MERCADO FINANCEIRO
Dia de notícias
Não faltaram notícias ontem para os mercados, tanto no cenário internacional quanto no doméstico. A mais esperada veio dos Estados Unidos, onde as palavras do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Ben Bernanke, derrubaram as bolsas de valores de Nova Iorque e do Brasil.
Incertezas
O presidente do Fed disse que o setor imobiliário do país está com perspectivas incertas, que a economia dos EUA cresce em ritmo moderado e que o núcleo da inflação está desconfortavelmente alto. Ele ressaltou ainda que o Fed não vai se afastar do viés da inflação.
Efeitos
O efeito no Brasil dessas declarações resultou em juros e dólar em alta. O mercado cambial ainda operou pressionado pelas rolagens do vencimento do dólar futuro no fim do mês. Já o cenário interno trouxe notícias positivas. O PIB brasileiro de 2006 foi revisto para cima, levando o mercado a projetar maior crescimento da economia este ano. E o risco país caiu para 172 pontos base.
Juros
Embora as notícias relativas à economia brasileira divulgadas ontem tenham sido consideradas muito positivas, o mercado se rendeu à piora do ambiente externo e, no caso dos juros, as taxas longas fecharam em alta enquanto as curtas ficaram estáveis. O DI janeiro de 2009 encerrou em 11,72%, de 11,68% terça, e o DI janeiro de 2010 subiu de 11,64% para 11,68%. Mas o vencimento mais líquido, com mais de 345 mil contratos, foi o DI julho de 2007, que terminou em 12,40%, de 12,41% terça.
Bovespa
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) emendou ontem seu segundo dia de fortes perdas. O Ibovespa, principal termômetro do pregão brasileiro, caiu 1,60%, aos 44.484 pontos. O giro financeiro atingiu R$ 3,25 bilhões. O dólar comercial foi negociado a R$ 2,069 para venda, em alta de 0,29%.
Ranking
Entre os papéis que compõem o Ibovespa, apenas cinco fecharam em terreno positivo. As maiores altas foram Gol PN (+4,17%), Cesp PNB (+3,82%) e Ipiranga Petróleo PN (+2,81%). As maiores baixas foram Itaúsa PN (-4,52%), Submarino ON (-4,20%) e Telemar ON (-3,93%).
Gol
O mercado brasileiro também foi agitado pelos rumores, mais tarde confirmados, sobre a aquisição da Nova Varig pela companhia aérea Gol. Antes da confirmação da notícia, as ações da empresa brasileira valorizaram com força na Bovespa - 4,18%, cotada a R$ 55,21 no pregão de ontem. A ação preferencial já o terceiro ativo mais negociado da Bovespa, com mais de R$ 105 milhões em negócios.
Bem recebida
A operação também mereceu avaliações positivas antecipadas de analistas do mercado. A notícia, se concretizada seria positiva para a Gol, que poderia com isso entrar num novo nicho no mercado internacional, com rotas de longa distância. No mercado internacional, a Varig enfrenta problemas de falta de aviões para atender aos trechos operados. E no mercado interno, a Gol ficaria muito próxima da liderança do mercado, avalia a equipe de analistas da corretora SLW.
Divisão
No mercado doméstico, TAM e GOL abocanham juntas 87,59% do segmento. A TAM fica com 47,33% e a Gol, 40,26%. A Nova Varig detém 4,57% das linhas domésticas, à frente da BRA (2,98%) e da OceanAir (2,04%).
Dívida
A elevada emissão de títulos públicos federais fez a dívida interna subir mais de R$ 30 bilhões no mês passado. Em fevereiro, ela cresceu 3% ante janeiro, para R$ 1,120 trilhão, um acréscimo de R$ 32,15 bilhões. Os dados foram divulgados ontem pelo Tesouro Nacional.
Emissão
Esse crescimento foi motivado, principalmente, pelo fato de o Tesouro Nacional ter emitido R$ 21,8 bilhões de papéis acima do valor resgatado (emissão líquida). Além da colocação de títulos, a dívida interna foi acrescida em R$ 10,34 bilhões referentes ao impacto dos juros sobre o estoque.
Dentro do previsto
O valor da dívida interna está dentro do previsto no Plano Anual de Financiamento (PAF), que prevê que neste ano ela ficará entre R$ 1,230 trilhão e R$ 1,300 trilhão. Já a dívida pública total, que inclui também a externa, passou de R$ 1,228 trilhão em janeiro para R$ 1,260 em fevereiro, aumento de 2,6%.
Petróleo
Os contratos futuros de petróleo subiram pela sétima sessão consecutiva e atingiram nova máxima em sete meses na New York Mercantile Exchange (Nymex), com o impasse sobre os 15 integrantes da Marinha britânica presos pelo Irã gerando temores de uma escalada na situação que poderá levar os preços as alturas, segundo analistas. No pregão viva-voz da Nymex, os contratos de petróleo para maio subiram US$ 1,15 (1,83%) e fecharam a
US$ 64,08 por barril. Em Londres, no sistema eletrônico da ICE Futures, os contratos de petróleo Brent para maio subiram US$ 1,18 (1,83%) e fecharam a US$ 65,78 por barril.
(Com agências)





