Em queda
  A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 0,96%, aos 45.206 pontos, no pregão de ontem. O mercado não resistiu a dois dias consecutivos de más notícias vindas da economia americana e mantém-se cauteloso, com baixo volume de negócios (R$ 2,29 bilhões). O dólar comercial fechou cotado a R$ 2,063 para venda, em leve alta de 0,04%.

(Des) Confiança
  A notícia que precipitou a derrocada de ontem veio do instituto americano The Conference Board, que faz sondagens periódicas do nível de confiança do consumidor na economia dos EUA. A taxa de março ficou em 107,2 pontos (menor nível desde novembro do ano passado), contra 111,2 pontos (dado revisado) registrados em fevereiro, muito abaixo da leitura esperada de 108 pontos.

Enfraquecimento
  A perspectiva de enfraquecimento do consumo na maior economia do planeta estragou o humor dos investidores, que já havia digerido (mal) uma queda muito pior que o esperado do nível de vendas de novas residências nos EUA, divulgado na segunda.

Perdas
  Um mês depois da crise mundial das Bolsas, o pregão brasileiro ainda acumula perdas de 2,17% desde 27 de fevereiro, dia da terça-feira histórica em que os mercados globais sofreram abalos comparáveis à época do atentado terrorista de setembro de 2001, nos EUA.

Temores
  Naquele dia fatídico, o Ibovespa sofreu perdas de 6,6%, a queda mais brusca em seis anos, com perda de 3.000 pontos em apenas um dia. Bolsas na Ásia, Europa e América repercutiram uma derrocada histórica da Bolsa de Xangai. As perdas no pregão chinês despertou temores de que uma das maiores economias mais importante do mundo estivesse à beira de uma forte correção em seu mercado de capitais, o que não se confirmou.

Pisando em ovos
  ‘‘Quanto a economia chinesa, realmente não há mais tanto nervosismo. Agora, quanto a economia americana, o mercado ainda está pisando em ovos. Os últimos dados econômicos não convencem nem para um lado nem para outro’’, afirma Expedito Araújo, profissional da corretora Alpes. ‘‘O mercado ainda está na seguinte linha de pensamento: entra e sai rápido. As posições são menores, com a expectativa de retorno mais rápido’’, acrescenta.

Incertezas
  O nível de incertezas do mercado não deve se dissipar com o discurso do presidente do Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano), Ben Bernanke, que vai discorrer sobre as perspectivas para a maior economia do planeta. O mercado não espera uma fala mais contundente de Bernanke, agora que os mercados se acalmaram.

Caso Ipiranga
A Comissão de Valores Mobiliários deve pedir a quebra do sigilo bancário de outros investidores suspeitos de terem usado informação privilegiada na negociação de ações antes do anúncio oficial da venda do grupo Ipiranga ao consórcio Petrobras, Braskem e Ultra. O presidente da autarquia, Marcelo Trindade, disse à Agência Estado que o principal indício para a obtenção do bloqueio judicial dos recursos movimentados por quatro investidores foi o ritmo acelerado das operações. ‘‘A rapidez do movimento foi impressionante: compraram num dia para vender dois dias depois’’, disse Trindade. Além dos quatro, outros 22 investidores estão sob investigação.

Captações
  As captações de recursos por meio de ações e títulos de dívida somaram R$ 119,89 bilhões em 2006, em um crescimento de 73,8% sobre o balanço de 2005, segundo levantamento divulgado ontem pela Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid).

Ritmo forte
  Em 2006, somente as captações por meio de lançamentos de ações (por empresas estreantes ou não na Bolsa), mais que dobraram (121%) e totalizaram R$ 31,3 bilhões, com forte participação (67%) de investidores estrangeiros. Foram 43 ofertas de ações, sendo 26 somente de novas empresas.

Dívida
  No segmento de dívida, as ofertas de debêntures, notas promissórias e outros papéis somaram R$ 88,59 bilhões, em um crescimento de 61% sobre o volume registrado para 2005. Ainda de acordo com a Anbid, as captações já somam R$ 11,89 bilhões no primeiro trimestre deste ano, até segunda-feira. Desse total, uma parcela de R$ 8,83 bilhões corresponde a emissões primárias e secundárias de ações.

Européias
  As Bolsas européias fecharam em alta ontem, com a divulgação do índice de confiança dos empresários na economia da Alemanha, apurado pelo instituto de pesquisas alemão Ifo, e com os ganhos nos papéis da fabricante de veículos DaimlerChrysler e da empresa de artigos esportivos Adidas. A Bolsa de Londres fechou com ligeira variação positiva de 0,01% no índice FTSE 100, que ficou com 6.292,60 pontos; a Bolsa de Paris fechou em alta de 0,2% no índice CAC 40, que ficou com 5.587,06 pontos; e o índice DAX, da Bolsa de Frankfurt, subiu 0,4% e fechou com 6.858,34 pontos.

Petróleo
  Os contratos futuros de petróleo reverteram as perdas iniciais e fecharam em alta na New York Mercantile Exchange (Nymex), estendendo a seqüência de fechamentos positivos pela sexta sessão consecutiva. Os contratos de petróleo para maio subiram US$ 0,02 (0,03%) e fecharam a US$ 62,93 por barril. Em Londres, no sistema eletrônico da ICE Futures, os contratos de petróleo Brent para maio subiram US$ 0,19 (0,30%) e fecharam a US$ 64,60 por barril.

(Com agências)

mockup