MERCADO FINANCEIRO
Novo recorde
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou ontem com forte alta de 2,03%, na marca histórica dos 51.300 pontos, configurando o 18º recorde consecutivo somente neste ano. O volume financeiro foi de R$ 4,78 bilhões.
No acumulado de 2007, a Bolsa tem valorização de 15,35%, o que aumenta os temores de alguns investidores de que o mercado esteja à beira de uma realização de lucros (venda de papéis muito valorizados) mais acentuada.
Espaço
O lado ''mais otimista'' do mercado, no entanto, afirma que ainda há espaço para valorização da Bolsa brasileira. Eles afirmam que investidores estrangeiros e investidores domésticos - deslocando recursos de aplicações de renda fixa - podem sustentar a continuidade das altas.
Papéis
Chamou a atenção dos investidores o desempenho das ações do setor de siderurgia e mineração, que puxaram a valorização da Bolsa. A ação ordinária da CSN subiu 6,94%, apesar do impacto negativo de uma decisão da Justiça que bloqueou recursos da empresa de cerca de R$ 1 bilhão.
Boletim
Analistas de corretoras limitaram o impacto da decisão judicial. Em boletim para investidores, a corretora Planner apontou que a CSN já teria provisionado os recursos e que a sentença não deve ter impacto nos próximos resultados da empresa.
Vale
A ação preferencial da Companhia Vale do Rio Doce, uma das mais negociadas do mercado, subiu 4,20%. Corretores atribuíram o desempenho do papel à expectativa de forte demanda chinesa, uma das maiores importadoras do produto brasileiro, nos próximos trimestres.
Fomc
O Fomc (comitê de política monetária dos EUA) decidiu pela manutenção dos juros básicos americanos em 5,25%, em linha com as expectativas da maioria dos economistas de mercado. Em seu comunicado pós-reunião, o comitê americano se mostrou preocupado com as perspectivas de inflação mas também sinalizou de que está ''convencido'' de que a economia está em desaceleração.
Perspectivas
O economista-chefe do banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, considera que o Fomc deve manter a taxa básica de juros em 5,25% ao ano até o final de 2007, com base no ''statement'' divulgado após a reunião. O economista lembra ainda que o núcleo da inflação continua incomodando o comitê americano.
Atenção
Já o economista-chefe do banco Modal, Alexandre Póvoa, em boletim divulgado para clientes, afirmou que ''toda atenção é pouca'' para as próximas reuniões do Fomc. Se por uma lado, a inflação americana (preços ao consumidor) mostra convergência para as metas implícitas da autoridade monetária, considerando a tendência dos 12 meses, ainda o há o risco dos preços dos combustíveis pressionarem.
Gasolina
''Cabe chamar a atenção para uma potencial nova escalada do preço da gasolina, que pode colocar mais lenha na fogueira da inflação e de forma indireta impactar o 'PCE core' [medida da inflação ao consumidor, que desconta os preços mais voláteis]'', afirma o economista.
Petróleo
Os preços do petróleo fecharam em baixa nesta quarta-feira, em reação ao primeiro aumento das reservas de gasolina americanas em três meses e a uma alta muito maior que a esperada dos estoques de cru. No New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril de ''light sweet'' para entrega em junho perdeu 71 centavos, fechando a US$ 61,55.
Câmbio
O dólar comercial foi cotado ontem à R$ 2,018 no valor de venda, em queda de 0,24%, nos últimos negócios. Trata-se da menor cotação desde o início de 2001. O Banco Central limitou sua habitual intervenção no mercado à câmbio a um leilão de compra de moeda, por volta das 15h38.
Ausência do BC
A queda das taxas cambiais confirma a percepção de vários corretores de que, na ausência do BC, ou com uma ação restrita da autoridade monetária, o preço da moeda americana tende a rumar para o piso de R$ 2. Ontem, a taxa mínima atingiu R$ 2,017 e na máxima, chegou a R$ 2,029.
Juros futuros
Os principais contratos DI negociados na BM&F apontaram juros em queda na comparação com os fechamentos do dia anterior. O contrato de janeiro de 2008 projetou taxa de 11,48% ante 11,50%. No contrato de janeiro de 2009, a taxa projetada passou de 10,77% para 10,71%. Já no contrato de janeiro de 2010, a taxa projetada caiu de 10,54% para 10,48%.
Com agências





