Dia de novo recorde
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou com forte alta de 2,41%, em novo patamar recorde de 51.737 pontos, ontem. A valorização da Bolsa brasileira, de início sustentada pelos pregões americanos, recebeu fôlego extra com a melhora da avaliação de risco (''rating'') do Brasil pela agência Standard & Poor's. O volume financeiro também foi histórico: R$ 4,87 bilhões.

Ranking
Na Bovespa, apenas quatro ações caíram ontem: Vivo Participações PN foi a maior baixa, com -1,14%, seguida por Arcelor ON (-1,08%), Embraer ON (-1,07%) e Votorantim Celulose e Papel ON (-0,05%). Na outra ponta, lideraram os ganhos Usiminas PNA (+5,43%), Braskem PNA (+4,80%), NET PN (+4,48%) e Light ON (+4,14%).

Câmbio
O dólar comercial despencou 1,46% e foi cotado a R$ 1,954 nos últimos negócios do dia. A taxa de risco-país voltou aos níveis mínimos históricos. O índice Embi+, calculado pelo banco JP Morgan, bateu os 147 pontos, em queda de 2% sobre a pontuação anterior de fechamento.

Terreno
A Bolsa brasileira já encontrou terreno para valorizar logo pela manhã. O governo americano ''animou'' os investidores com duas notícias positivas sobre a economia local: primeiro, o crescimento na construção de novas casas; segundo, o incremento da produção industrial em abril, ambos os indicadores melhores que as expectativas médias do mercado.

Efeito upgrade
Influenciada pelas Bolsas americanas, a Bovespa realmente disparou quando começou a circular no mercado as primeiras notícias sobre o ''upgrade'' do rating soberano do Brasil, à medida em que a taxa cambial descia a ladeira.

Análise
''Foi importante para o mercado que a Standard & Poor's tenha feito a upgrade, porque é uma agência, com um peso, uma influência maior. É uma das mais importantes agências de classificação de risco, ao lado da Moody's'', avalia o economista-chefe da corretora Concórdia, Elson Telles.''O que também chamou a atenção dos investidores foi a elevação do rating em moeda local do Brasil. Esse pulo de dois níveis foi algo inesperado'', acrescenta.

Nota
Além de elevar o rating soberano para ''BB+'', a Standard & Poor's também elevou a nota para títulos da dívida pública em moeda local de ''B'' para ''A-3''. Essa nota já coloca, pelo menos a dívida em real do país no nível de ''investment grade'', isto é, a agência considera mínimo o risco de calote para esses papéis.

Mais cara
A desvalorização do dólar torna a Bolsa mais ''cara'' para os investidores estrangeiros, hoje os maiores responsáveis pelos recordes consecutivos das ações. Para profissionais do mercado, no entanto, o que pode ter mantido os ''estrangeiros'' no pregão foi a expectativa de novas valorizações.

Efeitos
A desvalorização do dólar também afeta a balança comercial e, portanto, o desempenho de grandes empresas exportadores, algumas delas entre as principais companhias de capital aberto do país, com forte influência sobre os rumos da Bovespa, a exemplo da Vale do Rio Doce.

Commodities
Pesou, no entanto, a trajetória dos preços internacionais de commodities, influenciada pela demanda chinesa. ''O câmbio até pode cair, mas o preço das commodities continua a subir'', acrescenta Elson Telles, da Concórdia.

Juros
Na BM&F, o DI mais negociado foi o julho de 2007, cuja taxa caiu de 12,17% para 12,15%, seguido pelo DI janeiro de 2008 que cedeu de 11,41% para 11,34%. O recuo foi mais forte nos DIs longos, com o contrato de janeiro de 2010 projetando taxa de 10,22%, ante 10,38% terça. O DI janeiro de 2009 fechou em 10,51%, de 10,65% terça. O DI janeiro de 2014 fechou em 9,97% (10,16% terça) e o DI janeiro de 2017, em 9,95% (10,15%)

Nos EUA
O índice Dow Jones bateu novo recorde no fechamento, ao subir 0,77%, para 13.487,5 pontos. O Nasdaq avançou 0,88%, para 2.547,42 pontos, e o S&P teve alta de 0,86%, aos 1.514,14 pontos.

Petróleo
Os preços do petróleo recuaram ontem, após o anúncio do aumento dos estoques dos Estados Unidos, mas continuam altos por causa da violência na Nigéria, primeiro produtor africano de cru. No New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril de ''light sweet'' para entrega em junho fechou em baixa de 62 centavos, a US$ 62,55. No IntercontinentalExchange (ICE) de Londres, o barril de Brent do Mar do Norte para entrega em junho perdeu 14 centavos, fechando a US$ 67,97.

Com agências

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