB (-3,81) e Klabin PN (-3,55%).

Câmbio
  O dólar comercial foi negociado a R$ 1,951 para venda, em alta de 0,36%, nos últimos negócios de ontem. O Banco Central voltou a realizar leilão de ‘‘swap reverso’’, operação de contrato cambial equivalente a uma compra de dólar no mercado futuro e que tende a sustentar a cotação da moeda americana. Há cerca de dez dias a autoridade monetária não realizava tal tipo de operação.

Intervenção
  A instituição financeira também combinou uma intervenção no mercado futuro com seu leilão - rotineiro - de compra de moeda nos negócios à vista. Por volta das 15h25, a autoridade monetária adquiriu divisas a R$ 1,9555 (taxa de corte). ‘‘O BC aceitou 15 propostas e pelo que consta até agora, ele comprou um bom lote’’, avaliou Hélio Ozaki, da mesa de câmbio do banco Rendimento.

Ptax
  Hélio Ozaki também chama a atenção para a semana atípica, com a formação de Ptax (taxa média) no final de mês. Essa taxa, calculada pelo Banco Central, serve de referência para a liquidação de contratos futuros de dólar e de ‘‘swaps’’ cambiais. Poucos dias antes, usualmente investidores costumam atuar nos negócios à vista para influenciar a formação da Ptax conforme sua posição no mercado futuro, o que provoca uma volatilidade atípica nas cotações.

Juros futuros
  O mercado de juros futuros ajustou para cima ontem. O contrato de janeiro de 2008 projetou taxa de 11,37% ante 11,35% segunda. No contrato de janeiro de 2009, a taxa projetada passou de 10,61% para 10,67%. Já no contrato de janeiro de 2010, a taxa projetada subiu de 10,31% para 10,40%.

Com agências

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