MERCADO FINANCEIRO
Dia de solavancos
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) voltou a ter fortes solavancos ontem, em uma nova onda de pessimismo nos pregões internacionais. O Ibovespa encerrou o dia em queda de 3,39%, aos 42.749 pontos. O volume de negócios mostrou a correria dos investidores: R$ 3,978 bilhões, muito acima da média dos últimos dias. Nem um dos 58 papéis do indicador encerrou hoje com valorização.
Câmbio e juros
Nem o mercado de câmbio nem o de juros futuros escaparam do estresse. A cotação da moeda americana subiu 0,76% nos últimos negócios, para R$ 2,104 para venda, enquanto os contratos da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) encerram o dia mais altos.
Notícias
Duas notícias de impacto contribuíram para estragar o tom ameno visto nos últimos dias nos pregões: o primeiro, mostrou fraqueza do consumo americano, o segundo, jogou sombras no setor imobiliário, justamente o que mais preocupava investidores e economistas há meses.
Varejo e hipotecas
O Departamento de Comércio dos EUA informou que as vendas no varejo subiram somente 0,1% em fevereiro, ante projeção de 0,3%. No setor imobiliário, as taxas de execução das hipotecas americanas pioraram, tanto para os empréstimos de maior risco (''subprime'') quanto para as operações de menor risco (''prime'').
Wall Street
Nos EUA, o Dow Jones (Bolsa de Nova York) caiu 1,97%, aos 12.075 pontos, enquanto o S&P 500 cedeu 2,04%, aos 1.377 pontos. O Nasdaq Composite, indicador da bolsa eletrônica, recuou 2,15%, aos 2.350 pontos.
Análise
''Por mais específica que seja a carteira (de maior risco), são mutuários, são algumas famílias que deixaram de pagar uma financeira. Essa financeira pode ter que deixar de pagar outro elo da cadeia, que não necessariamente está envolvido com o setor. Pode ser o início do mecanismo clássico de contaminação (da economia), que começa com um fato isolado'', avalia o economista-chefe do banco Fator, José Francisco Gonçalves.
Incertezas
Para o economista, aumentou o nível de incerteza dos investidores sobre os rumos da maior economia da planeta. Com a perspectiva de desdobramentos negativos, há uma correria natural dos investidores para sair das Bolsas. O mercado também já antecipa parte da tensão com um indicador previsto para sexta-feira, que será chave para a definição de expectativas: o CPI (índice de preços ao consumidor dos EUA).
Incômodo
''A inflação continua em um nível incômodo, enquanto os indicadores da economia ainda mostram sinais confusos. Um setor está com muita demanda por trabalhadores, enquanto outro despede. Esses números deixam uma série de interrogações'', acrescenta.
Influência
Mesmo com indicadores razoáveis, ou mesmo positivos, na macroeconomia e nos balanços de empresas, a Bolsa brasileira não consegue descolar do cenário externo. Analistas afirmam que as ações brasileiras valorizaram com força no ano passado e que o investidor prefere liquidar papéis que já subiram para não ficar exposto ao risco do mercado acionário.
Européias
As ações européias fecharam em queda, seguindo a orientação de Nova Iorque, que reagiu aos dados de vendas no varejo abaixo do esperado e aos novos problemas no mercado de hipotecas subprime. O índice DAX 30, da Bolsa de Frankfurt, fechou em queda de 1,4%, em 6.623,99 pontos. O CAC 40, da Bolsa de Paris, caiu 1,2% para 5.432,94 pontos. O FTSE 100, de Londres, perdeu 1,2%, fechando em 6.161,20 pontos. Em Lisboa, o índice PSI-20 caiu 0,8% para 11.582,14 pontos.
Petróleo
Os preços do petróleo voltaram a cair ontem, abaixo dos US$ 58 o barril em Nova Iorque, num mercado que relativizava os temores da Agência Internacional de Energia (AIE) de redução das reservas do produto nos países desenvolvidos. No New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril do ''light sweet crude'' para entrega em abril perdeu 98 centavos, fechando a US$ 57,93.
Asiáticas
Influenciado pela queda de 0,7% na Bolsa de Tóquio e por conta de realizações de lucros após alta de 1,6% na sessão anterior, o índice Hang Seng da Bolsa de Hong Kong fechou em queda de 0,6% hoje, a 19.333,14 pontos. As ações da China Mobile desvalorizaram 1,7%, com realizações de lucros depois dos ganhos de 4,3% na segunda-feira.
Com agências





