Dia de recorde
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) alcançou a marca histórica dos 50.218 pontos no pregão de ontem, após subir 1,51% no minuto final dos negócios. O mercado brasileiro seguiu a onda mundial de valorização das Bolsas, que refletiram bons indicadores econômicos dos EUA e a divulgação de resultados trimestrais de empresas que surpreenderam investidores. O giro de negócios foi de R$ 3,58 bilhões.

Ranking
Entre as maiores altas do Ibovespa ontem, Celesc PNB liderou, com +4,55%, seguida por Cyrela ON (+4,36%), Light ON (+4,13%) e Copel PNB (+4,13%). Do lado das baixas, as ações da Lojas Renner ON caíram 4,09%, depois do vigor exibido na véspera. Brasil Telecom ON foi a segunda maior queda, com -2,13%, e Braskem PNA caiu 1,90%, em terceiro lugar.

Ibovespa
A pontuação de ontem do Ibovespa - principal índice de ações - representa o 15º recorde consecutivo da Bolsa brasileira. Quando se aproximou da marca dos 49 mil pontos, analistas avaliaram a continuidade dos ganhos na Bovespa dependeria das empresas convencerem os investidores que entregariam resultados tão consistentes quanto os vistos no ano passado.

Balanços
E tanto aqui quanto lá fora, os balanços trimestrais têm agradado analistas e batido expectativas. Nos EUA, os investidores estimaram que a General Motors mostrou que começou a reverter os prejuízos de US$ 2 bilhões observados em 2006, quando divulgou lucro liquido de US$ 62 milhões nos primeiros três meses do ano.

Gerdau
Já no Brasil, a Gerdau anunciou lucro de R$ 869,4 milhões no primeiro trimestre do ano, número 4,4% superior ao resultado para o mesmo período de 2006 e acima das projeções de corretoras (em torno de R$ 700 milhões).

Fundamentos
Os fundamentos econômicos, principalmente, têm sustentado a valorização das Bolsas, com ênfase na economia dos EUA. ''Os dados econômicos dos EUA ainda deixam o mercado um pouco confuso, mas já existe um consenso de que não vai haver um 'pouso forçado' da economia americana (recessão). A China ainda deve crescer a taxas de dois dígitos, e além disso, a alta das commodities metálicas continuam a favorecer as exportações brasileiras'', avalia André Borghesan, analista da corretora Souza Barros.

Expectativas
Borghesan estima que a Bolsa brasileira atinja o nível dos 52 mil pontos ainda neste semestre, com a possibilidade uma ''correção'' (venda de papéis) pontual dos preços das ações. ''Por enquanto, não consigo ver motivos para uma queda mais brusca da Bovespa, a não ser alguma surpresa com a China, novamente, ou algum indicador muito desfavorável nos Estados Unidos'', acrescenta.

Câmbio
O dólar comercial foi negociado a R$ 2,028 para venda, em alta de 0,18%. A taxa de risco-país caiu ao longo do dia para 152 pontos e no final da tarde retornou ao patamar final de quarta-feira (153 pontos). A queda do risco-país foi apontada por profissionais de mercado como um dos fatores que favoreceram o recuo das taxas de câmbio.

BC
O Banco Central agiu por duas vezes para segurar a cotação da moeda. Pouco antes das 11h, o banco anunciou a realização de leilão de ''swap cambial reverso'', o equivalente a uma compra de dólar no mercado futuro, e que costuma pressionar a formação dos preços. Pouco mais tarde, às 15h34, anunciou um leilão de compra de moeda, adquirindo dólares à R$ 2,027 (taxa de corte).

Avaliação
''Tudo leva a crer que está próximo o momento do dólar a R$ 2,00, embora possa ocorrer volatilidade até que se consolide'', avalia o diretor da corretora NGO, Sidnei Nehme, em seu comentário diário sobre o mercado de câmbio. O economista lembra que, apesar do BC ter comprado lotes recordes de moeda nos últimos meses, não conseguiu reverter a tendência de queda das taxas, embora seja consenso entre corretores que as atuações diárias da autoridade monetária ''desaceleraram'' o ritmo de desvalorização da moeda.

Petróleo
Os preços do petróleo recuaram ontem, com o mercado aparentemente ignorando a nova onda de sequestros na Nigéria, primeiro produtor africano de ouro negro, e concentrado no volume das reservas americanas. Na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex), o barril de ''light sweet'' no contrato de maio recuou 49 centavos, fechando a US$ 63,19.

Com agências

mockup