MERCADO FINANCEIRO
Bolsa em alta
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta de 1,33%, aos 50.902 pontos, no pregão de ontem. A inflação americana arrefeceu e reforçou as expectativas de que o Federal Reserve (Banco Central dos EUA) reduza os juros da maior economia da planeta, o que deve favorecer as Bolsas mundiais. O giro de negócios continuou alto: R$ 3,54 bilhões.
EUA
O PPI, índice de inflação no atacado dos EUA, teve variação de 0,7% em abril. O ''núcleo'' do PPI (o mesmo índice, mas calculado sem os preços mais voláteis) ficou estável, o que favoreceu os negócios das Bolsas. Essa medida é a mais observada pelo Federal Reserve (Banco Central dos EUA), que na última reunião de seu comitê para decidir os novos juros do país apontou preocupações com pressões inflacionárias ainda existentes na economia.
'Novela boliviana'
A Bolsa brasileira ainda repercutiu o fim da ''novela boliviana'' que se arrastou pelos últimos dias. O governo da Bolívia acertou a aquisição das refinarias da Petrobras no país pelo preço de US$ 112 milhões. O preço foi considerado ''razoável'' por analistas de mercado, que preferiram destacar o fato da estatal brasileira ter se ''livrado'' das ''medidas pouco ortodoxas'' do governo daquele país.
Análise
''A magnitude dos valores envolvidos nos parece um ponto menos relevante em comparação à percepção de risco associada à companhia (a Petrobras) nesta crise até mesmo diplomática entre os dois países'', avaliou o analista da corretora Brascan, Felipe Cunha.
Cuidado
Para ele, investimentos estrangeiros da estatal devem ser analisados com cada vez mais cuidado pelo mercado, principalmente se forem feitos em países de ''governos com viés nacionalista''. A ação preferencial da Petrobras, a mais negociada do mercado, encerrou o pregão com forte alta de 2,16% e ajudou a sustentar a valorização da Bolsa.
Câmbio
O dólar comercial foi cotado a R$ 2,019 para venda, em baixa de 0,24%, nos últimos negócios de ontem. Para corretores, o mercado teve um reflexo ''atrasado'' da elevação do ''rating'' brasileiro pela agência de classificação de risco Fitch. O Banco Central limitou sua intervenção diária nos negócios, pelo segundo dia, ao tradicional leilão de compra de moeda, à taxa de corte de R$ 2,0195.
Balança
''O que aconteceu ontem (quinta-feira) foi que o mercado reagiu mais à balança dos Estados Unidos (déficit de US$ 63,9 bilhões) e aconteceu aquela inversão clássica, de Bolsas em queda e dólar para o alto. Hoje, com os indicadores americanos mais favoráveis, houve espaço para repercutir a Fitch'', avaliou Nelson Moraes, gerente de operações da corretora Fluxo.
Reação
Trata-se do pior resultado da balança comercial americana em seis meses, um número muito pior do que o previsto por economistas do mercado (US$ 59 bilhões). O déficit serve de combustível para as críticas ao governo americano e desperta temores por um onda renovada de protecionismo nos EUA.
Fitch
Na quinta-feira, a agência Fitch elevou o rating soberano do Brasil de ''BB'' para ''BB+'', um nível anterior do chamado ''investment grade'' (grau de investimento, ''BBB-''), dada a países considerados seguros para investir. Profissionais de bancos e corretoras esperam que nas próximas semanas as demais agências de peso no mercado internacional - Moody's e Standard&Poor's - sigam pelo mesmo caminho da Fitch.
Efeitos
O ''upgrade'' do ''rating'' contribui para baratear o custo dos recursos captados no exterior para empresas brasileiras. Também é um indicativo que torna o país mais ''seguro'' para investidores estrangeiros aportarem recursos no mercado doméstico. Essa conjunção de fatores tende a arrastar para baixo a taxa de câmbio, no que o ministro Guido Mantega chamou ontem de ''preço do sucesso''.
Juros futuros
Os principais contratos DI negociados na BM&F apontaram juros menores na comparação com os fechamentos de quinta-feira. O contrato de janeiro de 2008 projetou taxa de 11,47% ante 11,48%. No contrato de janeiro de 2009, a taxa projetada passou de 10,76% para 10,75%. Já no contrato de janeiro de 2010, a taxa projetada caiu de 10,54% para 10,52%.
Petróleo
Os preços do petróleo terminaram a semana em alta ontem, com os investidores temendo escassez de gasolina com a chegada do período de longas viagens de férias de verão. No New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril de ''light sweet'' para entrega em junho avançou 56 centavos, fechando a US$ 62,37. No IntercontinentalExchange (ICE) de Londres, os preços de Brent do Mar do Norte no contrato de junho subiu 1,04 dólar, fechando a US$ 66,83.
Com agências





