Dia do câmbio
  A moeda norte-americana registrou forte queda ontem em relação ao real. O dólar comercial, negociado no mercado interbancário, recuou 1,34% e fechou valendo R$ 1,982, a menor cotação da moeda desde o 31 de janeiro de 2001. O dólar negociado à vista no pregão viva-voz da Bolsa de Mercadorias & Futuros cedeu 1,39%, para R$ 1,981.

Pressão
  O mercado de câmbio operou em baixa desde a abertura pressionado pelo fluxo cambial positivo, a alta das Bolsas de Nova York e de São Paulo com a inflação ao consumidor norte-americano ‘‘benigno’’ (alta de 0,4% em abril, abaixo das previsões de 0,5%), a depreciação do dólar ante outras moedas no mercado internacional e as declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Fazenda, Guido Mantega, sobre o dólar.

Risco
  O recuo do risco Brasil também reforça os fundamentos da economia brasileira e favoreceu também o declínio das cotações. Depois de só observar o tombo das cotações, o Banco Central fez o tradicional leilão de compra de moeda em mercado após as 15h30. Mesmo assim, o dólar renovou as mínimas após essa operação. Na mínima, a moeda norte-americana atingiu R$ 1,979, queda de 1,49%, no mercado interbancário e na BM&F.

Declarações
  O presidente Lula afirmou ontem, em entrevista coletiva à imprensa, que ‘‘o dólar vai se ajustar na medida em que houver importação de bens de capital’’. Segundo o presidente, ‘‘o governo fará a sua parte (para conter a valorização do real), mas não há mágica’’. Mais tarde, foi a vez de Mantega dizer que ‘‘o câmbio é flutuante, não dá pra garantir nada’’.

Bovespa
  A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em leve alta de 0,01%, aos 50.518 pontos, no pregão de ontem. Apesar de um novo indicador positivo da economia americana, investidores continuam inseguros para ir às compras e sustentar uma nova rodada de valorização da Bolsa brasileira, tal como visto nos últimos meses. O volume financeiro foi de R$ 3,47 bilhões.

Moderação
  O mercado reagiu com moderação à queda do dólar. A taxa cambial mais baixa favorece uma inflação mais baixa, o que reforça as expectativas de que o Copom (Comitê de Política Monetária) possa cortar com mais força a taxa Selic, possivelmente 0,50 ponto percentual, em vez dos habituais 0,25 ponto.

Dúvida
  ‘‘O problema é que alguns economistas de bancos já estão duvidando que possa cortar 0,50 ponto, porque a economia está com indícios de que a demanda está aquecida, principalmente com os últimos números do comércio’’, diz Expedito Araújo, operador da corretora Alpes.

BB
  O cenário de queda da taxa de juros reduziu a rentabilidade da carteira de títulos do Banco do Brasil e obrigou a instituição a ser mais agressiva na busca do aumento do volume de crédito. A receita com a carteira de títulos caiu 13,6% no primeiro trimestre deste ano em comparação com o resultado de igual período do ano passado.

BB2
  Enquanto nos primeiros três meses de 2006, o BB contabilizou R$ 3,521 bilhões com a carteira de títulos, no mesmo período deste ano as receitas foram de R$ 3 bilhões. A carteira de títulos permaneceu estável em R$ 73 bilhões. Já as receitas com a carteira de crédito tiveram um crescimento de 19,7%, saltando de R$ 5,095 bilhões para R$ 6,101 bilhões.

BB3
  Pelos dados divulgados ontem, a carteira de crédito representa 37,3% do total de ativos. E a carteira de títulos representa 22,8% dos ativos dos bancos. Há um ano a carteira de crédito representava 34,5%, e a de títulos, 29,5% do total de ativos.

Investment grade
  A chance de o Brasil atingir o grau de investimento (investment grade) em 2008 é inferior a 50%, avaliou ontem o diretor-executivo da agência de classificação de risco Fitch, Rafael Guedes. Ele explicou que quando um país está com perspectiva estável, como é o caso do Brasil, o prazo necessário para melhorar sua ‘‘nota’’ é de pelo menos dois anos.

Selo
  O grau de investimento é uma espécie de ‘‘selo de qualidade’’ atribuído a países que são considerados destinos confiáveis para investimentos. Esse ‘‘selo’’ é dado por agências especializadas em avaliar o risco que corre um investidor estrangeiro ao comprar papéis de um determinado país. Atualmente, o Brasil ainda é considerado um destino ‘‘especulativo’’, mas está a um passo de ganhar o grau de investimento.

Reuters
  O grupo britânico Reuters aceitou a oferta de compra de 8,7 bilhões de libras (US$ 17,3 bilhões) feita pela canadense Thomson Corp. A aquisição cria a maior empresa mundial do setor de informações financeiras, passando à frente da Bloomberg, atual líder. A operação ainda precisa ser aprovada pelas autoridades que regulam a concorrência no mundo, assim como pelos acionistas da Reuters.

Com agências

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