Pessimismo global
  Uma onda mundial de pessimismo nos mercados mundiais tragou a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) ontem, que sofreu o seu pior fechamento dos últimos seis anos. O Ibovespa, principal índice do mercado brasileiro, encerrou o dia aos 43.145 pontos, em queda de 6,63%.

Pânico
  O ‘‘pânico’’ com o efeito China veio casado com um volume de negócios de respeito: R$ 5,4 bilhões. A praça financeira não vivia um dia tão ruim desde julho de 2002, quando a Bolsa caiu 6,5%, em meio aos temores generalizados do cenário político. Pior, somente no dia 11 de setembro de 2001 - dia do atentado aos EUA - quando a Bovespa fechou mais cedo, em queda de 9%.

Análise
  ‘‘O mercado estava esperando um motivo para realizar (vender ações muito valorizadas) e ele apareceu. A gente somente não sabia que ele iria aparecer na China’’, afirma a analista Kelly Trentim, da corretora SLW. A queda só não foi pior porque - como salientam profissionais das corretoras - algumas ações ficaram tão baratas, devido à quedas da ordem de 10%, que atraíram compras mesmo em um ambiente de vendas generalizado. Também sinaliza que alguns investidores esfriaram a cabeça e não esperam no pregão de hoje uma repetição da ‘‘Terça-feira negra’’.

Câmbio
  O mercado de câmbio também foi afetado pelo estresse mundial: o dólar comercial foi cotado a R$ 2,120 nos últimos negócios, em seu maior preço desde o final de janeiro. O risco-país também não saiu incólume: o índice Embi do Brasil, calculado pelo banco JP Morgan, bateu a casa dos 190 pontos.

Estopim
  Foi dos EUA, e da China, que vieram as notícias que afundaram os mercados mundiais. A Bolsa de Xangai foi o ‘‘estopim’’, quando fechou em baixa histórica de 8,8%. Os investidores temeram que o governo chinês anuncie uma nova rodada de medidas para deter o superaquecimento da economia chinesa.

Recessão
  Nos EUA, os investidores já estavam precavidos desde ontem, quando o ex-presidente do Federal Reserve (banco central americano), Alan Greenspan, despertou os temores de uma possível recessão no horizonte. Ontem, o pessimismo foi alimentado pela queda de 7,8% nas encomendas de bens duráveis.

Efeito dominó
  Essas notícias tiveram o efeito de ‘‘bomba’’ nos mercados mundiais, no famoso ‘‘efeito dominó’’. Na Inglaterra, queda de 3,45%; na Argentina, o índice Merval derreteu 7,5%. Nos EUA, Wall Street recuou 3,29% e teve que restringir os negócios na praça para limitar as perdas.

Gordura
  Na Bovespa, que comemorava recordes sucessivos, os investidores encontraram ‘‘gordura’’ para queimar e foram às vendas, em um dia dedicado à realização de lucros (liquidação de papéis muito valorizados). Analistas explicaram a volatilidade dos negócios pelo ‘‘efeito manada’’: todos querendo sair da Bolsa, a qualquer preço.

IGP-M
  A inflação medida pelo Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) foi de 0,27% em fevereiro, ante alta de 0,50% em janeiro. A taxa, anunciada ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), ficou dentro das estimativas dos analistas do mercado financeiro, que esperavam um resultado entre 0,13% e 0,30%. Até fevereiro, o IGP-M acumula elevação de 0,77% no ano e alta de 3,67% no período de 12 meses.

Petróleo
  Os preços do petróleo fecharam acima dos US$ 61 o barril ao término de um pregão muito instável, com os operadores duvidando dos riscos de queda da demanda chinesa e antecipando a redução das reservas de petróleo nos Estados Unidos. No New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril do ‘‘light sweet’’ para entrega em abril ganhou sete centavos, fechando a US$ 61,46. Em Londres, no IntercontinentalExchange (ICE), o barril de Brent do Mar do Norte para entrega em abril ganhou três centavos, a US$ 61,36, seu nível mais alto desde 26 de dezembro.

BB
  O Banco do Brasil apresentou saldo de R$ 45,1 bilhões na carteira de agronegócios em 2006, um aumento de 26,2% em relação ao ano anterior. Uma parte desse crescimento deveu-se ao processo de renegociação de operações com os produtores rurais, informou o banco, no relatório que acompanha o balanço anual divulgado ontem.

BB2
  A carteira era composta por 57,9% de operações de custeio e comercialização e 41,2% de investimento. As transações para agroindústrias registraram saldo de R$ 7,1 bilhões, alta de 108,8%. Na safra 2005/2006, o BB destinou R$ 26,9 bilhões ao setor rural. Os recursos foram distribuídos em mais de 1,3 milhão de operações de investimento, custeio e comercialização, segundo a instituição.

Com agências Estado eFolhapress

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