Dia de queda

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) interrompeu ontem uma sequência de cinco pregões consecutivos de valorização e fechou em queda de 0,50%, aos 46.939 pontos. Para profissionais do mercado, a principal notícia do dia veio dos EUA, com a ata do Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto, equivalente ao Copom no Brasil). O volume financeiro foi de R$ 4,33 bilhões, considerado alto.


Efeito Fomc

O Federal Reserve (banco central americano) revelou a ata do Fomc, relativa à reunião dos dias 20 e 21 de março em que a taxa básica de juros dos EUA foi mantida em 5,25% ao ano. No documento, os integrantes do comitê mostraram preocupação com pressões inflacionárias e indicou que novas altas de juros podem ser necessárias.


Sinal

''A Bolsa vinha de vários pregões com valorização e quebra de recordes. O mercado só estava esperando um 'trigger' (motivo) para fazer uma realização de lucros (venda de papéis muito valorizados). E a ata do Fed foi o sinal'', afirmou Expedito Araújo, operador da corretora Alpes.


Comunicado

Profissionais de mercado relativizaram o impacto da ata e lembraram que, no comunicado pós-reunião, em março, o comitê já mostrava preocupações com a inflação e sinalizava a possibilidade de manter os juros por mais alguns meses, o que é desfavorável para as Bolsas.


Telemar

O destaque do dia ficou por conta das ações do grupo Telemar, que na terça-feira anunciou a intenção de fazer uma oferta pública de ações dos minoritários. A oferta ainda precisa ser aprovada em assembléia, prevista para 20 de abril. Os preços da possível oferta estão pelo menos 10% dos praticados pelo mercado, o que provocou uma disparada pelos papéis na Bolsa.


Câmbio

O mercado de câmbio reagiu com força à ata do ''Copom americano'' e fez a taxa de câmbio subir com força nos últimos negócios. A moeda americana encerrou o dia cotada à R$ 2,039 (valor de venda) - preço máximo registrado nas corretoras de câmbio - com variação de 0,49% sobre o valor do fechamento anterior.


Juros

O mercado de juros futuros da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) também reagiu à ata do Fomc e elevou as taxas projetadas, na comparação com fechamento de terça-feira. O contrato com vencimento em janeiro de 2008 apontou juro de 11,90% contra 11,88% no fechamento de terça. No contrato de janeiro de 2009, a taxa projetada subiu de 11,51% para 11,55%. O contrato DI para janeiro de 2010 projetou taxa de 11,45% ante 11,40%.


Bernanke

''O Ben Bernanke (o presidente do banco central americano) fez um discurso correto, reafirmando que acredita em um crescimento moderado, sem ver recessão. Agora, a ata (do Fomc) voltou a falar de inflação. Quando lá fora (as Bolsas americanas) caiu, por aqui o dólar corrigiu'', disse Ideaki Iha, da mesa de câmbio da corretora Fair.


Fatores

Iha mencionou outros dois fatores que tiveram influência discreta para pressionar a taxa de câmbio: o leilão de contratos de ''swap reverso'', feito pelo Banco Central, e a mudança de diretoria no Banco Central brasileiro. ''O Rodrigo Azevedo, que era uma pessoa de perfil conservador, saiu da diretoria da Política Monetária, e o mercado sempre pensa que pode haver mudanças'', acrescentou.


Citigroup

O Brasil não será afetado pelo plano de reestruturação que inclui o corte de 17 mil postos de trabalho no mundo anunciado ontem pelo conglomerado financeiro americano Citigroup. Segundo nota emitida pelo Citi Brasil ''o impacto (do plano) não será significativo'' no país, que está em ''hipercrescimento''; pelo contrário, ''o banco continuará a recrutar profissionais/pessoas quando necessário e a competir pelos melhores talentos'', afirma a nota.


Porftólio

O comunicado do Citigroup feito pela manhã não especifica quantos desses cortes atingirão as operações da empresa nos Estados Unidos e em outros países. No Brasil desde abril de 1915, o Citibank tem um portfólio de mais de 250 mil correntistas e cerca de 7 mil funcionários. Em 2005, o grupo fechou o ano com 60 agências Citibank e 51 CitiFinancial, número que em 2006 subiu para 110 e 134, respectivamente.


Petróleo

Os preços do petróleo subiram um pouco ontem, após o anúncio de um novo recuo dos estoques americanos de gasolina, num cenário de tensões entre as potências ocidentais e o Irã sobre seu programa nuclear. Na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex), o barril de ''light sweet'' para entrega em maio aumentou 12 centavos, fechando a US$ 62,01. No IntercontinentalExchange (ICE) de Londres, o barril de Brent do Mar do Norte ganhou 42 centavos, encerrando o pregão a US$ 67,84.


Com agências

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