Muito volátil
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou com forte queda de 2,08%, aos 50.234 pontos, ontem. Operadores de corretoras destacam que a Bolsa está muito volátil, com investidores preocupados com o nível histórico de preços que as ações negociadas atingiram nos últimos dias. O volume financeiro foi de R$ 4,41 bilhões, considerado alto por profissionais das mesas de operações.

Câmbio
O dólar comercial encerrou o dia cotado a R$ 2,024 para venda, em alta de 0,29%. A agência Fitch elevou o ''rating'' (classificação de risco de crédito) do Brasil para ''BB+'', mas o ''upgrade'' teve impacto limitado no mercado de câmbio, porque se espera que outras agências de classificação, a exemplo da Standard&Poors, confirmem a melhora das notas brasileiras.

Insegurança
Profissionais de corretoras notam que as oscilações bruscas dos últimos dias mostram a insegurança dos investidores com o atual nível da Bolsa. ''Os investidores estão muito receosos de permanecer no mercado porque a Bolsa está em um nível recorde de preço. O volume (financeiro) está altíssimo também porque tem muito operação de 'day-trade' (compra e venda num mesmo dia) sendo feita'', afirma o gerente de operações da corretora catarinense Manchester, Adolir Rossi.

Acumulado
A Bolsa acumulou 18 pregões consecutivos com fechamento recorde de pontos. Até quarta-feira, o Ibovespa, principal índice de ações, acumulava valorização de 15,35% no ano.


Petrobras
Também contribui para a apreensão do mercado a divulgação do balanço da Petrobras, previsto para hoje, após o encerramento dos negócios. As ações da estatal petrolífera têm muito peso nos negócios da Bolsa e, nos últimos dias, têm sofrido o impacto da ''novela boliviana'' em torno da aquisição de duas refinarias. No pregão de ontem, a ação preferencial sofreu perdas de 1,64% enquanto a ordinária teve queda de 1,59%.

TAM
A companhia aérea TAM divulgou lucro líquido de R$ 59,2 milhões no primeiro trimestre de 2007, uma queda de 53,3% frente aos R$ 126,7 milhões apurados no mesmo período de 2006. A ação preferencial fechou em alta modesta de 0,11%.

Usiminas
O Sistema Usiminas - formado por Usiminas e Cosipa - anunciou ontem um lucro líquido de R$ 642 milhões no primeiro trimestre deste ano. A soma é 86% superior aos R$ 345 milhões registrados nos mesmo período de 2006. A ação preferencial sofreu perdas de 2,86%.

Ambev
A AmBev divulgou lucro líquido de R$ 645,9 milhões no primeiro trimestre deste ano, um número 1,5% inferior ao resultado registrado no mesmo período no ano passado. A corretora Unibanco avaliou que os resultados vieram 'levemente' acima do esperado e apontou o ''sólido crescimento'' das vendas da unidade Cervejas da companhia. A ação preferencial desvalorizou 2,60%.

Títulos
O governo brasileiro vai novamente emitir títulos da dívida externa atrelado ao real. O Tesouro Nacional anunciou ontem a reabertura de uma captação de bônus com vencimento em 2028. Segundo nota emitida pelo Tesouro, os títulos serão emitidos nos mercados norte-americano e europeu, e o Tesouro Nacional conta com a prerrogativa de dar seguimento à emissão na Ásia, após a abertura daquele mercado.

Volume
O Tesouro já emitiu R$ 2,25 bilhões desses papéis em duas emissões. A última vez foi em março, quando foram emitidos R$ 750 milhões a uma taxa de retorno de 10,28% ao ano. No Plano Anual de Financiamento (Paf), está previsto a emissão do alongamento do prazo de vencimento desses títulos, que não possuem o risco da variação da cotação do dólar.

Risco
A agência de classificação de risco Fitch elevou o rating soberano do Brasil de ''BBB-'' para ''BB+'', um nível anterior do chamado ''investment grade'' (grau de investimento), dada a países considerados seguros para investir. A elevação do ''rating'' favorece o fluxo de recursos para o país e deve estimular a desvalorização da taxa de câmbio.

Reservas
No comunicado ao mercado, a Fitch também ressalva a a acumulação de reservas internacionais, o que contribui para aumentar a ''resistência [do Brasil] a choques externos''. As reservas internacionais do país estão em torno de US$ 122 bilhões e, segundo as projeções da Fitch, devem exceder US$ 130 bilhões até o final do ano, o ''equivalente a 150% da dívida de externa de curto prazo''.

Espera
O mercado esperava há meses que as agências de classificação de risco começassem a melhorar a classificação de risco do país, principalmente após as reservas internacionais terem atingido a marca dos US$ 100 bilhões. A Fitch se torna a primeira agência a modificar o rating brasileiro. Analistas de mercado consideram que o Brasil deve atingir o nível de ''grau de investimento'' em 2008 ou 2009.

Com agências

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