MERCADO FINANCEIRO
Clima de incerteza
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) encerrou o pregão de ontem em queda de 1,27%, aos 42.730 pontos. Duas semanas após o início das turbulências financeiras que sacudiram Bolsas ao redor do mundo, o ''pânico'' da última terça-feira de fevereiro passou. Permanece, no entanto, a incerteza sobre os rumos da maior economia do planeta, que mantém investidores e demais participantes do mercado sensíveis a cada novo número vindo dos EUA. Na semana, o Ibovespa caiu 3,18%.
Acumulando perdas
Desde aquela terça-feira histórica, a Bolsa brasileira acumula perdas de 7,5%. O giro financeiro ficou mais estreito e o vaivém do índice, por vezes sem definir um rumo, tornou-se a regra dos últimos pregões. Economistas apontam que não há um quadro definido para a economia dos EUA e ficam dúvidas sobre o ritmo de desaquecimento da economia e se virá com pressões inflacionárias que frustrem as expectativas de um relaxamento da política de juros nos próximos meses.
Ranking
Entre os papéis que compõem o Ibovespa, as maiores altas foram Ipiranga Petróleo PN (+2,73%), Natura ON (+2,68%) e Acesita PN (+2,22%). As maiores baixas foram BRT Par ON (-4,94%), Vivo PN (-2,74%) e Perdigão ON (-2,67%).
Juros
Os juros futuros tiveram um dia fraco em termos de liquidez, com taxas em leve alta, alinhados com o movimento defensivo que se viu nos mercados externos. O DI janeiro 2009 negociou pouco menos de 145 mil contratos e encerrou em 11,85% ante 11,82% de quinta.
Câmbio
O dólar comercial foi negociado a R$ 2,093 para venda, em leve alta de 0,14%. O mercado de câmbio já retomou os níveis pré-turbulência mundial e se mantém nesse nível nas duas últimas semanas. Corretores destacam que os negócios com a moeda americana estão muito mais sensíveis ao fluxo de recursos que a especulação de curto prazo. A baixa volatilidade das taxas também mostra, para alguns analistas, que os fundamentos econômicos sustentam os preços atuais do ativo.
Recuperação
Ontem, as Bolsas esboçaram recuperação após dois indicadores que, em princípio, seriam positivos para os negócios: a inflação ao consumidor dos EUA, menor que o esperado; a expansão do nível de produção industrial, melhor que o previsto. Uma economia aquecida mas com a inflação sob o controle é o melhor dos mundos para as Bolsas.
Indicadores
Na parte da tarde, no entanto, prevaleceu a incerteza sobre o quadro que será desenhado na semana que vem, com a divulgação de quatro importantes indicadores sobre o setor imobiliário americano: o índice do mercado de habitação, construção de casas novas, solicitação de empréstimos hipotecários, e venda de imóveis usados.
Opções
Na semana que vem, os investidores da Bolsa brasileira também terão mais um motivo para turbulências, com a habitual volatilidade atípica do mercado em dia de vencimento de opções (direitos de compra ou venda de ações). Ao longo desta semana, bancos e corretoras estrangeiros circularam relatórios, questionando se a crise nas carteiras de créditos imobiliários de maior risco - os chamados ''subprime''- podem contaminar o restante do mercado.
Impacto
O banco americano de investimentos Lehman Brothers estima que o impacto dessa crise deve se estender ao longo deste ano, com efeitos até o ano que vem. ''Um aperto nas condições de crédito poderia atingir outros segmentos do mercado de hipotecas, concentrando o mercado para os poucos devedores de maior qualidade'', afirma a equipe de analistas do banco.
Wall Street
As Bolsas de Valores dos Estados Unidos também fecharam no vermelho: o Dow Jones recuou 0,41%, a 12.109,93 unidades, e o Nasdaq caiu 0,25%, a 2.372,66. O Standard and Poor's 500 perdeu 0,38%, encerrando o pregão a 1.386,95 unidades.
Européias
As Bolsas européias fecharam em ligeira baixa ontem, afetadas pelas oscilações nas Bolsas em Wall Street, após a divulgação de indicadores que não bastaram para afastar os temores quanto à saúde da economia americana. A Bolsa de Londres fechou em ligeira variação negativa de 0,04%, com 6.130 pontos, devido às perdas nos papéis dos setores bancário e petrolífero. A Bolsa de Frankfurt fechou também com ligeira variação negativa, de 0,09%, recuando para 6.579,87 pontos. A Bolsa de Paris teve perda de 0,14%, fechando com 5.382,16 pontos. A Bolsa de Zurique fechou em baixa de 0,12%, com 8.717,63 pontos. A Bolsa de Milão fechou em baixa de 0,12% e 31.118 pontos.
Petróleo
Os preços do petróleo fecharam em baixa, depois de um dia de muitas oscilações. No New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril de ''light sweet'' para entrega em abril perdeu 44 centavos, fechando a US$ 57,11, mas oscilou de 56,17 dólares a 58,29 dólares durante a sessão. No IntercontinentalExchange (ICE) de Londres, o barril de Brent do Mar do Norte no contrato de maio caiu 68 centavos, a US$ 60,30.





