MERCADO FINANCEIRO
Dia de queda
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 0,62%, aos 50.281 pontos, ontem. Em um pregão esvaziado, os investidores optaram por realizar lucros (vender papéis muito valorizados), à espera da reunião do Fomc (comitê de política monetária), amanhã. O volume de negócios foi de R$ 2,816 bilhões, abaixo da média diária.
Câmbio
O dólar comercial foi negociado a R$ 2,021 para venda, em queda de 0,68% nos últimos negócios. O Banco Central limitou sua intervenção diária ao habitual leilão de compra de moeda.
Venda de ativos
Após uma seqüência de recordes, tanto aqui quanto nos pregões americanos, a maioria dos investidores avalia, a essa altura, a necessidade de uma venda dos ativos que subiram com mais força no últimos negócios, diz o diretor de operações da corretora Solidus, Emerson Lambrecht. O que os investidores viram até agora é o mercado cair e absorver logo essas realizações, ou somente uma realização muito tímida, como a de hoje (ontem), afirma.
Fomc
Ele aponta a reunião do Fomc e a divulgação do PPI (índice de preços no atacado, dos EUA), na sexta-feira, como os dois eventos definidores das expectativas. Todo mundo aguarda esses dois indicadores para o mercado fazer um movimento, tanto para um lado quanto para outro, acrescenta, lembrando as estimativas de alguns analistas de que a Bovespa ainda teria fôlego para chegar a 52 mil pontos nas próximas semanas.
Maioria
A maioria dos economistas estima que o Copom americano deve manter a taxa de juros em 5,25% ao ano, com uma parcela reduzida apostando nas chances de uma redução de 0,25 ponto percentual já na reunião de quarta-feira. Lambrecht também lembra que o próprio mercado brasileiro também busca indícios de que o Copom possa reduzir com mais força a taxa Selic (12,50%), em sua reunião de junho.
Bradesco
O Bradesco anunciou ontem lucro recorde de R$ 1,705 bilhão de janeiro a março deste ano. Esse é o maior resultado dos últimos 20 anos entre bancos privados brasileiros para um primeiro trimestre. Em relação aos primeiros três meses de 2006, o lucro do grupo apresenta uma expansão de 11,4%. A ação preferencial do banco valorizou 1,12%, a R$ 46.
Petrobras
Ontem, o governo boliviano anunciou decreto que concede à estatal YPFB o monopólio da exportação do petróleo reconstituído e das gasolinas brancas. Esses derivados são produzidos por cinco empresas de refino, sendo que duas delas pertencem à Petrobras. A ação preferencial da petrolífera estatal recuou 2,17%, a R$ 45,02. Operadores atribuíram à queda em parte ao noticiário boliviano, mas destacaram que o ativo da empresa é uma porta de saída para investidores da Bolsa, devido à facilidade de giro do papel.
Inflação
O mercado financeiro voltou a reduzir as expectativas em relação aos indicadores de inflação deste ano. A projeção para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é o índice utilizado pelo governo no sistema de metas de inflação, passou de 3,69% para 3,64%. É o quarto ajuste para baixo consecutivo, segundo o boletim Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central.
Dentro da meta
A projeção está dentro da meta, que é um IPCA de 4,5%, com margem de tolerância de dois pontos para cima ou para baixo. No ano passado, em que a meta também era de 4,5%, o índice ficou em 3,14%. Para o ano que vem, o mercado financeiro aposta em um IPCA de 4%.
Selic
O BC leva em conta o comportamento da inflação não só deste ano, mas também a do ano que vem, para definir a sua política de corte de juros. A taxa Selic está em 12,5% ao ano. Até o final do ano, os analistas esperam que a taxa Selic chegue a 11,25%, mesma previsão da semana anterior.
IGPs
A expectativa para o Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) foi reduzida 3,64% para 3,63%. Já a do Índice Geral de Preços Mercado (IGP-M) ficou estável em 3,73%.
Crescimento
A expectativa em relação ao crescimento da economia está inalterada em 4,1% para este ano e 4% para 2008. A previsão para o crescimento da produção industrial foi ajustada de 4% para 4,07% para 2007. Para o próximo ano, a projeção caiu de 4,4% para 4,3%.
Superávit
A projeção para o superávit da balança comercial, que é o saldo positivo entre exportações e importações, sofreu uma leve correção, passando de US$ 40 bilhões para US$ 40,5 bilhões. Os analistas esperam ainda que o dólar esteja cotado a R$ 2,05 em dezembro.
(Com agências)





