MERCADO FINANCEIRO
A reboque de Greenspan
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou com forte queda de 2,47%, aos 50.530 pontos, ontem. O mercado emendou seu terceiro dia consecutivo de realização de lucros, a reboque das declarações explicitamente pessimistas do ex-titular do Federal Reserve (o Banco Central dos EUA) Alan Greenspan. O volume financeiro do pregão continua robusto, acima da média diária do mês: R$ 4,4 bilhões.
Tudo normal
Profissionais de mercado consideram normal
a forte baixa da Bolsa, que no ano acumula
valorização superior a 15%. Maio é, historicamente, um mês de realização de lucros, avalia Daniel Negrisolo, operador da Tática
Asset Management.
Risco chinês
Segundo Negrisolo, Greenspan influenciou o mercado ao apontar o risco de sobrevalorização do mercado chinês. É justamente da China que podem vir os motivos para uma realização mais brusca das Bolsas mundiais. Se o governo chinês tomar medidas mais drásticas para conter o crescimento, ou um índice de inflação dos EUA mostrar um número muito ruim, as Bolsas podem sofrer mais baixas, avalia.
Dados dos EUA
Também influenciaram os negócios de ontem os dados norte-americanos sobre o mercado imobiliário e o setor industrial. As vendas de casas novas subiram 16,2% -superando por larga margem as previsões de analistas - enquanto o nível de encomendas de bens duráveis teve acréscimo de 0,6%, em linha com as projeções.
Lado negativo
O que seriam duas boas notícias, em um mercado que busca motivos para cair foram interpretadas pelo lado negativo: os números mostraram uma economia mais aquecida do que o esperado o que, portanto, deve atrasar a esperada redução de juros básicos dos EUA, esperada para o final deste ano.
Impasse
O profissional da Tática Asset vê um impasse no mercado acionário: se você considerar o potencial de lucros das empresas, o Dow Jones (índice da Bolsa de Nova York) ainda pode valorizar ainda mais. O problema é que as Bolsas subiram muito rápido e um hora têm que cair.
Câmbio
O dólar comercial foi cotado a R$ 1,971 na venda, em alta de 0,97%, nos últimos negócios de ontem. Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi cotado a R$ 2,070 (valor de venda), subindo 1,47% sobre a cotação anterior. O Banco Central realizou leilão de compra de moeda e adquiriu reservas à taxa de corte de R$ 1,968.
Risco
A taxa de risco-país teve um forte repique sobre a jornada de quarta-feira e retornou ao patamar de 143 pontos, número 3,6% superior à pontuação final registrada ontem.
Juros futuros
O mercado de juros futuros voltou a ajustar para cima, após as quedas sucessivas dos dias anteriores. O contrato de janeiro de 2008 apontou taxa de 11,42% ante 11,33% quarta. No contrato de janeiro de 2009, a taxa projetada passou
de 10,56% para 10,72%. Já no contrato de janeiro de 2010, a taxa projetada subiu de 10,27%
para 10,43%.
Moodys
A agência de classificação de risco Moodys avisou ontem que colocou sob revisão o rating soberano do Brasil, com o objetivo de avaliar a extensão das consequências da melhora do aspecto macroeconômico, externo e fiscal do país. O analista-sênior da Moodys, Mauro Leos, afirmou que a revisão deve alinhar o Brasil no grupo de países com rating Ba, já no grupo de países com grau de investimento - ou seja, que representam menor risco para os investidores.
Melhora
Segundo a agência, a mudança nas condições econômicas brasileiras pode levar a uma melhora sustentável do perfil geral da dívida pública que pode reduzir os riscos de crédito no médio prazo. A agência detalha que vai revisar os
ratings (nota de risco de crédito) soberano
e dos títulos da dívida externa e doméstica do Brasil.
Petróleo
Os preços do petróleo recuaram ontem no mercado de Nova York, pela abundância das reservas americanas; mas atingiram novo recorde em nove meses em Londres, devido às tensões geopolíticas no mundo. No New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril de light sweet para entrega em julho fechou em queda de 1,59 dólar, a US$ 64,18.
Com agências





