Teles em evidência

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) encerrou o último pregão de abril em queda de 0,55%, aos 48.956 pontos. O destaque de ontem ficou por conta do setor de telecomunicações, após a notícia de que o grupo espanhol Telefônica adquiriu parte do controle da Telecom Italia. Ambos os grupos detém participações importantes em algumas das principais operadores de telefonia móvel do Brasil. O volume financeiro foi de R$ 3,22 bilhões, considerado razoável para um pregão pré-feriado.


Aquisição

No final de semana, a Telefónica e um consórcio de bancos informou que adquiriram o equivalente a 23,6% da Telecom Italia. O grupo espanhol divide o controle da operadora Vivo, a maior do país, com a Portugal Telecom, enquanto a empresa italiana detém a TIM, a segunda maior operadora de telefonia móvel do Brasil.


Fusão?

A operação, que somente deve ser concluída no segundo semestre, aponta para a possibilidade da Telefónica deter mais de 50% do mercado brasileiro de telefonia móvel, com a hipotética fusão das operações de TIM e Vivo.


Ressalvas

As ações da Vivo e TIM desabaram na Bovespa, após o governo brasileiro ter sinalizado ressalvas sobre a operação. A ação preferencial da TIM caiu 3,95%, enquanto a ordinária teve perdas de 9,05%. A ação preferencial da Vivo sofreu queda de 4,6%. ''O mercado ficou incerto sobre os rumos da operação e aproveitar para vender os papéis e embolsar os lucros'', avalia Ricardo Tadeu Martins, gerente da área de pesquisa da corretora Planner.


Rumores

Há semanas, a Bolsa é agitada por rumores de fusões entre as principais empresas do setor de telecomunicações, com destaque para o caso da Brasil Telecom/Telemar ou as negociações entre Telefônica e Portugal Telecom pela Brasilcel, a holding Brasilcel, que controla a Vivo.


Legislação

Analistas contavam com mudanças na legislação do setor de telecomunicações,
já que o governo deu sinalizações positivas sobre uma possível fusão Brasil Telecom - Telemar. O ministro Hélio Costa (Comunicações) jogou um ''balde de água fria'' nas expectativas do mercado, ao sugerir que o governo tem ressalvas sobre a fusão Vivo/TIM.


Análise

''A consolidação de Brasil Telecom - Telemar pode ser até interessante na visão do governo, porque criaria uma empresa brasileira forte o suficiente para concorrer com os mexicanos, por exemplo. No caso da Telefónica e da Telecom Italia, criou um pouco de preocupação, porque concentra mercado na mão de um grupo espanhol'', analisa Ricardo Martins, da Planner. ''A fusão tem quer avaliada com cuidado. Provavelmente, a Telefónica pode ser obrigada a se desfazer de algumas participações [em companhias no Brasil]'', acrescenta.


Câmbio

O dólar comercial finalizou os negócios ontem a R$ 2,037 para venda, em alta de 0,24%. No mês, o preço da moeda americana acumula queda de 1,12%. A taxa de risco-país, medida pelo indicador Embi+, disparou 5,4%, aos 156 pontos.


Juros

No mercado futuro de juros, os principais contratos DI negociados na BM&F apontaram taxas menores na comparação com a jornada anterior. A exceção ficou por conta do contrato de janeiro de 2008, que projetou taxa de 11,61% ao ano ante 11,60% na sexta-feira. No contrato de janeiro de 2009, a taxa projetada caiu de 11% para 10,98%; já no contrato de janeiro de 2010, a taxa de fechamento caiu de 10,79% para 10,74%.


Focus

Hoje, o boletim ''Focus''preparado pelo BC, mostrou que a maioria dos analistas reduziu a projeção para o IPCA, que é o índice utilizado pelo governo no sistema de metas de inflação, de 3,78% para 3,69%. O mediana das projeções de mercado aponta que a taxa básica de juros deve encerrar o ano em 11,25% ao ano.


Européias

As bolsas européias finalizaram o mês de abril em terreno positivo, com notícias favoráveis do setor corporativo e um relativo otimismo sobre a economia da chamada ''zona do euro''. Após atingir preços históricos durante as últimas jornadas, analistas acreditam que os investidores devem reservar o mês de maio para realizações de lucros (venda de papéis muito valorizados).


Índices

O índice FTSE 100, da Bolsa de Londres, fechou em alta de 0,47%, aos 6.449 pontos, enquanto o DAX, do pregão de Frankfurt, teve ganhos de 0,41%, aos 7.408 pontos. O CAC-40, da Bolsa francesa, subiu 0,49% no fechamento e atingiu a marca histórica dos 5.960 pontos.


Sustentação

A alta do pregão londrino foi sustentada, entre outras notícias, após as ações da International Power terem valorizado 3,3%, com uma reavaliação positiva desses papéis pelo banco Lehman Brothers. As ações do setor petrolífero também tiveram bom desempenho na Bolsa britânica, com destaque para os papéis de British Petroleu e Royal Dutch Sheel, empurradas pela alta do preço do barril tipo Brent, que atingiu US$ 68 durante a jornada.


Petróleo

Os preços do petróleo sofreram com as realizações de lucro ontem, após o
anúncio da participação do Irã na Conferência internacional sobre o Iraque esta semana. No New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril de ''light sweet'' para entrega em junho cedeu 75 centavos, fechando a US$ 65,71.



Com agências

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